A trágica inversão da BR-101 Sul

A trágica inversão da BR-101 Sul

Florianópolis, 21.2.09 – Um relatório divulgado pela Polícia Rodoviária Federal mostra o número de acidentes, mortos e feridos nos 465 quilômetros da BR-101 no Estado em 2004. No documento, além do crescimento no número de mortos em relação a 2003, chama a atenção a diferença no total de acidentes ocorridos nos trechos Sul e Norte.
Na parte Norte (duplicada), foram 3.606 acidentes, com 87 mortes. No trecho Sul (não-duplicado) foram 2.257 acidentes com 156 vítimas fatais. Quer dizer que o trecho Norte teve 60% mais acidentes e que o trecho Sul teve 80% mais mortes.
A primeira parte do levantamento da PRF – números de acidentes – poderia ser considerada surpreendente. O trecho Norte, duplicado e teoricamente mais seguro, tem mais acidentes, enquanto que a parte Sul, de pista simples e notadamente mais perigosa, mostra menos registros. Mas uma análise detalhada mostra que fatores como histórico da rodovia e comportamento dos motoristas influenciam no resultado.

De um lado, movimento, de outro, insegurança

De acordo com o chefe do Núcleo de Comunicação Social da Polícia Rodoviária Federal, Luiz Graziano, a parte Norte da 101 tem movimento maior de veículos, pedestres e ciclistas, o que aumentaria o número de acidentes.
– Além disso, as ocorrências registradas nas vias marginais também são incluídas no estudo da PRF. O que deixa o trecho Norte, em alguns pontos, com até oito pistas de rolamento – justifica Graziano.
A segunda parte da estatística aponta para o número de mortos na parte catarinense da BR. Os acidentes do trecho Norte, embora mais numerosos que os do trecho Sul, resultaram em menos vítimas fatais. Já a parte Sul, mesmo com um número menor de acidentes, registou 69 mortes a mais do que o trecho Norte.
– Os acidentes no trecho com pista simples geralmente são mais graves. Há a possibilidade de colisões frontais e abalroamentos, por exemplo – diz Luiz Graziano, do Núcleo de Comunicação da PRF.
Outros fatores, como a inexistência de uma mureta que divide as pistas – presente na parte Norte da rodovia – e as entradas de praias e fazendas da região, contribuem para o número de colisões com vítimas fatais na parte Sul da estrada.

“Desgaste de quem dirige influencia”

A pressa faz com que alguns motoristas abusem da velocidade, tanto no trecho Sul quanto na parte Norte da BR-101. É a opinião do caminhoneiro Cleber de Lima, 31 anos, que entrega produtos de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, para São Paulo.
– Todas as vezes que passei por aqui, vi acidentes. Problemas como o excesso de carga nos caminhões e o desgaste dos motoristas também influenciam – contou Cleber, que trabalha como motorista há 10 anos.

“A garotada anda colada na gente”

Dioclésio José Piai, 44, normalmente trafega pela BR-101 na parte Norte, mas observa infrações como ultrapassagens perigosas e excesso de velocidade nos dois trechos. O comerciário acredita que os jovens deveriam ter mais consciência dos perigos de dirigir em alta velocidade.
– Acredito que a parte Norte tenha mais acidentes por causa dos motoristas mais jovens. A garotada não respeita a distância mínima, anda colada. Fonte: Diário Catarinense.

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