São Paulo, 5.3.09 – Para a indústria automobilística, não basta o governo prorrogar o IPI reduzido. A direção da Ford propõe agora uma redução na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). A medida ajudaria, na visão da empresa, a dar fôlego às vendas de caminhões, sobre as quais o efeito do IPI reduzido não surtiu um efeito tão positivo como nos automóveis.
A TJLP é uma taxa usada no Finame, linha de financiamento do BNDES que sustenta a maior parte das vendas de caminhões no país. Mas não é apenas isso que leva o setor a defender redução na taxa. O BNDES também utiliza a TJLP no financiamento das exportações, outro foco de interesse da indústria automobilística, que vem reduzindo as vendas para outros países.
“Não se fala em taxa de longo prazo quando se olha o cenário da inflação”, afirma o diretor de assuntos institucionais da Ford, Rogelio Golfarb. O executivo lembra que a TJLP pouco tem sido alterada, apesar de todas as mudanças nos demais índices da economia. Ele cita como exemplo o percentual da taxa de dois anos atrás. A TJLP estava em 6,5% em janeiro de 2007 e agora está em 6,25%.
Golfarb aponta ainda a agricultura e bens de capital como setores que seriam beneficiados com uma taxa de longo prazo mais baixa. “Uma medida assim teria o efeito de promover uma aceleração na atividade econômica”, destaca.
No primeiro bimestre, as vendas de automóveis e comerciais leves recuaram 3,88%. Mas a queda do mercado de caminhões foi muito maior: houve uma retração de 20,71%.
As vendas de automóveis continuam embaladas pela redução do IPI. A princípio, o governo marcou para 31 de março o fim da vigência do benefício, em vigor desde meados de dezembro.
A indústria torce pela prorrogação. “Toda redução de impostos é bem-vinda”, disse ontem o vice-presidente da General Motors, José Carlos Pinheiro Neto, por meio de porta-voz.
Golfarb, da Ford, diz que a empresa tem feito o seu orçamento sem contar com a prorrogação do incentivo fiscal. “Não podemos correr o risco”, afirma. Segundo ele, não apenas o imposto reduzido como também a onda de descontos nas concessionárias e a volta da disponibilidade do crédito fizeram os volumes de vendas de carros subirem nos últimos meses. A venda de veículos em novembro, no auge da crise, foi de 177,8 mil unidades. Com a redução do IPI, o volume subiu para 194,5 mil unidades em janeiro e 197,5 mil em fevereiro.
No mercado, a expectativa de os preços não subirem no final do mês levou muita gente a procurar as concessionárias para tentar obter informações. Todas as marcas estão promovendo campanhas em torno do fim do IPI para atrair o consumidor.
O carro com motor 1.0, o mais beneficiado porque teve o IPI zerado, custa hoje 7% menos do que no início de dezembro, o que dá um desconto entre R$ 2 mil e R$ 3 mil. Nos automóveis com motores 1.6 a 2.0, o efeito da redução do imposto foi de 4% a 5%, o que acaba representando também abatimentos em torno de R$ 3 mil. Embora não tenham sido incluídos no benefício, os veículos com motor acima de 2.0 estão sendo vendidos com descontos dados pelos fabricantes. Fonte: Valor Econômico
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