Defasagem da malha rodoviária em relação ao aumento da frota é desafio, aponta CNT no Transportation Forum DHL

Defasagem da malha rodoviária em relação ao aumento da frota é desafio, aponta CNT no Transportation Forum DHL

O Brasil precisa investir R$ 2,03 trilhões em infraestrutura de transportes para ampliar e modernizar a malha nacional. A estimativa consta no Plano CNT de Transporte e Logística, que reúne 2.837 projetos considerados necessários para melhorar a integração do território e a eficiência do sistema de transportes. A diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, apresentou os dados durante o Transportation Forum DHL, realizado em São Paulo (SP)

Fernanda Rezende conduziu a palestra “Os Desafios de Infraestrutura no Setor de Transportes”, na qual abordou os principais gargalos da infraestrutura brasileira e seus impactos sobre a operação do setor. Um dos principais desafios apontados é o descompasso entre o crescimento da frota de veículos, a falta histórica de investimento e a expansão tímida da malha rodoviária.

Entre 1980 e 2020, a frota nacional cresceu 1.125%, enquanto a extensão da malha rodoviária federal avançou apenas 41,56%. Do total de mais de 1,7 milhão de quilômetros de rodovias no país, apenas 217,5 mil quilômetros (12,62% da malha) são pavimentados. Isso equivale a 25,1 quilômetros de rodovias pavimentadas para cada 1.000 quilômetros quadrados de território.

Nas rodovias federais, só 3,46% da extensão é duplicada, contra quase 27% ainda em pista simples.

“Os aportes da União em infraestrutura de transporte, que representavam cerca de 2% do PIB na década de 1970, recuaram para 0,13% nos últimos anos avaliados, somado a isto houve um crescimento maciço da frota brasileira, o que impacta diretamente na condição da infraestrutura de transporte do país. E, a qualidade da infraestrutura afeta diretamente os custos de operação do transporte”, destacou Fernanda Rezende durante a apresentação.

Enquanto 67,8% das rodovias concedidas à iniciativa privada são classificadas como ótimas ou boas, esse percentual cai para 27,2% entre as rodovias sob gestão pública.

As más condições do pavimento elevam o consumo de combustível e as emissões. De acordo com a CNT, quando o transportador de carga trafega por rodovias cujo pavimento não tem qualidade ótima, esta deficiência gera um consumo adicional de 1,2 bilhão de litros de diesel e 3,2 milhões de toneladas extras de CO2 equivalente por ano. O impacto sobre os custos operacionais é maior nas regiões Norte e Centro-Oeste, com aumentos de 45,7% e 32,4%, respectivamente.

Projetos para ampliar a infraestrutura
Dos R$ 2,03 trilhões previstos no Plano CNT de Transporte e Logística, cerca de R$ 1,5 trilhão está destinado a projetos de integração nacional. No setor rodoviário, são previstos R$ 104,2 bilhões para ampliar em mais de 14,3 mil quilômetros a malha pavimentada.

Para as ferrovias, o plano estima R$ 473,3 bilhões em investimentos, com potencial de elevar em 81,1% a densidade da malha ferroviária. No transporte aéreo, estão previstos mais de R$ 28 bilhões para a construção de 47 novos aeroportos e a adequação de 137 estruturas existentes.

A CNT defende que a ampliação dos investimentos venha acompanhada de mecanismos que viabilizem projetos públicos e privados. “Para que a modernização não fique apenas no papel, é preciso uma recomposição do orçamento da União e veto a contingenciamentos de recursos direcionado à infraestrutura. Além disso, o foco em fomento à participação da iniciativas privadas por meio de PPPs, debêntures e bancos provedores de garantias será fundamental”, afirmou.

A diretora também destacou a incorporação de novas tecnologias à infraestrutura, como sistemas de pedágio eletrônico Free Flow, monitoramento de rodovias por Internet das Coisas (IoT) e a implantação de corredores verdes com pontos de recarga para frotas de baixa emissão. “A modernização da infraestrutura não passa apenas por mais quilômetros de rodovia, mas por rodovias mais inteligentes: tecnologias como o Free Flow e o monitoramento de via por IoT tornam a malha mais eficiente e mais segura, e os corredores verdes preparam o setor para a transição energética que já está em curso”, completou.

Fonte e foto: Agência CNT Transporte Atual

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