Logística e oferta de insumos desafiam o setor produtivo catarinense

Logística e oferta de insumos desafiam o setor produtivo catarinense

A oferta de matéria-prima e os gargalos logísticos foram destaque na reunião do Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina (COFEM), realizada nesta segunda (13), na sede da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC).

Representando a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Arene Trevisan apresentou dados que evidenciam a dependência do estado em relação ao abastecimento de grãos. Santa Catarina produz cerca de 2,3 milhões de toneladas de milho, mas consome aproximadamente 8 milhões, volume que pode chegar a 10 milhões nos próximos anos.

O milho responde por cerca de 80% da ração, sendo o principal insumo da cadeia de proteína animal. Trevisan destacou que o avanço da produção nacional de grãos não foi acompanhado pela infraestrutura. O Brasil já enfrenta déficit de armazenagem de cerca de 25%, enquanto o transporte interno segue majoritariamente rodoviário.

Outro ponto de atenção é o crescimento da produção de etanol de milho, que amplia a demanda por matéria-prima no país e pressiona a disponibilidade para outros setores.

A logística também enfrenta limitações operacionais, com redução no número de motoristas e aumento da idade média da categoria, o que pode afetar o transporte nos próximos anos.

Representando a Fetrancesc, o vice-presidente Beto Lima participou da reunião.

Jornada de Trabalho

Os integrantes do Conselho debateram ainda a questão da redução da jornada de trabalho. As Federações defendem que o mecanismo ideal é a negociação coletiva, já que leva em conta particularidades de cada setor e o acordado entre empregadores e trabalhadores. Na indústria de SC, a Fiesc lembra que muitas cumprem a escala em regime 5×2.

A entidade também integra o conjunto de 27 federações estaduais da indústria, 95 associações setoriais e 342 sindicatos industriais que apoiam o manifesto divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na quinta-feira (9). O documento expressa preocupação com as propostas de redução da jornada semanal de trabalho e com o fim da escala 6×1 em discussão no Congresso Nacional.

O manifesto reforça que, embora o debate seja legítimo, medidas dessa natureza podem provocar impactos severos sobre a economia, os investimentos e a geração de empregos formais. Estimativas indicam que a redução da jornada para 40 horas semanais pode elevar os custos com trabalhadores formais em até R$ 267 bilhões por ano, um aumento de até 7%.

Sobre o COFEM

O COFEM é composto pelas Federações das Indústrias (FIESC), do Comércio (FECOMÉRCIO), da Agricultura (FAESC), dos Transportes (FETRANCESC), das Associações Empresariais (FACISC), das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), das Micro e Pequenas Empresas (FAMPESC), além do Sebrae-SC.

Fonte: COFEM
Fotos: Elida Ruivo e Fetrancesc l Divulgação 

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