Florianópolis, 31.7.07 – O trânsito de Santa Catarina viveu, ao longo do primeiro semestre deste ano, o equivalente a mais que o dobro do acidente com o avião da TAM em Congonhas. Até sexta-feira, a contagem oficial do maior desastre da história da aviação brasileira era de 199 mortos.
Ainda assim, o número é menor que o do semestre mais trágico das rodovias catarinenses: nos seis primeiros meses de 2007, 432 pessoas perderam a vida em estradas federais e estaduais.
Do total, 284 foram em acidentes nas vias federais, as BRs. O total de 2006 havia sido de 892 pessoas: 546 nas rodovias federais e 346 nas estaduais, equivalente a quatro vezes e meia a quantidade de vidas perdidas no avião.
As imagens e depoimentos sobre a queda do Airbus impressionam e chocam pela extensão do prejuÃzo humano de uma vez só, mas os relatórios dos óbitos no trânsito mostram tratar-se de tragédia contÃnua, quase cotidiana.
Os motivos dos desastres que continuam matando nas rodovias são antigos conhecidos: patrulheiros da PolÃcia Rodoviária lembram que má conservação das pistas, a contÃnua demora pela duplicação completa da BR-101 e as condições atmosféricas contribuem, mas o decisivo é a imprudência. Da mesma maneira como os analistas são unânimes em afirmar a necessidade urgente de aliviar o movimento de aviões, hoje considerado excessivo para um aeroporto nas dimensões e localização de Congonhas, todos os fatores anteriores são agravados pelo crescimento da frota automobilÃstica, que é superior ao da estrutura viária e superlota as estradas.
Com o aumento do movimento rodoviário ocasionado pela crescente dificuldade em viajar de avião e a procura cada vez maior do Estado como destino turÃstico, os problemas ficam ainda mais preocupantes.
No caso de Santa Catarina, as entidades ligadas ao turismo calculam que quase todo esse movimento de turistas vem por vias terrestres, ou seja, as estradas, principalmente a BR-101.
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