Içara, 31.1.05 – O anúncio do inÃcio das obras de duplicação do trecho Sul da BR-101 já começa a aquecer o mercado de trabalho no Sul do Estado, apesar da movimentação ainda estar restrita a trabalhos topográficos. Desde o inÃcio do ano, a agência do Sistema Nacional de Emprego (Sine) de Içara tem registrado uma romaria de trabalhadores, que tem procurado a cidade com o sonho de conquistar um dos empregos que devem ser gerados durante a execução da obra. A estimativa da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) é que sejam criadas, pelo menos, 5 mil oportunidades de trabalho com as obras
Segundo o Sine, a procura por informações aumentou em pelo menos 80%. “Quarenta pessoas passam diariamente para deixar seu currÃculo, fazer um cadastro ou mesmo pedir informações”, explica a coordenadora do Sine, Vanir Pacheco, que espera um movimento ainda maior para os próximos dias. “A tendência é que com a chegada das máquinas e o inÃcio mais efetivo dos trabalhos a procura aumente. Já houve um contato da empresa com o nosso escritório pedindo que o Sine coordene a seleção de contratados. Até o momento foram chamadas apenas 10 pessoas, mas eles já avisaram que vão contratar muita gente.”
A construtora Queiroz Galvão – responsável por quatro lotes, um deles no Estado – instalou um escritório administrativo, à s margens da rodovia, em Içara. Segundo o engenheiro responsável, que pediu para não ser identificado, até agora foram contratados topógrafos, auxiliares, secretária e uma faxineira. “Novos trabalhadores já estão sendo selecionados, devendo ser chamados a partir da próxima semana, quando as máquinas chegam a região.”
O sonho de conseguir um emprego fixo, com carteira assinada, tem atraÃdo trabalhadores de longe. Segundo a agência do Sine em Içara, até pessoas do Rio de Janeiro e São Paulo já entraram em contato para saber da oferta de trabalho. “São pessoas que já trabalharam com este tipo de obra e que estão enviando o seu currÃculo.”
A procura por um emprego nas obras de duplicação do trecho Sul da BR-101 também tem crescido na agência do Sine em Criciúma. Só que o movimento não é tão intenso quanto em Içara, ressalta a coordenadora do órgão, Maria Edil. “Ainda estamos em uma situação de normalidade, já que a movimentação até agora tem sido apenas para o corte das arvores que existem as margens da rodovia, o que não gera tantas vagas.
A chegada à região das empresas que vão trabalhar na duplicação acendeu em muitos trabalhadores o sonho de ter novamente a carteira assinada., como é o caso de Christian de Souza, que há quatro anos não sabe o que é trabalhar em um emprego fixo. “Não tenho carteira assinada desde 2000. Para muitos isso é um detalhe, mas considero isso uma segurança a mais”, conta o jovem, que trabalhando como “chapa” em um dos trevos de acesso a Criciúma.
Empresários começam a apostar no futuro
Içara – A promessa do inÃcio das obras de duplicação combinada com a ampliação do aeroporto regional DiomÃcio Freitas, em Forquilinha, tem animado os empresários do Sul do Estado. A procura de informações sobre o mercado regional tem sido intensa nos últimos dias na Associação Empresarial de Criciúma (Acic). Uma rotina que se repete na companhia de Desenvolvimento e Planejamento de Criciúma, Codepla, que registrou a procura de 40 pequenos empreendedores somente neste mês.
O presidente da associação, Edilando Moraes, avalia que esta movimentação é comum e tende a crescer ainda mais. Segundo ele, a cidade conta como trunfos a possibilidade de utilização de gás natural e uma mão-de-obra qualificada. “Nosso problema é a falta de uma rodovia duplicada, de um bom aeroporto, mas como isso começa a ser resolvido a região vai ficando cada vez mais atrativa para os investidores.
Algumas empresas não pretendem esperar nem mesmo a conclusão das obras. A Cerâmica Angel Gress, por exemplo, pretende se instalar as margens da rodovia e já está com os trabalhos de terraplanagem em andamento. “Criciúma foi escolhida por atender as necessidades que a empresa possui. A duplicação também foi um fator determinante”, diz o diretor da empresa Marconi Pascoali. Ele afirmou que a empresa deve estar funcionando no local a partir de janeiro do próximo ano. A expectativa é gerar e 210 empregos diretos e garanta, indiretamente, trabalho a 600 pessoas.
A expectativa que já é positiva para o perÃodo de excussão da obra se torna ainda mais promissora para a região quando se fala no Sul do Estado pós duplicação. Empresários dos mais diferentes setores acreditam que com a conclusão deste processo a região deva sofrer uma explosão de crescimento. Segundo Moraes, com a rodovia duplicada o Sul será um grande opção de investimento. “Vamos ter uma infraestrutura decente e vamos tornar o Sul uma região viável.”
Sinal Verde
O vice-presidente regional da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, Guido Burigo, aposta que a conclusão da obra vai representar o sinal verde para o desenvolvimento de todos os setores da economia local e o surgimento de novas oportunidades. “Vamos ter mais turistas porque o acesso as nossas praias estará melhor, amos ter as margens da rodovia tomadas por empresas e vamos observar o surgimento de novas oportunidades de negocio que proporcionaram um grande crescimento para toda a região.”
Entre os segmentos que aguardam ansiosos por este reflexo está o da construção civil. Para Paulo Corbetta, da Construtora Corbetta, a BR-101 duplicada representará novos investimentos na região e a geração de mais emprego e renda. Vão apostar mais na região, o mercado irá aquecer e nos vamos ver cada vez mais construções. “Teremos mais emprego e mais dinheiro em todo o Sul do Estado.” (Anderson de Jesus, especial para A NotÃcia)
Obra é a maior feita com dinheiro público
BrasÃlia – Cerca de US$ 800 milhões. Esse é o valor do maior investimento público já feito em Santa Catarina. A estrada de 348 quilômetros entre Palhoça e Osório (RS) é também o maior sonho de muitos catarinenses, que durante anos conviveram com a espera e o drama de famÃlias despedaçadas pela rodovia da morte, com ficou conhecido o trecho. Agora, começa uma outra espera, menos desalentadora que a primeira, de pelo menos três anos para que a obra seja concluÃda na sua maioria.
Quando os usuários estiverem se adaptando a todo o trecho duplicado, começaram a ver a construção também das primeiras praças de pedágio, que estão programadas para daqui a três anos também. É que os US$ 800 milhões são suficientes para duplicar a rodovia sem três trechos que exigem mais tempo: um viaduto no morro dos Cavalos, em Palhoça, um túnel no morro do Formigão, em Tubarão, e uma ponte no Complexo Lagunar. Essas obras serão feitas pela concessionária. Os projetos estão sendo licitados. O Departamento Nacional e Infra-estrutura de Transportes (DNIT) estima que esses trechos consumam mais US$ 80 milhões.
Nos últimos quatro anos, 5.929 pessoas perderam a vida na rodovia não duplicada. Mais de 13 mil veÃculos se envolveram em acidentes. Só esses números já evidenciam a necessidade de investimento e chocam pela demora de providência. A estrada conclui a duplicação de um dos corredores rodoviários mais importantes do PaÃs. O corredor Mercosul começa em Minas Gerais e termina no Rio Grande do Sul. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) vai financiar 60% dessa obra. O restante será pago pela União e pela iniciativa privada, que entra na segunda fase da rodovia.
Nem todos os recursos da rodovia estão garantidos, mas dificilmente a obra pára. O governo federal ainda não concluiu das negociações com o BID, mas o contrato deve ser assinado no segundo semestre. O Ministério dos Transportes também espera concluir as negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para retirar investimentos de até R$ 2,5 bilhões com infra-estrutura do cálculo de superávit primário e, com isso, colocar mais R$ 180 milhões na rodovia. Seria quase o suficiente, junto com os recursos do orçamento, para cobri os 40% que o governo brasileiro vai financiar da obra.
Turismo pode ser beneficiado
Tubarão – Uma região que oferece praias, cachoeiras e águas termais tem tudo para desenvolver ainda mais o turismo após a duplicação do trecho Sul da BR-101. É o que prevêem autoridades e representantes do trade turÃstico do Sul do Estado. Segundo a gerente regional da Organização e do Lazer, LÃlian Guedes, a falta de definição para a duplicação da rodovia sempre foi considerado um entrave para que aumentasse os investimentos no turismo na região. “Com certeza, a nossa expectativa é de que o fluxo de turistas aumente com duplicação da BR-101. Muitas famÃlias deixam de viajar justamente por que a estrada não oferece muita segurança”, ressalta.
Para LÃlian, a região oferece opções das mais variadas ao turista, restando apenas que os empresários do setor comecem a investir. “A duplicação é o fator que faltava para chamar a atenção dos investidores. Fora as praias, as águas termais é o nosso maior atrativo. E os investimentos andam baixo atualmente”, afirma.
Um dos empresários que espera aumentar o seu faturamento depois da duplicação é Sérgio Domingos Bressan, proprietário do Moenda Lanches, restaurante e lanchonete especializado em produtos coloniais em Tubarão
Ele acredita que o movimento no seu estabelecimento, que fica situado próximo ao trevo de acesso Sul do municÃpio, aumente consideravelmente depois que acesso seja facilitado. “Hoje é mais difÃcil para quem está viajando chegar até o meu estabelecimento. Segundo o projeto que eu tive conhecimento, vai ser construÃda uma rodovia paralela que vai facilitar muito que os motoristas parem no local”, prevê.
Reclamações
Bressan conta que uma das maiores reclamações dos turistas que freqüentam a lanchonete é com relação ao estado de conservação do trecho sul da rodovia e a falta de uma segunda pista. “Isso deixa os turistas realmente nervosos. Com a 101 duplicada, certamente o turista virá mais tranqüilo para a nossa região”. Fonte: AN