Sonho da duplicação anima o Sul

Sonho da duplicação anima o Sul

Florianópolis, 17.1.05 – A duplicação da BR-101Sul, cujas obras estão iniciando em Paulo Lopes e no acesso a Criciúma, desperta uma expectativa otimista na cadeia produtiva do Sul de Santa Catarina. Além do benefício imediato, como a geração de empregos e o aquecimento de diversos setores da economia, os empresários já projetam redução de custos e sinalizam com investimentos.
A BR-101 duplicada vai representar segurança e velocidade ao escoamento da produção industrial e agrícola de Santa Catarina e RS. Além da redução dos acidentes, as lideranças consideram a otimização da logística de transporte como a maior das vantaagens.
Segundo cálculos preliminares da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), a rodovia duplicada deve aumentar em 60% a 70% a arrecadação de impostos nos 11 municípios da Região Carbonífera (estimada em R$ 260 milhões/ano).
O presidente da Acic, Edilando de Moraes, afirmou que cerca de 70% dos recursos destinados à obra – R$ 500 milhões até agora – devem permanecer nos municípios na forma de salários de operários, hospedagens, compra e aluguel de máquinas e outras necessidades das construtoras.
– A mão-de-obra empregada nas obras será da região – comentou Moraes.
Preocupado com as complicações do trânsito durante a execução das obras, o diretor-presidente do grupo Cecrisa, Rogério Sampaio, destacou que a rodovia duplicada vai reduzir os custos do transporte da produção cerâmica. Aproximadamente 40% do faturamento da Cecrisa sai das exportações.
Desse total, 90% da produção chega aos portos de Itajaí e São Francisco do Sul pela BR-101. Em média, são 70 a 100 carretas carregadas rodando na rodovia todos os dias.
-As obras têm que ser bem conduzidas para não tornar o tráfego inviável – disse.
Para o diretor Comercial da Eliane Revestimentos Cerâmicos, Antônio Carlos Loução, a rodovia vai a médio prazo facilitar e desonerar a logística de transporte das indústrias que dependem do corredor rodoviário.
– O importante é que a obra vai impulsionar o desenvolvimento do país e do Mercosul – salientou Loução.

Por dentro da obra
Custo
R$ 1,5 bilhão
Investimento em 2005
R$ 355 milhões (mais R$ 145 milhões de 2004)
Fonte dos recursos
Governo federal e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)
Empresas
São 21 empresas ou consórcios selecionados por licitação
Tamanho
Em Santa Catarina são 249 quilômetros de Palhoça a Passo de Torres. De Palhoça a Osório (RS) são 348 quilômetros
Obras
Em Santa Catarina as obras de duplicação são divididas em nove lotes, mais cinco obras de arte (pontes e viadutos). Para cada um dos lotes será construído um parque de obras às margens da rodovia
Operários
Cada parque de obras deverá ter em média de 200 a 300 funcionários. No total, serão cerca de três a quatro mil funcionários contratados
Conclusão
A previsão inicial é de que as obras de duplicação da BR-101 Sul devam estar concluídas em aproximadamente quatro anos
Os benefícios
Contribui com a diminuição do desemprego, durante as obras, na contratação de mão-de-obra local
Injeta cerca de 70% dos R$ 500 milhões destinados à obra para 2004 e 2005 na economia dos municípios
Garante agilidade no escoamento da produção industrial e agrícola e diminui custos da logística de transporte
Atrai novas empresas e investimentos para a região
Aumenta a geração de impostos federais, estaduais e municipais
Reduz gastos do SUS com o tratamento de feridos em acidentes
Contribui com o aumento do turismo de lazer e de negócios no Estado
Favorece o surgimento de grandes empreendimentos ao longo da rodovia
“Toda a economia da região será beneficiada com a melhoria do sistema de transporte” Eward de Almeida, presidente do Sindicato Comércio de Araranguá
“As obras vão beneficiar quem está próximo dos canteiros e mexer com toda economia, na geração de empregos ” Guido Búrigo, vice-presidente da Fiesc na Região Sul do Estado
“Já existem solicitações de informações sobre aluguel de caminhões, depósitos e aterros” Elias Ribeiro, pelos empresários de Sombrio
“Os empresários estão mais encorajados a investir, pois sabem que vão entregar o produto com segurança” Jaime Zanatta, presidente do Sindicato das Empresas de Plástico
“A duplicação, associada a outras obras necessárias, trará desenvolvimento para a região” Eduardo Tavares, vice-presidente da Acit
“A indústria carbonífera utiliza mais a ferrovia, mas será beneficiada, pois parcela da produção escoa pela BR” Fernando Zancan, presidente do Sindicato das Indústrias de Extração de Carvão

Família projeta megainvestimento

Um dos primeiros e maiores projetos a serem executados na BR-101 duplicada, no Sul do Estado, pertence à família Becker, de Araranguá. Proprietários de um hotel e um restaurante na entrada do município, eles pretendem investir alto na instalação de paradouros às margens da rodovia, marcando presença nos dois lados do novo traçado da estrada.
Elvis Becker, um dos administradores do hotel, exemplificou citando um empreendimento existente em Registro, interior de São Paulo, para dar uma idéia da obra que a família pretende construir. O projeto deve ter restaurante, bar, lojas de conveniência e posto de combustível.
– Poderemos fazer convênios com empresas de ônibus para tornar o paradouro uma referência na região – comentou Becker.

Empreendimento deve consumir R$ 15 milhões

De olho no aumento de turistas e negócios após a duplicação, a família Becker já recebeu o sinal positivo de bancos de fomento interessados em financiar o mega projeto. O valor do investimento ainda não está definido, mas pode chegar perto dos R$ 15 milhões.
Há 36 anos no mercado, os sócios – pai, mãe e três filhos – já estão fazendo pesquisas com clientes para obter sugestões sobre o empreendimento. A família Becker foi uma das defensoras da alteração do traçado da BR-101, que vai passar longe do perímetro urbano e expandir o desenvolvimento do município.
– A duplicação da BR-101 vai desenvolver muito mais a cidade e atrair novos investimentos – afirmou Becker.?

Restaurante vai servir operários

Um restaurante localizado na BR-101, em Içara, garantiu novos clientes para breve. O proprietário Wilson Blissari foi procurado por uma construtora que vai instalar escritório a poucos metros do restaurante. Dependendo da nova clientela, Blissari terá que contratar mais funcionários.

Visibilidade garante 2 mil clientes

– Tenho vários projetos de ampliação – diz Airton de Souza, que trocou uma empresa de transportes por um parque de lazer aberto há dois meses, pensando na visibilidade proporcionada pela rodovia. O Parques das Águas, em Sombrio, reúne até duas mil pessoas nos finais de semana.

Terreno valorizado

João Luiz Germann e seu irmão gêmeo Miguel Germann, 35 anos, iam abrir uma empresa de reformas de carretas às margens da BR em Sombrio. Mas antes de se decidirem pelo melhor local, pensaram na valorização do terreno após a duplicação. Quando as obras começarem, os gêmeos esperam poder aumentar a clientela.

Máquinas na espera

A empresa de Orlando Pelegrin, em Sangão, oferece modelos de máquinas pesadas próprias para construção de rodovias. Pelegrin acha que não será procurado pelas construtoras responsáveis pela duplicação, mas sonha em crescer.
– Alguém pode comprar a minha máquina e alugar para a construtora – imagina.

Ambulante quer lucro

O vendedor ambulante Luiz Henrique Borba, 44 anos, está ansioso pelo início das obras. Ele vende sucos naturais há sete anos na BR-101, em Tubarão, e recebe cerca de R$ 15 pelas 80 garrafas vendidas diariamente aos motoristas.
– Quero ficar perto dos trabalhadores e dobrar as vendas – salienta Borba.
Fonte: Diário Catarinense

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