Florianópolis, 14.12.09 – A duplicação da BR-101 – Sul Trecho Sul será entregue em 2010, garantiu ontem o diretor de Infraestrutura Terrestre do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), Hideraldo Caron, em entrevista coletiva após uma vistoria da obra e entrega de três obras de arte ao longo do trecho. Mas um lote poderá ficar de fora dessa meta. A empreiteira não consegue fazer o trecho em Araranguá, por falta de crédito e poderá atrasar ainda mais o cronograma.
Caron disse que nesta segunda-feira teria um encontro com os responsáveis pela empresa para encontrar uma alternativa. O presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, que participou da vistoria e da entrevista coletiva, sugeriu que o assunto seja tratado com rapidez e que dependendo da análise técnica sobre a empreiteira Triunfo, que é a responsável pelo trecho, que se repasse o lote para outra construtora.”Solicito não só pelo transporte de carga, mas também pelo de passageiros, que se dê uma solução para a continuidade da obra para dar desenvolvimento ao transporte”, destacou o presidente. Ele também chamou a atenção para o fato de ser esta empresa também a que venceu a licitação da passagem urbana de Tubarão, muito mais complexa e que preocupa muito, pois é urgente a duplicação para acabar com as deficiências daquela extensão da rodovia.
Lopes destacou também o fato de que houve um encontro em Tubarão promovido pela Fetrancesc e outro em Brasília para encontrar uma saída para a dificuldade financeira das empreiteiras, com o objetivo de acelerar o andamento da duplicação. E depois de ter havido a disposição dos bancos como o BNDES para emprestar recursos, a Triunfo nada avançou. Lopes considera que faltou competência e responsabilidade.
Caron procurou minimizar os efeitos desse atraso, se houver, na conclusão total da obra, dizendo que isso significa 5% de todo o trecho. No entanto, admitiu que será um gargalo para os usuários da rodovia. Ele afirmou que não existe nada de errado nas dificuldades da empreiteira. Segundo ele, a Triunfo ficou em terceiro lugar na licitação. A primeira, a DM ficou um longo período sem nada fazer até que o DNIT resolveu tomar providências e rescindir o contrato. A segunda não assumiu por falta de condições e a Triunfo aceitou, mas também não te como fazer a obra. O diretor do DNIT disse que quando elas foram selecionadas tinham condições técnicas e financeiras e que não é possível prever que em cinco anos não tenham mais. O problema maior foi a elevação acentuada dos insumos, que elas apresentaram num determinado valor e agora estaria muito acima do contratado, garantiu ele.
Sobre o atraso em dois anos para entregar os trechos de 238,5 quilômetros licitados, que deveriam estar prontos em 2008, Caron não respondeu se faltou uma fiscalização ou se a licitação não foi bem conduzida. Para ele, fatores como chuva, custo da matéria prima, problemas das empreiteiras ajudaram nessa prorrogação de cronograma. Ele disse que sabe dos prejuízos ao setor de transporte, que poderia nesses dois anos ter redução dos custos das viagens com menos tempo na estrada. Afirmou que há um custo maior na obra, pois a cada ano são reajustados em cerca de 5%. A obra está orçada ao custo total de R$ 1,6 bilhão.
O diretor, que estava acompanhado do superintendente do DNIT/SC, João José dos Santos, engenheiros do órgão, da senadora Ideli Salvatti e do deputado federal, Cláudio Vignatti, se disse satisfeito com a execução após a vistoria geral na obra da 101 Sul, que, acontece a cada dois ou três meses em conjunto com a bancada de Santa Catarina, a Fetrancesc e representantes de outros setores para acompanhar
Para ele, apesar da complexidade da duplicação, que existe em outros estados também, e uma dificuldade imensa de trabalhar, “estamos evoluindo bem para o nosso objetivo de entregar a obra no ano que vem. A maior parte dos lotes tem uma evolução muito positiva, porque nós temos alguma coisa negativa, como o lote próximo a Araranguá, que está atrasado, buscando solução para ele para não ficar fora do cronograma do ano que vem.”
O diretor disse que já foram feitas as pistas de mais de 180 quilômetros dos quais, 140 quilômetros foram entregues ao usuário. Sem contar as obras de arte, pontes, viadutos e elevados. Garantiu que vai entregar mais quatro lotes no primeiro semestre e mais cinco no segundo de 2010.
Mas independente do lote 29, de Araranguá estar ou não pronto, a rodovia terá três pontos sem solução até lá. São 10 quilômetros que estão em três lotes: o túnel do Morro do Formigão, em Tubarão, a Ponte em Laguna e os túneis do Morro dos Cavalos, que ainda estão na fase da conclusão de projetos e somente no ano que vem para fazer a licitação da escolha da empresa que vai fazer a obra.
Fez questão de citar que a duplicação tem mais de 20 programas em andamento que são complementares ao licenciamento ambiental. Um deles é o convênio com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para a elaboração do programa de monitoramento de cargas perigosas. Em troca, o DNIT vai construir a ala de queimados do Hospital Universitário da UFSC, no valor de R$ 6 milhões.
O presidente da Fetrancesc aproveitou o assunto para dizer que a Federação já acertou junto à Agência Nacional de Transporte Terrestre, em parceria com a OHL, concessionária do trecho Norte da BR-101, para construir um Centro de Apoio ao Transporte de Produtos Perigosos, numa área de 20 mil metros quadrados em Itajaí, que terá o estacionamento e transbordo prontos em maio de 2010 e até o final do ano, uma unidade do Sest Senat deverá estar pronta no local para atender aos motoristas. Lopes disse que a proposta é ter unidades do Sest Senat próximas á rodovias para facilitar o aceso ao profissional do volante, que enfrenta as dificuldades das estradas saturadas.
Via expressa terá mais duas pistas em cada sentido
O diretor de Infraestrutura de Transporte aproveitou o encontro para anunciar que nos próximos dois ou três meses, o DNIT lançará o edital para selecionar empresa que fará o estudo de viabilidade e o projeto executivo da Via Expressa, a BR-282, que dá acesso à capital. “E o que se chama de quadruplicação de pistas, ou seja, a rodovia ganhará mais duas pistas de cada sentido, além das ruas laterais. Vamos estudar também a viabilidade de uma quarta ponte, ligando a BR à Ilha. Para futuramente fazer o projeto e a viabilidade dos recursos.”
A senadora Ideli Salvatti completou e disse essa foi a saída encontrada junto ao Ministério dos Transportes para tratar da questão, que tem um acesso federal uma ponte estadual e depois o trecho é de responsabilidade do município. Por isso será feito o estudo da ponte, afirmou ela, que criticou a prioridade dada aos viadutos já construídos. Na opinião dela, o mais urgente e importante seria o do terminal Rita Maria. “Alguém precisa harmonizar essa situação de ligação Ilha-Continente sob a ótica da mobilidade.”
O projeto de duas pistas a mais é de cinco quilômetros, mas o estudo de viabilidade vai até Lages. O presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, disse que não via isso como uma solução para o problema do trânsito. Por isso, ele solicitou que seja feito um debate com segmentos sociais entre eles a Fetrancesc e de entidades ligadas ao trânsito, ao tráfego e à engenharia para que se possa construir uma proposta do que é melhor para essa questão do aceso à Florianópolis. Caron prometeu fazer essa discussão. Lopes também aproveitou para dizer que essa discussão também deve ser feita em áreas onde a rodovia está no meio de grande concentração urbana como Itapema, Balneário Camboriú e Joinville. Fonte: Imprensa Fetrancesc

