Notícia

Férias com menos violência

20/01/2009

Florianópolis, 4.8.08 - Pela primeira vez em quatro anos, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou o menor número de mortes no mês de julho, em comparação ao mesmo período dos anos anteriores. Pelos dados divulgados ontem, em Brasília, o número de mortos caiu 14,5,% em relação à mesma época de 2007. Só em julho foram registrados 10.500 acidentes, nos quais houve 530 mortos e 6.005 feridos. Santa Catarina, porém, não colaborou na queda do número de óbitos nas rodovias federais no período de férias escolares. As mortes passaram de 45 para 46 em relação ao mesmo período de 2007. Os números de acidentes e de feridos, no entanto, seguiram a tendência nacional e caíram, respectivamente, 3,7% e 7,9%. Para a PRF em Santa Catarina, a avaliação do mês foi positiva. - A nossa expectativa era um número maior de acidentes neste ano em função do aumento de 16% na frota de veículos no Estado. No período das férias, o número costuma ser mais alto do que nos demais meses. Até a semana passada, sem contabilizar o acidente que matou quatro de uma família, tínhamos registrado uma queda de 12% nas mortes - comentou o inspetor Vilson Bossi, da área de comunicação a PRF em Santa Catarina, referindo-se ao acidente ocorrido na noite de 22 de julho na BR-101, em Barra Velha, onde os quatro ocupantes de um veículo de passeio do interior de São Paulo, entre eles duas crianças, que haviam passado o dia no Beto Carrero World, em Penha, morreram após o veículo sair da pista, capotar e bater contra a parede de um posto. Para os inspetores policiais, a redução dos dados no país tem relação direta com os efeitos positivos provocados pela lei seca. O coordenador nacional de imprensa da PRF, inspetor Alexandre Castilho, atribui a diminuição do número de acidentes fatais ao que ele chama de "binômio: a parceria da proibição da ingestão de bebidas alcoólicas e a discussão sobre o aumento do rigor na aplicação das leis de trânsito. - Além da proibição e maior fiscalização sobre a ingestão de bebidas (alcoólicas), as pessoas passaram a discutir e a se interessar mais sobre a segurança. Isso acaba influenciando no comportamento e nas mudanças da rotina - disse Castilho. Segundo o inspetor, os dados da polícia revelam que o excesso de velocidade, ultrapassagens indevidas e o abuso na ingestão de álcool são as principais causas de acidentes nas rodovias federais no país. Nas SCs, 30 motoristas foram detidos por embriaguez Nas estradas estaduais de Santa Catarina, a lei seca também reduziu o número de acidentes e feridos em julho, mas não o de mortes, que permaneceu igual ao do ano passado: 18. No caso de acidentes, a diminuição foi de 12,2% e de feridos 11,1% na relação com julho de 2007. Chefe de operações do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária, o capitão Marcelo Pontes afirmou que tem percebido entre os motoristas cautela e preocupação em não beber álcool, mais do que fugir das blitze. De 20 de junho (primeiro dia da lei seca) até 31 de julho, 53 habilitações foram recolhidas e 30 condutores presos por embriaguez. Esse número é 31% menor do que o mesmo período de 2007 - foram recolhidas 77 carteiras. Mais Número de mortes caiu 14,5% nas BRs do país Para seu filho ler Antes, quem bebia só um copo de bebida alcoólica podia dirigir porque a lei dizia que essa quantidade não atrapalhava ao volante. Só quem bebia muito tinha que pagar multa. Agora, a nova lei proíbe que uma pessoa dirija depois de beber, mesmo que seja só um copo, porque fica mais difícil prestar atenção na estrada e pode acontecer um acidente. Se a pessoa bebeu mesmo, tem de pagar R$ 955 e fica um ano sem habilitação. Fique atento a quem vai dirigir o carro no qual você vai passear e não o deixe beber antes de sair. Técnicos avaliam com cautela A redução ainda modesta nos números registrados no Estado em julho não causou surpresa entre os especialistas de trânsito. Eles ressaltam a necessidade de analisar período maior de tempo para avaliar os resultados na mudança de legislação e chamam a atenção para a fiscalização mais intensa feita nos centros urbanos em comparação às rodovias. Roberto de Sá, presidente do Movimento Nacional de Educação no Trânsito (Monatran), acredita que o que chama de pressa em divulgar e analisar o impacto da lei seca no número de mortes pode "desmoralizar a lei" e que "a falta de credibilidade pode jogar tudo por água abaixo". - Infelizmente, como o Brasil é país do oba-oba, a gente quer ressonância imediata de uma iniciativa que deveria esperar o tempo passar pra fazer um levantamento mais fiel e correto. Essas pesquisas são prematuras, ajudam de um lado e prejudicam do outro - argumentou. Ele lembra que o Monatran foi contra a implementação imediata da lei seca, antes de uma campanha esclarecedora com a população. - Eu não aceito que num Estado haja queda vertiginosa, no outro continua, no outro aumenta. Isso não existe, estamos no mesmo país - comentou. Para o presidente do Instituto Catarinense de Estudos de Trânsito e Transportes (Icetran), José Leles de Souza, a queda do índice de mortalidade, mais do que enganosa, varia, sim, de um lugar para outro. - Esse número, para mim, não é surpresa. Apesar de ter visto várias matérias falando em redução, a diminuição é muito localizada. Aconteceu apenas em certas áreas onde houve boa concentração de fiscalização, que não é intensiva no Brasil. Por isso, no conjunto não há como visualizar grandes mudanças - declarou. Índices não são homogêneos, observa especialista O presidente da Federação das Empresas de Transportes de Cargas em Santa Catarina (Fetrancesc), Pedro Lopes, diz que, além da concentração das fiscalização, a informação e a conscientização também são mais fortes nos centros urbanos. Em cidades como Florianópolis, Blumenau, Joinville, Criciúma, São José e Chapecó, ele cita ainda a importância das guardas municipais. - Por que ocorre essa imprudência? Em todo o Litoral há concentração urbana à beira da estrada, então o motorista fica trancado e tenta aproveitar qualquer oportunidade para andar, mas acaba cometendo barbaridades como as que a gente vê - apontou. Tire suas dúvidas Com a nova lei, quanto de álcool posso beber antes de dirigir? Nada. A lei brasileira assume tolerância zero em relação à bebida alcoólica. Antes, um motorista podia apresentar até 0,6 grama de álcool por litro de sangue. Agora, mais do que zero de álcool será um infração gravíssima. Um limite de 0,2 grama de álcool foi definido como tolerável enquanto o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) não publicar uma resolução sobre a aplicação da lei. Como o índice é verificado? Fiscais de trânsito e agentes das polícias rodoviárias submeterão os motoristas a testes com o bafômetro. Se o motorista estiver alcoolizado, terá o carro e a CNH apreendidos. Sou obrigado a fazer o teste com o bafômetro? Ninguém é obrigado a fazer. Nesse caso, porém, o testemunho do agente ou policial tem valor de prova na Justiça. OS LIMITES* E AS PUNIÇÕES Até 0,3 miligrama de álcool por litro de ar expelido pelos pulmões ou equivalente a 0,6 grama de álcool por litro de sangue Multa de R$ 955 Risco de perder o direito de dirigir por um ano Mais de 0,3 miligrama de álcool por litro de ar expelido pelos pulmões ou equivalente a 0,6 grama de álcool por litro de sangue Prisão Multa de R$ 955 Risco de perder o direito de dirigir por um ano *Os bafômetros detectam o álcool no ar expelido nos pulmões, enquanto a legislação trabalha com os índices de álcool no sangue, que só pode ser medido em exames de sangue. Fonte: Diário Catarinense