De olho nas estradas

De olho nas estradas

Florianópolis, 30.7.07 – O apagão aéreo e a insuficiência das ferrovias e das hidrovias ampliam a responsabilidade do transporte rodoviário no país, ele mesmo há anos demonstrando precariedades que o tornam pouco seguro e muito caro. A crise na infra-estrutura dos transportes – e portanto da logística nacional – é um problema que há anos surge como uma das grandes preocupações da sociedade e da economia.
Um especialista da área levanta uma questão que, no contexto, merece mais de que uma reflexão: exige uma ativa resposta do poder público. Há quanto tempo o Brasil não tem um projeto consistente, amplo e estrategicamente adequado de construção de estradas? Depois das metas de Juscelino Kubitschek, na década de 50, e do projeto dos governos militares, na década de 70, o que o país fez foi remendar as rodovias existentes, duplicar algumas e mais recentemente transferir trechos para a iniciativa privada. Muito pouco para um país que elegeu o transporte rodoviário – desprezando outras modalidades – como a maneira de fazer circular sua população e sua riqueza.
Não há como negar que nossos governos não têm sido muito afeitos a uma tarefa que é indispensável: a manutenção da malha rodoviária, que é, antes de mais nada, um patrimônio do país. Nessa condição de bem público, merece tanta atenção quanto outros espaços públicos, de palácios a monumentos, veículos e empresas estatais.
Diante do crescimento do país, da necessidade de escoamento das safras, da saturação do sistema rodoviário, da falta de conservação do atual sistema rodoviário, torna-se quase impositiva a recomendação do presidente Washington Luiz, no fim dos anos 20, de que “governar é abrir estradas”. Esse crônico descaso para com a manutenção e ampliação da malha viária não impõe ao país apenas perdas materiais, por óbvio. O número de pessoas que perdem a vida ou que adquirem seqüelas incapacitantes em acidentes é contado, anualmente, em dezenas de milhares. Calcula o governo federal que o número de óbitos por ano, no país inteiro, fique entre 25 mil e 30 mil. Em Santa Catarina, em 2006, 892 pessoas morreram em estradas federais e estaduais e, só neste primeiro semestre de 2007, foram 432 os que vieram a óbito, 284 em rodovias federais. Cálculos oficiais dão conta de que o Brasil perde, por ano, R$ 24 bilhões em decorrência de tantos acidentes e mortes. É hora portanto de investir em estradas, em segurança e na defesa da vida da população.
Fonte: Diário Catarinense

Compartilhe este post