Estado aperta controle sobre a sonegação

Estado aperta controle sobre a sonegação

Florianópolis, 1º.9.09 – A partir de hoje, mais 53 setores da economia serão obrigados a emitir a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e). Segundo o governo, além do menor custo para as empresas, o documento digital torna as transações mais rápidas e combate a sonegação.
Dados da Secretaria da Fazenda de Santa Catarina mostram que o Estado, que arrecada cerca de R$ 800 milhões por mês, perde pelo menos R$ 200 milhões com a evasão fiscal.
– Um dos principais benefícios da nota eletrônica é facilitar o controle sobre a sonegação, já que o processo será todo automatizado – afirma o auditor fiscal e coordenador da NF-e em SC, Marcilino Figueiredo.
Ele revela também que grandes empresas estimam que a redução de custo com o documento eletrônico seja da ordem de 80%.
Mais de 14 mil empresas de Santa Catarina estão cadastradas automaticamente e já podem iniciar as operações com a Nota Fiscal Eletrônica, mesmo que ainda não sejam obrigadas a utilizar o sistema.
As que não foram incluídas na lista por estarem com os dados desatualizados podem consultar como proceder no endereço eletrônico da Fazenda em SC (veja box) e, a partir da regularização, podem adquirir o aplicativo, que é disponibilizado de graça no site da Secretaria da Fazenda de São Paulo.

Empresas especializadas têm soluções ao sistema

Embora o software possa ser adquirido gratuitamente, um número grande de empresas, 220 delas, implementam soluções para a nota fiscal eletrônica no país.
A catarinense DF-e tecnologia é uma delas. Um dos sócios, Luiz Boal, explica que o software oferecido pelo governo é voltado, principalmente, a quem emite poucas notas por mês, já que alguns lançamentos de dados devem ser feitos manualmente.
O valor para a implementação do software – que é associado a um aplicativo de gestão –, conta Boal, varia de R$ 1 mil a R$ 3 mil e a mensalidade é de, em média, R$ 50 – dependendo do tipo de serviço que o cliente escolhe. No valor, está incluso o suporte técnico, caso o empresário necessite de alguma orientação.
Marcelo Brocardo, presidente da Bry Tecnologia, empresa que comercializa o certificado digital para a emissão da NF-e, explica que a segurança nesse tipo de transação é total.

Setor de tecnologia começa a se adaptar

Embora nesse primeiro momento as empresas estejam se adaptando ao novo modelo, os executivos afirmam que a novidade será bem vinda para aqueles que trabalham dentro da lei.
Alcides de Brida Neto, proprietário da Ilha Service, é um dos que vai precisar emitir a Nota Fiscal Eletrônica a partir de hoje. Para se adaptar ao novo sistema, ele conta que trocou servidores, contratou um link a mais de internet, para assegurar que não ficará sem cobertura por problemas técnicos e comprou um equipamento de armazenamento de dados, um investimento que totalizou R$ 20 mil.
Embora o custo tenha sido alto, Alcides acredita que o documento eletrônico veio para melhorar as relações entre fornecedores e clientes. Ele também diz que alguns custos também serão reduzidos, como o da impressão do papel.
– Emitimos 1 mil notas por mês aqui na empresa. Isso dá R$ 350 por mês. Com a digitalização, vamos passar a gastar R$ 175. Em um ano, a economia será de R$ 2,1 mil.
O presidente da Associação de Usuários de Informática e Telecomunicações de Santa Catarina (Sucesu/SC), Carlos Eduardo Nascimento, acrescenta que a nota fiscal eletrônica já consegue até mesmo gerenciar a logística na entrega de algum item.
– Quem trabalha na regularidade está achando bom – defende Nascimento, lembrando que Santa Catarina, junto com São Paulo, Goiás, Maranhão e Rio Grande do Sul, ajudou a elaborar o projeto piloto.
Para o contabilista Jacy Gubert, da MK Contabilidade, ainda restam muitas dúvidas quanto ao uso do documento eletrônico.
– Tudo o que é novo demora para ser difundido. Mesmo com toda a agilidade, ainda existem desafios – avalia Gubert, que tem acompanhado o processo mudança.

Quem será obrigado a usar a nota a partir de hoje

Entre os setores, estão o da tecnologia, fabricantes e importadores de pisos e revestimentos cerâmicos, concessionários de veículos novos e fabricantes de produtos de papel, cartolina, papel-cartão e papelão ondulado para uso comercial. Em 2010 outros setores serão chamados a aderir ao programa

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