São Paulo, 29.10.07 – O setor de concessão de rodovias no PaÃs movimentou R$ 5,6 bilhões no ano passado, valor 80% superior ao de 2002, ano em que as receitas somaram R$ 3,090 bilhões. O crescimento de receita foi quatro vezes maior do que o aumento do tráfego. No mesmo perÃodo, o movimento de veÃculos nestas estradas cresceu 18%, somando 657 milhões de veÃculos, apenas 100 milhões acima de 2002. No ano passado, duas das maiores empresas do setor tiveram receita de R$ 2,6 bilhões, com lucro lÃquido de R$ 646 milhões.
Os dados do setor constam das estatÃsticas da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR). As informações mostram que mais da metade do tráfego do setor é no Estado de São Paulo: 348,9 milhões de veÃculos. E os resultados financeiros foram compilados pela consultoria Economática, com base nos balanços das duas concessionárias de capital aberto, a CCR e a OHL Brasil.
Segundo a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), quatro motivos explicam o avanço da receita do setor no perÃodo: aumento de tráfego, circulação de caminhões maiores (com mais eixos e que pagam mais tarifa), duplicação de pistas principalmente em São Paulo (que aumenta o valor do pedágio), além dos reajustes das tarifas.
A entidade informa que entre 2002 e 2006 as tarifas nas rodovias federais subiram 56% (incluindo reajuste e revisão) e, em São Paulo, 53%. O presidente da entidade, Moacyr Duarte, também comenta que uma análise mais detalhada da evolução das receitas e do volume de tráfego nas estradas privatizadas precisaria levar em conta o aumento do tráfego de caminhões maiores, com mais eixos, que pagam mais tarifa.
No começo do mês, o setor entrou na mira do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) produza em 30 dias um diagnóstico sobre os pedágios cobrados nas rodovias federais operadas pela iniciativa privada.
OHL – O primeiro-ministro da Espanha, José Luis Zapatero, decidiu fazer uma visita surpresa ontem nas obras do trem de alta velocidade entre Barcelona e Madri, em construção pelo empresa OHL, que venceu cinco trechos de rodovias federais no Brasil, no inÃcio do mês. Nas últimas duas semanas, o local em obras sofreu sete incidentes seguidos, como deslizamento de terras e afundamentos.
Uma delas ocorreu durante a visita de Zapatero, que assumiu as responsabilidades pelas falhas na construção da ferrovia e garantiu a manutenção da ministra de Fomento, Magdalena Ãlvarez, no cargo. Ela teria sido responsável pelo contrato com a OHL e estaria sendo pressionada a deixar o cargo.
Fonte: O Estado de São Paulo