Setor empresarial alerta para riscos da tramitação acelerada da escala 6×1

Reunião do COFEM 9/2/26: Foto Filipe Scotti

Setor empresarial alerta para riscos da tramitação acelerada da escala 6×1

A revisão da jornada de trabalho, atualmente em discussão no Congresso Nacional, foi um dos temas da reunião do Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina – COFEM nesta segunda-feira, 9. Para o setor produtivo catarinense, por se tratar de uma mudança estrutural, com impactos profundos na economia, no emprego e na competitividade do país, a decisão exige uma análise técnica, baseada em dados. Os representantes das entidades empresariais salientaram o risco de o debate ser guiado mais pela disputa por votos do que pela busca de soluções sustentáveis, ao ocorrer em ano eleitoral.

A migração para uma jornada de 36 horas semanais poderia gerar um aumento de cerca de R$ 178 bilhões por ano nos custos diretos da indústria, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Pesquisas da FGV/IBRE indicam que, considerando apenas o fator trabalho, essa mudança poderia levar a uma retração de até 11% do PIB.

Dados da Facisc apontam que 71% dos empregados formais catarinenses possuem contratos entre 41 e 44 horas semanais — percentual superior à média nacional, que é de 60%. Só na indústria, 86% dos trabalhadores cumprem o regime de 44 horas, de acordo com estudo do Observatório FIESC.

Entre as preocupações das entidades do setor produtivo estão os potenciais efeitos sobre a alta dos preços para o consumidor e com a alta da informalidade como reflexo do aumento de custos do emprego, estimado em 25% com a redução da jornada.
A pressão sobre os custos pode levar muitas empresas a não ter alternativa senão repassar esse aumento ao preço final dos produtos e serviços, o que impactará a inflação e reduzirá o poder de compra da população.

Além disso, destacam os membros do COFEM, Santa Catarina e também outros estados vivem uma situação de pleno emprego, com dificuldades para preencher vagas em todos os setores. A taxa de desocupação no estado foi de 2,3% no terceiro trimestre de 2025, a menor do país. Um exemplo é a redução de 22% no número de caminhoneiros nos últimos 10 anos. Segundo a Fetrancesc, em 2025 eram 5,6 milhões de motoristas e, em 2025, 4,4 milhões.

Reunião do COFEM 9/2/26 Filipe Scotti

“Estamos reduzindo de forma significativa o nosso estoque de motoristas. As consequências ainda não são mais severas por dois fatores principais: uma atividade econômica que segue morna, e a ampliação da capacidade dos caminhões, que permitiu que um único motorista transportasse duas cargas. No entanto, essa alternativa já está chegando ao limite, pois há perfis de carga que não permitem esse tipo de conversão. Caso esse projeto avance, estimamos uma perda de cerca de 10% da capacidade produtiva do transporte rodoviário de cargas. A pergunta que precisamos fazer é: qual será o impacto disso no sistema de abastecimento do país?”, questionou Dagnor Schneider, presidente da Fetrancesc.

Na avaliação do COFEM, o Custo Brasil pesa contra a competitividade do país, o que, aliado com a estagnação da produtividade brasileira, contribui para um ambiente de negócios hostil. A insegurança jurídica, a alta carga tributária e a infraestrutura deficiente penalizam o setor produtivo e a redução da jornada impõe um desafio adicional, com consequências duradouras e que a sociedade brasileira não está preparada para enfrentar.

Mesmo economias mais desenvolvidas e estáveis – como Alemanha, Dinamarca e Holanda, contam com jornadas maiores (48h). A França, que reduziu a jornada, estuda voltar atrás diante do impacto negativo, especialmente entre pequenas e médias empresas.

O COFEM é composto pelas Federações das Indústrias (FIESC), do Comércio (FECOMÉRCIO), da Agricultura (FAESC), dos Transportes (FETRANCESC), das Associações Empresariais (FACISC), das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), das Micro e Pequenas Empresas (FAMPESC), além do Sebrae-SC.

Fonte COFEM | Fotos: Filipe Scotti

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