Joaçaba, 19.10.04 – A Associação de Proteção contra Incêndio de Santa Catarina (Apisc) começou a batalha contra a Portaria nº 157 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que torna obrigatório o uso do extintor descartável em todos os veÃculos, a partir de 1º de janeiro de 2005. Haverá um prazo de adaptação, de cinco anos, contado de janeiro em diante.
O presidente da entidade, Francisco Izidoro Ferreira, disse que a medida serve para beneficiar uma multinacional norte-americana proprietária dos fabricantes do produto. Segundo ele, a portaria tem o mesmo fundamento daquela que exigia o uso dos estojos de primeiros-socorros nos veÃculos e que acabou extinta devido à não-aceitação pública.
– Esse extintor descartável vai causar danos ao meio ambiente. Para onde vão os usados? E o pó é altamente quÃmico e prejudicial à saúde. É monofosfato de amônia (ABC), que para agir tem que derreter e pode ferir o motorista – criticou.
Ferreira está distribuindo pelo Estado um panfleto que critica a postura do Contran. De acordo com cálculos da Apisc, se a medida vigorar, a substituição dos atuais 30 milhões de extintores vai ocasionar um prejuÃzo ao consumidor de R$ 3,8 bilhões.
– Estão dando de bandeja esse mercado para a empresa americana que produz o extintor descartável – reclamou.
Associação quer apoio dos consumidores
A entidade conclama os motoristas a não comprarem o extintor sugerido, como forma de pressionar o governo a cancelar a portaria. A nova regulamentação está gerando preocupação para quem vende extintores e sobrevive com a recarga deles.
A comerciante Vanderléia Marcon, de Joaçaba, disse que terá de demitir três funcionários que trabalham nesse setor se o extintor descartável entrar no mercado.
– Grande parte do movimento é feita pela recarga. Se isso não ocorrer diminuirei o faturamento e terei que fechar vagas.
Ferreira disse que o preço a ser cobrado pelo novo produto deve variar entre R$ 65 e R$ 70. Hoje, um extintor novo, de um quilo, custa R$ 30. O valor para a recarga está entre R$ 12 e R$ 15. Ferreira apontou mais um problema, já que o extintor só pode ser usado uma vez:
– Quem é que vai fazer treinamento contra incêndio usando um extintor descartável com esse preço? Fonte: DC