BrasÃlia, 23.11.06 – O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou uma resolução que torna obrigatória a instalação de placas eletrônicas em todos os carros e motos em circulação no paÃs. A partir das placas eletrônicas ? chips com identificação e dados históricos dos veÃculos ? as autoridades de trânsito terão condições de localizar carros em situação irregular por não pagamento de multa, de licenciamento ou de qualquer outra obrigação prevista em lei. Poderão também rastrear carros roubados e, se for o caso, acionar a polÃcia.
A resolução do Contran, que estabelece as regras gerais para o uso das placas eletrônicas, foi aprovada há duas semanas e publicada no Diário Oficial da União desta quarta. Pela decisão, os departamentos estaduais de trânsito terão cinco anos para concluir a implementação dos chips.
Fonte:ZERO HORA
Para juristas, resolução fere Constituição Federal
O sistema de chips que monitora os veÃculos pode ferir os princÃpios da constitucionalidade. O advogado Ciro Vidal, que já foi diretor do Detran em São Paulo e hoje preside a Comissão de Assuntos e Estudos sobre Direito de Trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), diz que a obrigatoriedade da instalação da placa eletrônica fere o direito de privacidade do motorista. ?Mas facultativo, eu não vejo problemas?, afirma. Para ele, o PaÃs caminha para a vigilância total sem razão. ?Isso não está me cheirando bem, vamos ver quantas empresas podem fazer isso?.
O advogado Renato Bonfim também diz que o modelo da resolução invade a privacidade. ?Se não tem notificação prévia e não especÃfica previamente o uso é inconstitucional?, diz ele. Bonfim acha que o Estado não tem o direito de implantar o chip sem a autorização do motorista.
Além de possÃveis ações na Justiça, o sistema enfrentará outros obstáculos. Entre eles, a frota clandestina, de veÃculos que circulam hoje de forma irregular, sem licenciamento nem IPVA pagos e acumulando multas. O governo diz que ela se aproxima de um terço da totalidade em vários Estados.
Hoje, até por falta de blitzes, boa parte deles ficam impunes. Os veÃculos sem chip poderão até ser identificados, mas há preocupação sobre a capacidade dos governos para apreendê-los e guardá-los.
Outro questionamento envolve a privacidade. Os governos vão ter informações detalhadas da circulação de cada veÃculo (por onde passou, em que horário) e há preocupações sobre como isso pode ser usado. O Conselho Nacional de Trânsito alega que não haverá no chip dados dos proprietários (como nome e endereço).
Em Praia Grande, a 86 quilômetros de São Paulo, cerca de 600 veÃculos da prefeitura estão testando um sistema de localização de veÃculos similar. O projeto, denominado Sistema de Localização de VeÃculos (Silve), poderá ser ampliado para a frota particular da cidade e tem por objetivo reduzir Ãndices de furtos e roubos.
Fonte: Jornal do Commercio/PE