As vendas das indústrias catarinenses caíram em janeiro 8,04% em relação a dezembro e 6,46% na comparação com janeiro de 2008. Os dados são de uma pesquisa realizada pela Federação das Indústrias (Fiesc) com 200 médias e grandes indústrias.
Doze dos 16 segmentos ouvidos registraram queda em relação a janeiro do ano passado, principalmente os fabricantes de produtos metálicos (-37,12%), metalurgia básica (-28,39%) e celulose, papel e produtos de papel (-16,06).
Os setores que cresceram foram: de material eletrônico e equipamento de comunicação (9,93%), confecções e artigos do vestuário (6,89%) e alimentos e bebidas (1,23%).
O segmento de máquinas, aparelhos e materiais elétricos registrou uma alta excepcional de 79,3%, em função de uma grande empresa que, em 2008, deixou de emitir grande parte das notas fiscais em janeiro por mudanças em seu sistema informatizado, distorcendo a estatística geral.
Para o diretor de relações industriais e institucionais da Fiesc, Henry Quaresma, as quedas nas vendas e nas horas trabalhadas são reflexo da conjuntura econômica, que obrigou grandes empresas catarinenses a realizar ajustes na produção, principalmente em dezembro e janeiro.
Férias coletivas reduzem as horas trabalhadas
– Os números mostram a adaptação da indústria à mudança no cenário econômico, com adoção de medidas como férias coletivas, que reduzem as horas trabalhadas. Embora a redução seja observada na maior parte dos setores, em alguns segmentos, como os ligados à cadeia automotiva, ela é mais forte – diz.
De acordo com ele, os dados dos próximos meses permitirão aprimorar a análise dos impactos da crise.
– Uma sinalização quando à possibilidade de reversão do cenário, mesmo que não em igual medida para todos os setores, é a recente pesquisa da Fiesc, que mostra a expectativa, por parte dos industriais, de melhoria do cenário no segundo semestre.
Também comparando o resultado de janeiro de 2009 com 2008, as horas trabalhadas na produção caíram 8,42%. Já a utilização da capacidade instalada, que estava em 83,43% em janeiro de 2008, retraiu para 78,62% no primeiro mês deste ano.
CNI prevê PIB zero este ano
A indústria brasileira deve fechar o ano com redução das atividades, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas, pode ficar em torno de zero. As projeções são da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Segundo o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, a entidade revisará para baixo as estimativas para o desempenho da indústria e do PIB. Os novos números serão apresentados até o final do mês.
De acordo com ele, o agravamento da crise econômica internacional tornou ultrapassadas as previsões apresentadas em dezembro. Na ocasião, a CNI tinha projetado crescimento entre 1,8% e 2,4% para o PIB e de 1,8% para a indústria.
– O PIB certamente será revisado para baixo e deverá fechar 2009 próximo de zero, o que pode ser considerado um cenário otimista, se levarmos em conta o agravamento da crise mundial e o desempenho do PIB nos dois últimos trimestres.
Faturamento em janeiro é o pior já registrado no país
Em relação à indústria, ele disse que o setor deverá encerrar o ano com resultado negativo. De acordo com os indicadores divulgados ontem pela confederação, o faturamento real da indústria, já descontada a inflação, caiu 13,4% em janeiro em relação ao mesmo mês do ano passado.
Essa foi a maior queda registrada desde o início da série história da entidade, em 2003. Somente na comparação com dezembro, a retração foi de 4,3%, já excluída as oscilações típicas de início do ano no setor.
O uso da capacidade instalada caiu para 78,4% em janeiro, retornando aos níveis de novembro de 2003. Somente em relação a dezembro, a queda foi de um ponto percentual. Em janeiro do ano passado, o indicador estava em 81,5%. Fonte: Diário Catarinense