O presidente da Fetrancesc, Dagnor Schneider, participou da reunião da Comissão de Transportes, Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura, na Alesc Itinerante, em Balneário Camboriú, nesta quarta-feira, 29. Schneider apresentou dados preocupantes sobre o número de óbitos nas rodovias federais catarinenses, de acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal, analisados pelo Observatório Fetrancesc, apurados no primeiro semestre de 2025, que apontam que Santa Catarina lidera o ranking nacional de mortes em trânsito, proporcional a sua malha federal.
Entre janeiro e junho deste ano, os dados mostram que Santa Catarina teve 10 mortes para cada 100 km de rodovia federal pavimentada, enquanto o Brasil, na média, tem 4. Quando o recorte é feito para o trecho Norte da BR-101, os números apontam 24 óbitos para cada 100 km de rodovia.
“Não dá mais para aceitarmos as pessoas morrendo no trânsito. Então, não estamos falando apenas de um prejuízo econômico e de um desconforto que gera o colapso que está acontecendo no trecho norte, mas as vidas que estão se perdendo. Não podemos achar isso normal. Nós precisamos reagir”, apontou Dagnor Schneider.

Em relação ao número de acidentes, uma taxa comparativa feita pelo Observatório Fetrancesc aponta que o trecho Norte da BR-101 em Santa Catarina tem 1.142% mais sinistros do que a média do Brasil, a cada 100 km de malha federal pavimentada. Enquanto no cenário nacional o registro é de 52 acidentes, na BR-101 Norte o número é de 646.
“Nós temos 25% do total de acidentes de toda a extensão da BR-101 apenas no trecho Norte de Santa Catarina. A infraestrutura rodoviária catarinense é um dos grandes desafios. Falo com preocupação em relação ao protagonismo econômico do nosso Estado. É uma frustração, e quando falamos no setor de transporte rodoviário de cargas temos um prejuízo de R$1,2 bilhão por ano por perda de produtividade e aumento de consumo de óleo diesel. Além do adicional de emissões de Co2, mais de 20 mil toneladas”, detalhou Schneider.
Otimização do contrato
Ainda durante a apresentação na Alesc Itinerante, o presidente da Fetrancesc reiterou a posição da Federação em relação à proposta de otimização do contrato da concessionária responsável pelo trecho Norte da BR-101, que está sendo avaliada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres ( ANTT). Schneider explicou que a Fetrancesc é contra a repactuação, porém, a favor de que obras emergenciais sejam feitas para minimizar o cenário colapsado atual.
“O que nos entristece é que as obras que estão sendo objeto da otimização já foram indicadas há mais de 10 anos para a ANTT. E só agora que estão sendo debatidas e discutidas. O que nos preocupa é que até agora não temos nenhuma solução ou direcionamento concreto, ainda continua em debate no TCU, na ANTT e no Ministério dos Transportes. Deveríamos levar o contrato de concessão até 2033, incluir as obras emergenciais, compensando aquilo que temos de crédito junto à concessionária, seja em multas ou em obras não executadas e ter objetividade nessa tratativa. Sentando numa mesa, apontando as obras e caminhando para a execução”, disse Schneider. Ele também reforça que, quando a Via Mar estiver pronta, haverá desequilíbrio financeiro à concessionária do trecho Norte por conta do remanejamento de fluxo de veículos. Por isso, sugere que seja feita uma licitação única para a BR-101 Norte e para a Via Mar.
Schneider concluiu falando que é uma vergonha o contrato com o atual concessionária ser otimizado, sendo que a mesma recebeu mais de 900 notificações da ANTT, somando mais de R$ 775 milhões em multas, de acordo com dados da própria ANTT.
“Não podemos continuar por mais 15 anos com uma empresa que não performa. Vocês, empresários (falando direcionado aos deputados), renovariam contrato com um fornecedor que não entrega resultado?”, concluiu o presidente da Fetrancesc.
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Fonte e fotos: Fetrancesc
