Crise inibe a renovação de frota e vendas de caminhões caem 24,4%

Crise inibe a renovação de frota e vendas de caminhões caem 24,4%

São Paulo, 5.2.09 – As vendas de veículos comerciais ficaram abaixo das expectativas e fecharam janeiro com fraco desempenho. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), em janeiro foram emplacados no País 6.389 caminhões, volume 24,45% menor que dezembro de 2008, 8.457 unidades.
Para Sérgio Reze, presidente da Fenabrave, o entrave no segmento de caminhões se deve ao frete e à própria crise, que inibem os investimentos para a troca da frota. Na comparação com janeiro do ano passado, quando foram vendidas 8.043 unidades, a retração foi de: 20,56%.
O mercado de ônibus reduziu os negócios em 35,33% , a maior queda do setor no primeiro mês do ano janeiro. Foram vendidas 1.406 unidades no mês passado, ante 2.174 unidades em dezembro de 2008. Já em relação a janeiro de 2008, o decréscimo foi de 9,70%, segundo a Fenabrave.
O segmento de implementos rodoviários registrou uma retração de 24,17%, diminuindo os volumes de vendas de 3.091 unidades para 2.344. No comparativo a janeiro de 2008 a queda nas vendas foi de 24,70%.
No mercado de motocicletas de motos a queda nas vendas foi de 13,47%. O volume de modelos emplacados caiu de 143.376 unidades para 124.067. Segundo o presidente da Fenabrave, a retração do setor foi motivada pela análise mais criteriosa das financeiras na ficha cadastral dos clientes, o que tem limitado o volume de financiamentos.

Estimulo do IPI e IOF

Com o estímulo da redução da alíquota de Imposto sobre a Produção Industrial (IPI) e Impostos sobre Operações Financeiras (IOF), além da liberação de crédito pelo Banco do Brasil e a Nossa Caixa, o mercado de automóveis reagiu no primeiro mês do ano e fechou com crescimento de 5,11% e a venda total de 158.255 unidades ante 150.568 unidades de dezembro. Entretanto, outros segmentos da indústria automotiva continuam apresentando os impactos da crise financeira global, como as vendas de caminhões e ônibus, que caíram 24,45% e 35,33%, respectivamente.
“Os dados de vendas de automóveis mostram o resultado das promoções e redução do IPI e por outro (a queda nos negócios de caminhões e ônibus) indica os reflexos da crise financeira mundial e as incertezas na economia”, avalia Andrew Storfer, diretor de economia, banking e finanças da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).
O diretor da Anefac enfatiza que a questão do crédito continua sendo primordial na indústria automotiva, uma vez que são raras as compras efetuadas sem a utilização do mesmo.
As vendas de veículos, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros meios de transporte, recuaram 5,2% em janeiro, passando de 345.447 unidades para 327.500 unidades no período. Para o presidente da Fenabrave, mesmo com as turbulências no mercado, o mês de janeiro foi considerado o segundo melhor resultado entre todos.

Cenário externo

“Ainda existem muitas incertezas no cenário externo e para os próximos meses a situação também será turbulenta no setor. Por isso é bem provável que o governo brasileiro estenda a medida de redução do IPI por mais algum tempo, até que os dados melhorem. Não acredito que eles devam interromper esta medida em março”, diz Andrew Storfer.
Storfer afirma ainda que na prática o crédito não voltou ao seu volume normal, mesmo com as medidas do governo. “Outro ponto é que as exigências para concessão de crédito ainda estão muito fortes”. Fonte: Gazeta Mercantil

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