Florianópolis, 29.6.09 – Santa Catarina conta, hoje, com uma frota de 3 milhões de veículos, dos quais 170 mil caminhões de transportes de cargas, segundo registros do Departamento Estadual do Trânsito. Dentro de um ano, o litoral deverá contar com seis portos (Itajaí, Navegantes, São Francisco do Sul, Imbituba e Laguna, já operando; e Itapoá, em construção). A movimentação de contêineres sofrerá um aumento significativo. Para transportar estas unidades com mercadorias, a malha rodoviária prevista para os próximos dois anos será basicamente a mesma. A tendência, por isso mesmo, é de multiplicação dos problemas, com mais acidentes, bloqueios parciais ou totais de pontes, hoje em situação precária, maiores congestionamentos, aumento dos custos de transportes e mais prejuízos financeiros e materiais.
Um estudo realizado pela Fetrancesc e pela UFSC concluiu que o trecho entre Joaçaba e São Miguel do Oeste da BR-282 é o de maior risco em toda Santa Catarina, com índice de 585 óbitos. Constatou que 70% dos acidentes nas rodovias acontecem nas áreas urbanas.
Esta a síntese do 1º Seminário sobre Transporte Rodoviário de Transporte de Carga, realizado neste fim de semana no Centro de Eventos de Concórdia, por iniciativa do sindicato do setor (Setcom) dentro da programação da Expo Concórdia.
Relatos e avaliações foram feitos pelo economista Raul Veloso, consultor da Confederação Nacional dos Transportes; João José dos Santos, diretor do DNIT; Pedro Lopes, presidente da Fetrancesc; e Romualdo França, presidente do Deinfra.
Veloso enfatizou que os últimos governos não priorizaram investimentos em transportes e infraestrutura, o que provocou a atual situação de estrangulamento de pontos críticos. E cada vez mais o poder público eleva as despesas de custeio, em detrimento dos investimentos.
O sistema rodoviário federal tem como maiores gargalos os trechos entre Rio do Sul e Blumenau e Chapecó e Xanxerê da BR-282, este com projeto a ser executado pelo DNIT, avaliado em R$ 300 milhões; e na BR-470, entre Rio do Sul e Blumenau. Na área estadual, a SC-283, entre Chapecó e Concórdia, já incluída no BID-5, mas cuja licitação só sairá no final de 2010.
O Deinfra trata, neste momento, de tocar o BID-5, que destinará R$ 50 milhões para rodovias estaduais, enquanto negocia o BID-6, para a obtenção de mais R$ 250 milhões. O programa BID é responsável por 64% das estradas asfaltadas de todo o Estado.
A situação da BR-101 foi abordada pelo engenheiro João José dos Santos.
Anunciou que, na próxima semana, o governo lançará nova linha de financiamento do BNDES para capital de giro das empreiteiras que executam a duplicação sul. Tem expectativa de que com estes recursos, as obras de pavimentação sejam retomadas com mais rapidez.
É a principal rodovia federal em andamento no Brasil. Ali foram investidos R$ 1 bilhão, de um total de R$ 1,6 bilhão.
De toda a malha rodoviária federal em Santa Catarina, os percursos mais precários estão na BR-153, que corta o Vale do Rio do Peixe, e na BR-282, na região entre Joaçaba e Xanxerê. A BR-153 terá os serviços de restauração iniciados no próximo mês de julho.
O seminário empresarial revelou, finalmente, a necessidade de inclusão da disciplina de “educação no trânsito” nas escolas de Santa Catarina, sugestão que a diretoria da federação levará ao governador Luiz Henrique. Está demonstrado que só pela educação as novas gerações poderão ter mais disciplina no trânsito. Fonte: Moacir Pereira/Diário Catarinense
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