Duas alternativas legais podem evitar novos processos licitatórios para os lotes do trecho Sul da BR-101 cujos contratos acabam no final do ano. As medidas são uma saída para impedir mais atrasos nas obras da rodovia, que correm o risco de ficar com os trabalhos parados, no mínimo, por um ano.
Segundo a assessoria de imprensa do DNIT, a lei 8.666 prevê a solicitação de dois termos aditivos para aumentar o tempo de execução da obra. A medida, baseada na contabilidade dos dias improdutivos, permite o aumento do prazo sem prejuízos financeiros e também oferece até 25% a mais do valor estimado da obra.
– Em fevereiro do ano passado, por exemplo, tivemos 21 dias improdutivos. Agora, para conseguir aumentar o custo da obra, o processo administrativo é mais longo e deve ser justificado. O contorno de Araranguá, que passou por uma mudança no projeto, se encaixa nesta situação. Neste caso, o Tribunal de Contas da União já aprovou o aumento dos custos – exemplificou o assessor do DNIT, Breno Maestri.
Todas as empresas que trabalham nas obras da rodovia estão sujeitas a penalidades caso não cumpram o contrato com o DNIT, como a impossibilidade de participar de novas licitações no período de três anos.
Enquanto as obras não ficam prontas no trecho Sul da BR-101, motoristas e moradores que vivem às margens da rodovia convivem com o perigoso tráfego de veículos que coloca o trecho de 248,5 quilômetros na liderança em número de mortes e acidentes no Estado.
– Eu queria muito ver esta rodovia acabada, mas não sei se terei tempo – lamentou Noemi Joana da Silveira, 77 anos.
Junto com a família, a aposentada que vive há 69 anos a poucos metros da 101, na Enseada do Brito, em Palhoça, na Grande Florianópolis, já presenciou muitos acidentes graves.
– Quem vive aqui tem que atravessar a BR-101 para ir ao mercado, ao posto de saúde e, no caso das crianças, para ir na escola. Já pedimos uma passagem, mas até agora nada – lamentou o filho da aposentada, Rafael da Silveira, de 35 anos.
Todos os dias Bruna da Costa, de 13 anos, atravessa a 101 para assistir às aulas na escola José Maria Cardoso. Recentemente, duas colegas da menina foram atropeladas na travessia.
Na segunda-feira, às 14h, uma audiência pública discutirá as obras da duplicação da BR-101 Sul na Assembleia Legislativa. Estão convidados, entre outros, o superintendente do DNIT, João José dos Santos; o presidente da Fiesc, Alcantaro Corrêa, o superintendente da Polícia Federal em Santa Catarina, Luiz Ademar Paes; o secretário de Turismo, Gilmar Knaesel; e o presidente da Federação Catarinense de Municípios (Fecam), Ronério Heiderscheidt (PMDB).
Lote 25 sem obra neste ano
Desde dezembro do ano passado, as obras no trecho compreendido entre os municípios de Imbituba e Capivari de Baixo, no lote 25, estão paradas. Dificuldades financeiras obrigaram o Consórcio Blokos/Araguaia/Emparsanco a paralisar os trabalhos. No local, apenas um terço das pistas está duplicado. Segundo a assessoria de imprensa do DNIT, a empresa tem até o fim do mês para retomar o serviço. Fonte: Diário Catarinense