Florianópolis, 23.3.09 – Depois dos recordes consecutivos, Santa Catarina tem um primeiro indicativo do que pode ser um trânsito menos sangrento. Se o número de mortos ainda não é menor nas estradas no comparativo dos verões, pelo menos houve a estagnação das estatísticas. De 22 de dezembro de 2008 até a manhã da última sexta-feira, período do verão, 191 pessoas perderam a vida, 67 em rodovias estaduais e outras 124 nas estradas federais do Estado. São duas mortes a mais do que na temporada passada, quando as estaduais registram 64 e as federais computaram 125 perdas humanas.
O incremento no fluxo de veículos circulando nas rodovias catarinenses não impactou diretamente na quantidade de mortes. Apesar de o balanço do trânsito no Estado não ser ideal, o quadro das mortes não aumentou no nível dos percentuais anteriores.
O inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Vilmar Bossei, avalia que os dados são positivos, já que as rodovias federais de Santa Catarina apresentavam um incremento médio de 5% na mortes no comparativos das temporadas. Aliado a não-continuidade da tendência de aumento das mortes, vem outro ponto que poderia ter gerado mais acidentes fatais – para o inspetor, houve aumento no fluxo de veículos em 30% em relação ao verão passado.
O verão é o pico de movimento nas rodovias catarinenses. A estimativa é de que o fluxo de 20 mil veículos por dia na parte Sul da BR-101 e de 30 mil na Norte aumente em 40%, em média, durante a estação. Nas proximidades de datas especiais, como virada de ano e Carnaval, o percentual sobe em 50%, e nos horários de pico, em 100%. Em geral, nas rodovias estaduais, o fluxo subiu em 8%, segundo o capitão da Polícia Militar Rodoviária (PMRv), Fábio José Martins.
Mais dias de sol, o Carnaval na segunda metade de fevereiro, a frequência maior de estrangeiros em função da cotação do dólar e as vendas de carros aquecidas embasam o os percentuais de aumento do fluxo. Também foi negativa a destruição das rodovias estaduais (quedas de acostamento, deslizamentos, perda de sinalização) devido à chuva de novembro. Conforme Martins, a maioria dos turistas paulistas, cariocas, mineiros, paranaenses e gaúchos que veio em massa ao Litoral do Estado, se deslocou de carro.
– Com tantos fatores ruins, estávamos preparados para um aumento grande no número de mortos. Assim, podemos considerar a temporada bastante positiva.
Já o coordenador do Fórum Catarinense pela Preservação da Vida no Trânsito, Edemar Martins, acredita que a tragédia de enxurradas e deslizamentos em novembro, com repercussão nacional, diminuiu o número de turistas e, consequentemente, o fluxo de veículos na temporada. Mesmo assim, Martins destaca que o trânsito ainda é violento no Estado.
– O número de acidentes precisa cair em Santa Catarina.
Fonte: Diário Catarinense
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