ItajaÃ, 25.6.07 – A Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários decidiu manter a greve por tempo indeterminado e a situação no Porto de Itajaà se agrava.
Os 32 fiscais estão operando com apenas 30% da capacidade. Mais de dois mil contêineres de exportação e importação de produtos animal e vegetal estão retidos, o que significa prejuÃzo de R$ 60 milhões.
O diretor de LogÃstica do porto de ItajaÃ, Éder Moritz, informou que a partir de domingo o porto começará a operar abaixo do padrão. O porto movimenta mil contêineres por dia.
Os fiscais federais agropecuários de ItajaÃ, representados por Rohe Goudel, explicam que não pretendem terminar a greve até que suas reivindicações sejam atendidas. Eles querem o cumprimento de um acordo firmado com o governo em 2005, que previa a criação da Escola Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários, a reestruturação do plano de carreira, a realização de concursos e o pagamento do passivo dos médicos veterinários.
Entre as mercadorias de importação animal os principais produtos retidos são os ingredientes para ração animal e na importação vegetal são as embalagens de madeira.
Já na exportação animal a maioria dos produtos retidos são as carnes congeladas, principalmente o frango. E na exportação vegetal, a maioria das cargas são de madeira e tabaco.
Greve represa US$ 50 milhões
A paralisação dos fiscais agropecuários federais, que iniciou na segunda-feira, está represando US$ 50 milhões em mercadorias em SC. A previsão é do presidente da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), Ronaldo Korbag Müller. Somente na avicultura, são US$ 25 milhões por semana.
O frango é o produto que lidera as exportações catarinenses. O restante é relativo a suÃnos, milho e soja exportada pelos portos de Itajaà e São Francisco do Sul. Com a paralisação dos fiscais, somente 30% da produção está sendo certificada pela inspeção federal. Com isso os produtos não podem sair de SC.
Somente no pátio da Sadia de Chapecó, 50 caminhões estavam parados ontem. Müller, que também é diretor de produção de aves da Sadia, disse que diariamente saÃam 35 caminhões da unidade de Chapecó. Agora são 10 por dia.
O presidente da Acav disse que, nesta primeira semana, as agroindústrias ainda conseguiram estocar o produto. Com as câmaras frias cheias, caso a greve tenha continuidade na próxima semana, haverá paralisação de abates, como já ocorreu no Rio Grande do Sul.
– Estamos chegando no limite.
Risco de desabastecimento interno não está descartado
Ele afirmou que além dos prejuÃzos nas exportações, que podem ocasionar problemas no cumprimento de contratos, há risco de desabastecimento interno. Para o presidente da Acav a categoria dos fiscais agropecuários não está recebendo a devida atenção do Governo Federal.
– Eles devem ser valorizados pela importância da atividade.
O diretor da Sadia disse que a paralisação está ocorrendo porque o Governo Federal não cumpriu o acordo da greve de 2005. Entre as reivindicações estavam abonos salariais e plano de carreira.
O vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina, Enori Barbieri, também reclama da falta de seriedade do Governo Federal no trato com os fiscais agropecuários federais.
Fonte: Diário Catarinense