Em seminário do Sest Senat, especialista diz que menos 5% das empresas têm algum tipo de programa de prevenção e tratamento ao uso de álcool e drogas

Em seminário do Sest Senat, especialista diz que menos 5% das empresas têm algum tipo de programa de prevenção e tratamento ao uso de álcool e drogas

Florianópolis – O Brasil gasta 19 bilhões de dólares com pessoas que apresentam algum tipo de dependência, dado apresentado pela a socióloga, especialista em Administração de Recursos Humanos, Maria Teresinha Medeiros, durante o seminário O Desafio das Empresas: Álcool, Drogas e Trabalho realizado pelo Sest Senat Florianópolis, no último dia 29 de julho, com a presença de mais de 120 profissionais das áreas de recursos humanos, jurídico e de saúde das empresas. O evento, que faz parte da campanha Sest/Senat pela vida nas estradas, teve palestras e debates com especialistas na área de pessoal, de saúde do trabalho, do direito trabalhista e da área social.
A finalidade desse encontro, que aconteceu em 14 cidades brasileiras, é discutir o tema e principalmente saber como o uso de álcool e drogas pode atrapalhar e interferir na vida não só do doente como de outras pessoas vinculadas ao trabalhador do transporte. Além disso, os palestrantes deram um panorama de como as empresas atuam nesta questão. Pelos dados apresentados, no Brasil, poucas se preocupam com isso. E segundo eles, prevenir e tratar do problema têm um custo muito mais baixo do que não tratar.
Maria Teresinha Medeiros apresentou uma série de números durante sua explanação no seminário. Segundo ela, 54% dos acidentes de trabalho decorrem do uso abusivo do álcool; 50% das faltas e licenças são de funcionários com problemas de álcool e outras drogas e homens e mulheres entre 20 e 50 anos são os maiores consumidores de álcool e outras drogas. Além disso, ela destaca que 30% da queda de produtividade nas empresas estão ligados ao consumo de álcool e outras drogas; 74% dos usuários de drogas ilícitas estão empregados. E o que mais preocupa, no Brasil, menos de 5% das empresas tem algum tipo de programa de prevenção. E que a dependência química é responsável por três vezes mais de licenças médicas comparadas com outras doenças e aumenta em cinco vezes o risco de acidentes de trabalho. Sem contar as perdas patrimoniais, acidentes e despensas médicas.
Para a especialista em Recursos Humanos, o tratamento deve se embasar em conhecimento científico, de modo imparcial e objetivo e não usar medidas de amedontramento. Ela propõe ainda educação efetiva com fatores para a auto-estima; a capacidade de lidar com tensões; frustrações; angústias; habilidade de decidir e interagir em grupo; comunicação verbal e expressão não verbal e capacidade de resistir a pressões. Segundo ela, “os programas de prevenção e do tratamento devem atuar em pequenos grupos com ações específicas, com planejamento local, respeitando o direito ao sigilo e ética. Outra receita sugerida por Maria Teresinha Medeiros para prevenir é a promoção da qualidade de vida com estilo de vida saudáveis para barrar a procura por drogas. Segundo ela, “Adota um enfoque ecológico-ambiental e humano, as drogas são discutidas enquanto agressores a uma vida saudável.”
Medeiros salientou que não existe um método pronto para a prevenção. Disse que depende do contexto e do grupo. Mas pontos que devem ser levados em conta, a busca de uma vida saudável; atuação na prevenção e garantir o sigilo e o respeito aos direitos humanos. Medeiros mostrou ainda o passo-a-passo que as empresas que têm programa de prevenção e tratamento ao uso de álcool e drogas.

1. Realização de um mapeamento da população da empresa.

2. Estratificação da gravidade do problema nos dependentes;

3. Promoção da conscientização dos danos que o álcool causa na vida das pessoas;

4. Encaminhamento dos dependentes para o tipo adequado de ajuda, contemplando todos os aspectos da influência do alcoolismo.

Para as empresas e para os trabalhadores o programa pode alcançar resultados como melhora do ambiente de trabalho; redução de conflitos pessoais e interpessoais; diminuição do stress, do absenteísmo, dos atrasos e dos acidentes de trabalho; maior controle da saúde e das doenças dos colaboradores,

Maior produtividade, menor gasto com planos de saúde. “Prevenir custa sete vezes menos que tratar e recuperar um empregado dependente de drogas custa quatro vezes menos que repor este trabalhador. Vários estudos apontam uma economia, de pelo menos, quatro a seis reais por real investido no desenvolvimento de programas de prevenção e tratamento”, finaliza Maria Teresinha Medeiros. Para ter acesso a todas as palestras acesse o banner Seminário Sest Senat neste mesmo site. Fonte: Imprensa Fetrancesc

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