Estradas de SC – A quarta menos pior

Estradas de SC – A quarta menos pior

Brasília, 29.10.09 – Quem dirige pelas rodovias catarinenses enfrenta o perigo. Há desníveis no asfalto, sinalização deficiente e apenas o pavimento compensa, pelo menos em parte, os problemas enfrentados pelos motoristas. De acordo com a pesquisa rodoviária

2009 da Confederação Nacional do Transporte (CNT), 60,2% das estradas do Estado estão em situação ruim, péssima ou regular. Mesmo assim, Santa Catarina tem a

quarta melhor malha viária do país e a segunda melhor da região Sul. Ou seria a menos pior? Das 25 vias avaliadas, em um total de 2.881 quilômetros, um trecho de

apenas 10, na BR-376, entre Garuva e Curitiba (PR), foi classificado como ótimo. A análise em Santa Catarina foi focada em 43% dos 6,7 mil quilômetros federais e estaduais que compõem a malha local.

O resultado final não é muito satisfatório, mas ainda está acima da média nacional. Em relação ao último levantamento, feito em 2007, o Estado subiu três posições. Técnicos que passaram 45 dias avaliando características de pavimento, sinalização e geometria das estradas brasileiras identificaram que 69% dos trechos no país são regulares, ruins ou péssimos.

As piores estradas estão em Roraima. A melhor malha rodoviária é a do Estado de São Paulo. Para o presidente da CNT, Clésio Andrade, é preciso mais investimentos

em infraestrutura rodoviária, apesar de projetos como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estarem em prática desde 2007. Investimentos de R$ 2 bilhões

Andrade estima em R$ 2 bilhões o investimento necessário para que todas as estradas catarinenses alcancem a classificação de boas e ótimas. Em todo o país, o investimento

estimado pela confederação chega a R$ 32 bilhões.

– Mesmo com todos os problemas, a região Sul é considerada uma das melhores malhas rodoviárias do país. Ainda assim, o governo tem muito a investir – avalia o presidente

da entidade. No Estado, as estradas federais ainda estão em melhor situação do que as estaduais. A BR-101, por exemplo, que ainda está em obras de duplicação na porção sul, apresenta um estado geral bom. O pavimento da estrada mais movimentada do Estado recebeu classificação ótima. Já a sinalização e a geometria foram classificadas

como regulares. O trecho que cruza Florianópolis está classificado entre os 10 melhores do país.

 

A pesquisa

Desde 2004, abrange toda a malha de rodovias federais pavimentadas. Também são

avaliados trechos de rodovias estaduais selecionados por relevância, como volume

de tráfego, importância para o desenvolvimento regional e integração com outros modos de transporte. As equipes, formadas por pesquisadores e motoristas, percorrem os

trechos dos mapas e rotas. Outra equipe percorre, por amostragem, trechos das rotas, para conferir os resultados. A coleta de dados este ano foi feita entre 8 de junho e 25 de julho. Mapa completo com a avaliação das rodovias catarinenses em www.diario.com.br/edicaododia

A Melhor

Parece piada, mas a única rodovia considerada ótima em Santa Catarina é um trecho de apenas 10 quilômetros em Garuva, no Norte, até a divisa com o Paraná. É a exceção da exceção, única com a máxima qualificação. O nome BR-376, usado pela CNT, é um mero preciosismo. As BRs 101 e 376 estão sobrepostas. Além disso, o maior trecho da 376 (mais de 670 quilômetros) está no Paraná e recebeu qualificação boa na pesquisa. A parte catarinense, comumente conhecida como BR-101 de Garuva, também

foi assim classificada no estudo. Apesar do conceito acima da média, o trecho pesquisado registra acidentes com frequência. Como está em região de serra, o trecho tem curvas sinuosas, perigosas para os motoristas. É o início da serra para quem deixa o Estado, entre os quilômetros 670 e 680, onde há curvas fechadas.

A pior

Há um ano e meio a SC-468 e a SCT-480 (parte da BR-480), no Oeste do Estado, em péssimas condições segundo a CN T, são reféns da burocracia no Ministério da Fazenda

para a aplicação do projeto de readequação. De acordo com o presidente do Deinfra, Romualdo de França Jr., as duas estradas são muito antigas – têm mais de 30 anos – e

foram construídas com métodos que não se aplicam mais:

– O projeto para a reabilitação já tem financiamento aprovado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento. A última notícia que tenho é que o projeto está no jurídico do ministério e depende da aprovação do Senado. França não quis comentar a pesquisa da CNT, pois o órgão desconhece o resultado e a metodologia utilizada.

– Estas pesquisas normalmente divergem muito do que temos aqui – pondera.

EDITORIAL RBS

Malha viária deficiente

O que cada motorista brasileiro já sabe, há muito tempo, sobre o estado das rodovias brasileiras, ganhou a comprovação pelos números de uma pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT): 69% da malha rodoviária do país, quase sete de cada 10 quilômetros estão classificados nas categorias de péssimo, ruim e, no máximo, regular. Dos 89.552 quilômetros avaliados, apenas 27.713 quilômetros foram considerados em bom ou ótimo estado. Para a pesquisa, esses resultados denotam a situação deficiente de uma larga extensão da malha de rodovias e, ao mesmo tempo, representam os grandes desafios que devem ser enfrentados com o objetivo de capacitar a principal infraestrutura de transporte utilizada no país.

Não se trata apenas de uma questão de conforto ou rapidez para os motoristas e seus acompanhantes. A má conservação das estradas representa um obstáculo à circulação de riquezas, um perigo para os que trafegam e um fator de prejuízo para os proprietários de veículos. Por trás dos números, a pesquisa embute um alerta. A qualidade de um dos mais decisivos fatores da logística e da infraestrutura da economia do país é precária, para não dizer lamentável. Até mesmo a situação das estradas paulistas, que, de longe é a melhor do país – 75% são consideradas boas ou ótimas –, mostra uma realidade que não pode ser vista senão como menos ruim no contexto nacional: um de cada quatro quilômetros da rede desse Estado é considerado ruim ou, apenas, regular. Face à carga tributária que a sociedade carreia para os cofres públicos, a incapacidade de manter malhas rodoviárias adequadas demonstra o muito que o poder público precisa fazer para justificar a arrecadação e até para dar sentido ao papel do Estado como indutor do crescimento.

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