O melhor caminho para o crédito. Cooperativas de crédito são uma opção com custo menor

O melhor caminho para o crédito. Cooperativas de crédito são uma opção com custo menor

Florianópolis, 16.2.09 – Crise financeira. O termo, bastante popular nos últimos meses, vem se tornando a pedra no sapato de uma categoria que já enfrenta, naturalmente, dificuldades em captar crédito: os micro e pequenos empresários. Apesar de os bancos liberarem menos dinheiro e exigirem mais garantias, especialistas afirmam que não é preciso se desesperar. Existem alternativas mais fáceis e baratas. Eles alertam, porém, que é preciso avaliar a real necessidade de financiamento.
Em tempos de cautela, o consultor para crédito do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de SC (Sebrae/SC), Osni Vieira Branco, esclarece que as instituições financeiras, com medo do aumento da inadimplência, vêm mantendo o patamar de juros nas linhas de crédito. Ou seja, nada de “promoções” ou taxas mais atrativas, comuns até o fim do primeiro semestre do ano passado.
– Exceto as linhas do BNDES ou do FAT, cujos juros ficam entre 1% e 1,5% ao mês, as taxas não estão muito propícias ao empréstimo.
E se o momento não é o melhor, a dica é avaliar se é necessário mesmo pegar dinheiro emprestado.
– Analise seus estoques e veja se tem despesas que você pode reduzir antes de recorrer ao financiamento – orienta Branco, lembrando que se houver a necessidade de obter crédito, o primeiro procedimento a ser adotado é colocar as contas em dia.
Ele observa que cheques devolvidos, por exemplo, dificultam na hora da negociação com o banco.

Contratos exigem muita atenção

Mas se todas as exigências forem cumpridas, o cuidado começa a ser outro: o contrato. O advogado especialista em direito bancário Luciano Duarte Peres revela que muitos documentos “oficializam” uma acumulação de juros remuneratórios com moratórios e comissão de permanência, o que é ilegal.
– Isso torna a dívida muito mais alta. É preciso ficar atento e ler o contrato com muita atenção – diz.
Diante de armadilhas como essa, o presidente da Associação das Organizações de Microcrédito de SC e diretor-superintendente do Banco do Empreendedor, Luiz Carlos Floriani, orienta que nem sempre o financiamento é a solução.
– Há a tendência das pessoas acharem que pegar dinheiro emprestado para garantir a sobrevivência da empresa é a solução e isso é preocupante. É nesse momento que muitos “desaparecem” – enfatiza Floriani.

De 2003 a 2008, Santa Catarina foi o Estado que mais abriu cooperativas de crédito no país, passando de 91 para 129, revela a Organização das Cooperativas Brasileiras
(OCB). Além da burocracia reduzida, o motivo da expansão, segundo o técnico da gerência de mercado da OCB Sílvio Giusti, são os valores menores, tanto para manutenção de
conta quanto para financiamentos, e os prazos de pagamento mais longos.
– A taxa de juros em um banco comercial para descontos recebíveis é, em média, de 3,98% ao mês, enquanto que nas cooperativas é de 2,15%. Se você capitalizar isso em
um ano, dá muita diferença. Outro exemplo citado por Giusti é o cheque especial. Nos bancos comerciais, os juros
chegam a 7,91% ao mês. Já nas cooperativas, eles giram em torno de 6,5% ao mês. E como nas cooperativas os próprios associados são os “donos” do banco, o risco de inadimplência diminui, possibilitando taxas mais atrativas. Nos bancos comerciais, a falta de pagamento chega a 5%.
– Às vezes, nas cooperativas, essa inadimplência
não chega a 1%. O associativismo permite que você conheça melhor os clientes e isso ajuda – destaca o gerente comercial do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) de Santa Catarina, Luiz Pizzolo, salientando que 80% da carteira é formada por empréstimos entre R$ 8 mil e R$ 12 mil. Fonte: Diário Catarinense

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