Lages, 20.10.06 – Custou, mas finalmente a Serra Catarinense pode comemorar a retomada de sua maior obra de infra-estrutura: a pavimentação asfáltica da BR-282. Após cinco anos de inúmeros empecilhos, a verba foi liberada ontem, e as máquinas e funcionários da ARG, construtora responsável, devem voltar à rodovia já na próxima semana.
No dia 10, a Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional aprovou o acordo entre o Tribunal de Contas da União (TCU), o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes e a ARG, pelo qual a empresa deverá devolver em obras a quantia de R$ 12 milhões, de um total de R$ 144 milhões.
Para o reinÃcio dos trabalhos, bastava apenas o empenho do dinheiro disponÃvel no Orçamento de 2006, R$ 48 milhões ao todo, junto ao Ministério do Planejamento. Foi liberado na quarta-feira.
Imediatamente foi ordenada a execução das obras. Uma reunião foi marcada à s pressas para a manhã de ontem, na Associação Comercial e Industrial de Lages (Acil), para anunciar a tão esperada notÃcia.
Dois dos três lotes faltantes serão atendidos: de São José do Cerrito a Vargem e de Vargem à BR-470, em Campos Novos. O trecho de São Miguel do Oeste a ParaÃso ficará provavelmente para o próximo ano. Todos são de responsabilidade da ARG.
Os 32 quilômetros de Lages a São José do Cerrito foram pavimentados pelo 10º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército, faltando apenas trabalhos de acabamento.
As obras haviam sido suspensas em 2001 pelo TCU por suspeita de superfaturamento por parte da ARG. Agora, a ordem é que a empresa as retome imediatamente.
Segundo o diretor nacional do Dnit, duas foram as determinações: a primeira, arrumar a estrada e deixá-la em condições de tráfego, conforto e segurança; a segunda, fazer a pavimentação.
A terraplanagem entre São José do Cerrito e Vargem está pela metade, e de Vargem à BR-470 está quase pronta.
Como a ARG é do estado de Minas Gerais, terá até o fim dessa semana para trazer suas máquinas e funcionários. E já na segunda ou terça-feira deve recomeçar a obra.
São José do Cerrito sem pavimentação
A importância da BR-282 para o paÃs e o Estado é indiscutÃvel, afinal por ela será possÃvel economizar em 10 a 15 dias os fretes de produtos brasileiros ao Chile. Mas é vital principalmente para a região serrana e os municÃpios cortados pela rodovia.
Um deles é São José do Cerrito, sÃmbolo dos problemas gerados pela ausência do asfalto. O prefeito Ruy de Amorin Ortiz (PMDB) lembra que em 1989 a população local era de aproximadamente 17 mil habitantes. Hoje, não chega a 11 mil. Com exceção das madeireiras, o municÃpio não conta com nenhuma grande empresa ou indústria.
Os anos de incertezas e decepções levaram muita gente a ir embora, frente ao desemprego e a falta de perspectivas.
Com a pavimentação até Lages, a situação melhorou. E com a iminência de o asfalto ir até a BR-470 em poucos meses, São José do Cerrito pode voltar ao futuro.
?É bastante complicado. Um ônibus da prefeitura viaja todos os dias cerca de 100 quilômetros entre ida e volta pela rodovia para levar alunos para a escola e entregá-los em casa. São quase sete horas por dia só de estrada ruim?.
Segundo o prefeito, algumas empresas já negociam a possÃvel instalação no municÃpio, e muitas pessoas que foram embora agora retornam, numa média de duas a três famÃlias por semana.
Ontem, 19 de outubro, foi possÃvel constatar essa realidade. Um caminhão de mudança, uma senhora comentando que o genro, hoje em Curitiba (PR), voltará quando o asfalto estiver pronto, e o semblante satisfeito e esperanço de um povo que por muitos anos ouviu promessas e desculpas, mas nunca desistiu e usou seus braços para crescer.
Diário Catarinense