Análise dos pontos críticos das rodovias: deficiências de infra-estrutura também são causa de acidentes

Análise dos pontos críticos das rodovias: deficiências de infra-estrutura também são causa de acidentes

Florianópolis, 25.8.08 ? Na apresentação da Análise dos Pontos Críticos das Rodovias Federais e Estaduais de Santa Catarina, hoje pela manhã, pela Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc), foram mostradas as principais deficiências nas estradas catarinenses e que podem contribuir para até 50% dos acidentes, nas áreas urbanas. O trabalho é uma parceria da Fetrancesc com a Universidade Federal de Santa Catarina. O presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, destacou que esse estudo aponta que há problemas nas estradas e que esses contribuem para a insegurança dos usuários. Para ele, essa pesquisa deve servir para orientar e tomar as medidas que são necessárias para tornar o trânsito melhor e mais seguro. Lopes explicou que é importante que as autoridades de trânsito levem em conta nas próximas ações nas rodovias, os resultados para reduzir acidentes. O estudo foi realizado pelos pesquisadores Lílian Diesel, doutoranda em Engenharia Civil e Gilberto Durigon Freitas, mestrando em Engenharia Civil, que avaliaram a extensão das oito rodovias federais e as 95 rodovias estaduais, levando em conta o número de acidentes, vítimas fatais e feridos graves.
Prticiparam da apresentação representantes do DNIT, da PRF, do Deinfra, da concessionária de pedágios na BR-116 e BR-116, empresários do transporte, representantes de entidades sindicais, de universidades e da comunidade, além da imprensa.
As deficiências mais graves estão nos trechos de estradas mais urbanos. Um exemplo mostrado, no trecho entre os quilômetros 203 e 211 da BR-101, na Grande Florianópolis, apresenta elevado numero de acidentes. Outro trecho igualmente com números alto de ocorrências estão na BR-470, nos quilômetros 53 e 55, na região de Blumenau. No quilômetro 208 da BR-101, foram registrados 182 acidentes. Nesse trecho, que fica em área urbana e apresenta curvas, retas, rampas e cruzamentos, a pesquisa constatou que as principais ocorrências foram colisão traseira e lateral, capotamento, tombamento, saída da pista e atropelamento de pedestre. E os problemas mais comuns são não manter a distância de segurança, infra-estrutura deficiente, pavimento, volume médio de veículo (VMD) elevado, sinalização ineficiente e desrespeito a sinalização. Em todos os trechos analisados, levando em conta o número de acidentes, vítimas fatais e feridos graves, se repetem as causas e as situações., garante Diesel.
Em cada um desses quilômetros foi analisado a geometria, curvas e retas, sinalização, ocupação de solo, infra-estrutura para pedestres e para os moradores. Lílian Diesel destaca que os maiores problemas estão nas áreas urbanas por falta de uma infra-estrutura para atender aos moradores que usam o via para se locomover. E por isso, nessas regiões, os atropelamentos são em maior número, seguidos de colisões traseiras.
Normalmente isso ocorre, segundo a pesquisa, porque não há vias alternativas, como as marginais para motoristas que moram na região e nem acesso aos pedestres que usam a estrada para o descolamento diário. Além disso, faltam passagens de pedestres com isolamentos de pistas, para que as pessoas não possam atravessar a rodovia em qualquer lugar. Em muitos casos, não existe, com reforço, fiscalização mais efetiva para coibir os abusos. Nessas regiões, as comunidade que vive no entorno da rodovia não tem opções e, muitas vezes nem conhece, a dinâmica do trânsito, o que contribui para a insegurança de todos.
Em Santa Catarina apenas alguns trechos existem vias marginais ou alternativas. A pesquisa também apontou que são muitas deficiências nas áreas indústrias, fala de acesso aos pedestres e de saída e chegada dos motoristas, colocando em risco a todos os usuários. Nas rodovias em zonas rurais, apresentam o problema de curvas acentuadas, falta de sinalização, uso inadequado do solo ou sem boa sustentação para construir a rodovia, o que pode facilitar os deslizamentos e problemas de pistas. Além disso, a população em muitos trechos não foi orientada a usar a estrada. São fatores que fazem a diferença para a segurança de usuários, pedestres e moradores.

VEJA ALGUNS TRECHOS E OS PRINCIPAIS PROBLEMAS

BR -101 – KM 205 = 153 acidentes
Uso do Solo: Urbano
Traçado: Cruzamento, Reta e Curva
Perfil: Em nível
Condições da Pista: Bom
Tipos de acidentes: Colisão Traseira e Lateral, Capotamento, Tombamento, Saída da Pista e Atropelamento de Pedestre.
Causas: Distância de segurança, Infra-estrutura, Pavimento, elevado, Desrespeito a sinalização e sinalização ineficiente.

Km 207 = 132 acidentes
Uso do Solo: Urbano
Traçado: Curva
Perfil: Rampa
Condições da Pista: Bom
Tipos de acidentes: Colisão Traseira e Lateral, Capotamento, Tombamento, Saída da Pista e Atropelamento de Pedestre.
Causas: Distância de segurança, Infra-estrutura, Pavimento, VMD elevado, Desrespeito a sinalização e sinalização ineficiente.
Terceira Faixa

BR-116 – KM 305
Uso do Solo:Rural
Localidade: Não edificada
Traçado: Reta e Curva
Perfil: Rampa
Condições da Pista: Ruim
Tipos de acidentes: Colisão lateral, traseira, com objeto fixo e capotamento.
Causas: Pavimento, Geometria, Desrespeito a sinalização e sinalização ineficiente.

BR-470 – KM 56
Uso do Solo:Urbano
Localidade: Comercial e Industrial
Traçado: Reta, Curva e Cruzamento
Perfil: Em nível e Rampa
Condições da Pista: Bom
Tipos de acidentes: Atropelamento de pedestre, capotamento, Saída da pista, tombamento, colisão frontal, lateral, transversal, traseira, objeto fixo, derramamento de carga, queda de bicicleta, moto.
Causas: Distância de segurança, Infra-estrutura, Pavimento, Excesso de velocidade, VMD elevado, Desrespeito a sinalização e sinalização ineficiente.
Travessia Urbana de Blumenau

SC-401 ? KM 16
Uso do Solo: Urbana
Localidade: Comercial, Residencial e Industrial
Traçado: Curva e Tangente
Tipos de acidentes: atropelamento de pedestre e animais, saída da pista, choque, colisão, engavetamento, tombamento, e abalroamento longitudinal.
Causas: Área lindeira, excesso de velocidade, distância de segurança, geometria e sinalização
Área Urbana de Florianópolis

SC ? 405 ? Km 0
Total acidentes 80
Gravidade feridos 0,20
Uso do Solo: Urbana
Localidade: Comercial e Residencial.
Traçado: Curva, Ponte e Tangente.
Tipos de acidentes: atropelamento pedestre e animais, saída da pista, choque, capotamento, tombamento, abalroamento longitudinal mesmo sentido, sentido oposto e frontal, colisão.
Causas: área lindeira, infra-estrutura, excesso de velocidade, distância de segurança, sinalização ineficiente e desrespeito a sinalização.
Área urbana de Florianópolis

Fotos: juraci perboni
Legenda das fotos pesquisadroa Lilian Diesel apresenta resultado da pesquisa.
Público acompanha o resultado
Fonte: juraci perboi/Imprensa Fetrancesc

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