Florianópolis, 28.9.09 – O Ministério dos Transportes já tomou a decisão. O edital para contratação da empresa que fará o projeto da Ferrovia Leste-Oeste será lançado em outubro pelo DNIT, aqui em Santa Catarina. O traçado também está defi nido. A nova estrada de ferro começará em Itajaí e avançará em direção à Serra, no mesmo traçado da BR-470, até atingir a região de Curitibanos. A partir dali, segue parelela à BR-282 até Chapecó. Para este trecho, a concorrência selecionará as empresas para elaboração do projeto executivo. Na mesma data deve ser lançada licitação para o estudo de viabilidade técnico-econômica do trecho entre Chapecó e São Miguel dOeste, já na perspectiva de uma ferrovia transoceânica. Informações transmitidas pelo deputado Pedro Uczai(PT), que vem tratando do problema ferroviário catarinense no DNIT e em outros órgãos federais. Pelo relato do próprio ministro Alfredo Nascimento, a ideia de implantação da ferrovia Leste-Oeste pelo atual traçado da estrada de ferro no Planalto Norte está totalmente descartada. A América Latina Logística, concessionária contratada no governo FHC, tem criado uma série de difi culdades até na Justiça. De acordo com Uczai, o contrato fi rmado é leonino, do ponto de vista do interesse público. A ALL não realiza melhorias no trecho catarinense, tudo o que investe debita no contrato. E não se habilita como parceira confi ável para a Ferrovia Leste-Oeste”.
Ameaça
A América Latina Logística existe há 12 anos. Foi fundada quando a Ferrovia Sul Atlântico venceu o processo de privatização da malha sul da Rede Ferroviária Federal. Hoje, atua em vários Estados do Sul, no Chile, no Uruguai e na Argentina. Tem sede em Curitiba. É a maior empresa do setor na América Latina. A necessidade de reativação das linhas férreas catarinenses, com recuperação das estações e melhoria dos trilhos, foi analisada no fi m de semana em Caçador, durante reunião de 15 prefeitos do Vale do Rio do Peixe e encontro do Fórum Parlamentar Ítalo-Brasileiro. Unanimidade: Ferrovia do Contestado poderá ser um fator de expansão do turismo em toda a região. Pinheiro Preto, por exemplo, tem um túnel aberto a picareta. Ali, em 1909, Zeca Vacariano realizou o primeiro assalto a um trem pagador no Brasil. Em União da Vitória, também no sábado, o presidente da Ferroeste, Samuel Gomes, lançava programação dos paranaenses de reativação da Ferrovia do Contestado, iniciativa da Associação dos Amigos do Trem. Trechos da estrada em Santa Catarina continuam abandonados. A Ferroeste vem atuando com agilidade e dinamismo, com vários trechos ferroviários construídos ou em execução no Paraná. Há projeto para implantar um ramal ligando Cascavel, no Paraná, a Chapecó, no Oeste catarinense. Para os produtores e criadores, um lance fantástico. Eles importam, hoje, 2,3 milhões de toneladas de grãos (milho e soja) do Paraná, Mato Grosso e Goiás. Tudo sobre as carretas, que chegam todos os dias às dezenas ou centenas em Chapecó. Se os grãos vierem por trem os preços sofrem uma queda de até 50%. O governo e os empresários do Paraná jogam todas as fi chas neste projeto da Ferroeste, que lá está bem adiantado, por outra razão econômica. Concluído ramal que ligará Chapecó, a maior parte das exportações de aves e suínos de Santa Catarina sairia pelo porto de Paranaguá. Tudo muito mais barato, mais rápido e mais seguro. Esta ameaça é que tem motivado os parlamentares do PT a lutarem pela Ferrovia Leste-Oeste, que promoverá a integração e abrirá portas para o Pacífi co. Fonte: Moacir Pereira/Diário Catarinense