Resolver o problema dos gargalos das rodovias é mais urgente, diz Pedro Lopes

Resolver o problema dos gargalos das rodovias é mais urgente, diz Pedro Lopes

Florianópolis, 18.7.06 – O presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, disse hoje durante workshop sobre o Plano Nacional de Logística de Transportes, realizado na Fiesc pelo Ministério dos Transportes, que é necessário resolver problemas nas rodovias, que são atualmente o único meio que movimento 100% da economia.
Segundo ele, se pensa em projetos para ferrovias e portos e aeroportos que só terão um resultado dentro de 10 ou 20 anos. Mas a economia não pode esperar por todo esse tempo, observa. E nem as estradas podem ficar esquecidas para priorizar outro modal de transporte que deve começar do zero. Destacou que é importante que se planeje esses modais e principalmente se faça a integração deles para agilizar a logística de transporte e reduzir os custos. “Realmente, defendemos um plano nacional, algo que o país nunca teve. Mas como espera que essas propostas saiam do papel, disse Lopes, se há duas décadas se aguarda 27 quilômetros de asfalto para a 282 e poder ligar Santa Catarina à Argentina e se nem a 282 está conncluída em outros trechos?” Também destacou o pouco que tem sido feito nas BR-470 e BR-280, importantes corredores da economia do Oeste Catarinense e de ligação com os portos.
Lopes lembrou também das precárias condições impostas aos motoristas de caminhão que carregam e descarregam nos portos catarinenses, sem espaços para estacionar, sem condições para ficar na fila e ainda com o risco de aguardar ao longo da estrada para esperar sua vez de entrega ou recebimento da mercadoria. Porque, além do aumento das exportações, há ainda o deslocamento de carga de soja transgênica do Paraná para o porto de São Francosco. Tudo isso sem nenhuma mudança da infra-estrutura rodoviária.
Lopes lembrou da proposta apresentada pela Fetrancesc, a SC-Transporte, que previa duplicação da BR-470 e também a BR-280 e que foi considerado um projeto arrojado e moderno no Ministério dos Transportes, mas foi rejeitado para sua implantação por motivação política. Era uma proposta de PPP (Parceria Público-privada) já com investidores interessados, mas que foi barrada no Governo federal. A rodovia poderia ter uma solução de curto prazo, mas com a negativa federal, a estrada continua com os velhos problemas e nenhuma previsão de obras. Pode ser a próxima a ser destinada à concessão de rodovias, mas não antes de 2010. Lopes sugeriu que o Governo Federal entregue as obras de infra-estrutura em Santa Catarina para serem feitas pela iniciativa privada, pois o retorno à sociedade será muito mais rápido.
O presidente da Federação também disse que outro problema da falta de investimentos em rodovias, é que não se autorizou a fabricação dos veículos bitrens, são estimados 100 mil unidades no país, mas as autoridades de trânsito não deixam circular sem pagar pela Autorização Especial de Trânsito, pois alegam que as rodovias não têm condições de receber esses veículos.
Outro problema que encontra barreiras no esfera federal é a renovação da frota, um projeto foi discutido com ministros e técnicos e depois o governo decidiu unilateralmente por um programa que beneficia as pessoas físicas, não importa se são transportadores ou não. Lopes questiona como ficam as empresas que dão empregos e que pagam a maior carga tributária do país?
Antes do presidente da Fetrancesc, houve a apresentação do representante da Fiesc, que defendeu um programa de modernização dos portos e a construção de uma ferrovia do Litoral e uma que liga Oeste e Leste, além de desburocratização das aduanas e melhor avaliação dos investimentos em infra-estrutura. Na proposta destacou o papel da economia catarinense no superavit primário, com o 6º lugar de todos os estados brasileiros e a exportação de 7,8 bilhões de dólares em 2005. Além de ter os dois portos entre os 10 mais importantes do país, Itajaí e São Francisco do Sul. Defende ainda a duplicação das BR-470, 280 e conclusão da 282.
Esse encontro em Florianópolis que reuniu os três Estados do Sul, tem a finalidade de colher subsídios para o Plano Nacional de Logística de Transportes, que deve estar concluído até o final do ano e vai conter as diretrizes para o setor de médio e longo prazo.
Também participaram das exposições, o secretário de Política Nacional de Transportes, José Augusto Valente e o coordenador técnico do Plano, Marcelo Perrupato. Durante o dia também falaram representantes do Poder Público e representantes das Federações Empresários do Rio Grande do Sul e do Paraná. Fonte: juraci perboni/Imprensa Fetrancesc

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