BR duplicada tem mais acidentes

BR duplicada tem mais acidentes

Florianópolis, 12.02.04 – Apesar de duplicado e de possibilitar uma viagem menos tensa, o trecho Norte da BR-101 precisa ser repensado pelo motorista porque uma pesquisa da Polícia Rodoviária Federal mostra que a parte com pista dupla da rodovia registra quase 60% mais acidentes que o trecho de pista simples.

Em uma comparação dos números do ano passado de cada trecho, a PRF apurou que a parte duplicada também provoca mais ferimentos que a sem duplicação, entre Palhoça, na Grande Florianópolis, e Passo de Torres, na divisa com o Rio Grande do Sul. Foram 1.754 pessoas feridas no Norte, número superior aos 1.249 feridos no Sul.

Para a superintendência da corporação, o excesso de velocidade tem sido a principal causa dos acidentes no trecho. Por causa do problema, os acidentes mais comuns são colisões traseiras e saídas de pista (na parte Sul os mais comuns são choques frontais por ultrapassagem indevida).

Número de feridos também é maior

O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) endossa as informações da PRF. Em um balanço divulgado mês passado, o órgão informou que o excesso de velocidade em rodovias representa o maior motivo das multas em Santa Catarina.

No ano passado, quase 250 mil motoristas foram multados por dirigirem em velocidade entre 20% e 50% acima do limite permitido, mostra a aferição. As multas foram aplicadas em rodovias federais e estaduais, entre as quais está o trecho Norte da 101.

Em viagem pelo trecho Norte, o Diário Catarinense identificou motoristas dirigindo perto de 130 quilômetros por hora no trecho entre Tijucas e Balneário Camboriú, no Litoral Norte. “Não posso falar, preciso chegar logo a Jaguaruna (no Sul)”, disse um motorista demonstrando pressa. “Vou precisar correr um pouco, senão vou chegar atrasado.”

Embora apresente maior número de acidentes e de feridos, a parte Norte da 101 registra menos mortes. O fato se dá, segundo os patrulheiros, devido ao tipo de acidente.

No trecho Sul, as colisões frontais, mais comuns, quase sempre terminam com mortes. Na pista ao Norte, os acidentes são saídas de pista, capotamentos ou colisões laterais, que quase sempre terminam em danos materiais ou feridos graves, mas não comumente em mortes.

O que dizem
“Vejo que as pessoas correm, nos finais de semana é pior. No Sul, com estrada ruim, eles pisam fundo. Se os motoristas se cuidassem, não haveria tantos acidentes.”
José Andrade, 50 anos, caminhoneiro
“Acho que as pessoas andam normal, não correm muito, nem andam devagar demais. É uma estrada boa, duplicada, por isso dá para andar bem. No Sul não dá.”
Elsdor Bergmann, 47 anos, caminhoneiro
“Eu percebo quer as pessoas correm demais. Vejo muitos motoristas dirigindo a mais de 130 (quilômetros) por hora. É um perigo, porque o piso da estrada é muito irregular e oferece riscos.”
Edson Fantini, 43 anos, motorista

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