Buracos custam R$ 78,5 bi por ano

Buracos custam R$ 78,5 bi por ano

Brasília, 23.1.06 – Uma conta feita durante dois anos pelo economista mineiro Eduardo Simões, da Universidade Federal de Juiz de Fora, revela que o péssimo estado das estradas brasileiras, mais as graves falhas na integração com portos, hidrovias e ferrovias custam a cada ano R$ 78,5 bilhões. Esse valor, equivalente a 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB), é a soma de uma infinidade de prejuízos, grandes e pequenos, que Simões contabilizou, pacientemente, desde o momento em que um veículo cai num buraco e, por exemplo, estoura um pneu ou acaba entregando a um cerealista bananas amassadas que ele recusará.
?É preciso entender que, na atividade econômica, é tudo interdependente?, adverte Simões. Ele calculou, passo a passo, o valor do frete, que fica mais caro, a redução do lucro, o reflexo disso na disposição de contratar novos funcionários. ?O custo maior de produção cria um impacto nos empregos, porque as empresas têm menos dinheiro para investir. A queda desse investimento provoca uma redução de cerca de 3,8 milhões de empregos.? E a renda dos consumidores, diminuindo, ?acarreta menos produção e menos exportações e se espalha por toda a economia, provocando uma redução no PIB?.
Ele dá um exemplo prático: o preço da soja, neste momento, está baixo e as estradas entre Mato Grosso do Sul e os portos, por onde ela é exportada, estão em péssimo estado. ?Por isso, o baixo preço não compensa o que se paga pelo transporte até os navios. O negócio, este ano, se tornou deficitário?, lembra ele. Se a malha rodoviária estivesse em boas condições, o custo do transporte seria uns 30% ou 40% menor.

Tapa-buraco

Para reduzir esses custos não basta uma operação como a que o governo federal vem fazendo. ?Ela é, em si, um tapa-buraco na política dos transportes?, diz Simões. ?Só um paliativo, que não vai levar à solução do problema.? O necessário, segundo ele, é atacar de forma equilibrada todos os problemas em portos, rodovias, ferrovias e hidrovias.
Além disso, é preciso fazer uma integração entre essas áreas, que no Brasil são muito desiguais: as rodovias respondem por 61% de todo o transporte e as ferrovias por apenas 23%. ?É uma matriz de transportes desbalanceada. É preciso buscar com urgência a multimodalidade?.
A pesquisa de Simões é fruto, na verdade, de um estudo que ele fez para sua tese de doutorado, pela Faculdade de Economia e Administração da USP, onde se formou. Ele avaliou o custo do transporte, no todo da atividade econômica, em cinco macrorregiões. ?Se o problema não for entendido e resolvido em seu todo, o País enfrentará sérios obstáculos em seu desenvolvimento?, advertiu.

O Estado de S. Paulo

Compartilhe este post