O uso da inteligência artificial, as mudanças no comércio internacional e os desafios das cidades têm efeitos diretos sobre as empresas de transporte. Esses temas orientaram as palestras do segundo dia do Executive Program do SEST SENAT, nesta segunda-feira (28), em Embu das Artes (SP). Os participantes discutiram como preparar equipes, avaliar tecnologias e planejar investimentos diante dessas transformações. O presidente da Fetrancesc e do Conselho Regional do SEST SENAT em Santa Catarina, Dagnor Schneider, marcou presença nos debates.
A manhã começou com o Momento Flow, conduzido pela professora e mentora Wilma Bolsoni. A atividade tratou das reações diante de situações de pressão e de como elas podem influenciar a tomada de decisões.
Na sequência, a neurocientista Carla Tieppo discutiu como a inteligência artificial interfere no aprendizado e nas decisões das equipes. A tecnologia pode processar dados de veículos, motoristas e operações, mas os gestores precisam saber avaliar as respostas e reconhecer possíveis erros.
Carla propôs uma situação em que agentes de IA analisam as informações de uma empresa e preparam decisões, deixando ao líder apenas a aprovação final. A reflexão chamou a atenção para o risco de perder a capacidade de questionar as recomendações da tecnologia.
A formação dos profissionais também entrou no debate. Se a IA assume tarefas pelas quais as pessoas costumavam aprender, as empresas precisam encontrar outras formas de desenvolver suas equipes. Carla destacou ainda que a economia de tempo proporcionada pelas ferramentas exige cuidado para evitar a sobrecarga de trabalho.

Mudanças no comércio e nas cidades
Marcos Troyjo, economista e ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco dos BRICS, explicou como a distribuição da produção entre diferentes países pode mudar os caminhos das mercadorias. Barreiras comerciais e disputas geopolíticas influenciam a localização de fábricas e investimentos, com consequências para as rotas e a demanda por transporte.
Troyjo defendeu que o Brasil preserve sua capacidade de negociar com China e Estados Unidos. Segundo ele, aproveitar as oportunidades criadas pelas mudanças na economia mundial depende também das condições do país para receber investimentos.
À tarde, Robert Muggah, especialista em cidades e cofundador do Instituto Igarapé, discutiu os efeitos da expansão urbana sobre o transporte. Cidades que se espalham sem crescimento proporcional da população exigem trajetos mais longos para atender moradores e empresas. O envelhecimento da população também aumenta a necessidade de serviços acessíveis.
Muggah recomendou que as empresas considerem riscos climáticos e possíveis interrupções de energia, comunicação ou acesso às rotas antes de investir em frotas e terminais. Preparar alternativas ajuda a manter os serviços diante dessas situações. “Um gerador de reserva parece caro até a rede elétrica cair”, exemplificou.
Novas tecnologias e formação de motoristas
Ronaldo Lemos, advogado e especialista em tecnologia, apresentou experiências com caminhões autônomos, sistemas de troca de baterias e agentes de inteligência artificial. Essas ferramentas recebem um objetivo e executam etapas para alcançá-lo, o que exige definir tarefas, acompanhar resultados e estabelecer limites.
Os exemplos mostraram que a adoção de tecnologias depende de infraestrutura, regras e ajustes nas operações. Lemos também destacou o potencial do biometano produzido a partir de resíduos orgânicos no Brasil e a necessidade de uma rede de abastecimento que permita seu uso pelas frotas.
A discussão sobre o futuro das operações incluiu um desafio já enfrentado pelas empresas, a falta de motoristas profissionais. Nicole Goulart, diretora executiva nacional do SEST SENAT, apresentou o programa da instituição que apoia a mudança de categoria da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e a preparação de novos condutores para o setor.
Nicole convidou os empresários a participar dessa formação e aproximar os profissionais das oportunidades de emprego. A proposta conecta a qualificação oferecida pela instituição à demanda das empresas por motoristas. “O nosso grande objetivo é entregar CNH com uma carteira de trabalho”, afirmou.
Estudos para apoiar as empresas
No encerramento do dia, a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, retomou os estudos da Confederação citados por Lemos. Ela destacou a Pesquisa CNT de Rodovias e a série Energia no Transporte, que examina diferentes fontes energéticas, entre elas o biometano. Uma nova edição, dedicada aos combustíveis sintéticos, será lançada durante a COP31.
Fernanda convidou os empresários a consultar os materiais e a responder às pesquisas da CNT. As informações fornecidas pelas empresas ajudam a retratar as condições do setor e a produzir estudos que apoiem decisões sobre gestão, investimentos e operações.
Sobre o Executive Program
O Executive Program do SEST SENAT é voltado a empresários, executivos e lideranças do transporte, com atividades sobre liderança, inovação, tecnologia e futuro dos negócios. Realizada em parceria com a HSM/Singularity Brazil, a terceira edição conta com 81 participantes, entre lideranças do Sistema Transporte, presidentes de Conselhos Regionais do SEST SENAT e empresários e gestores do setor. A programação acontece de 27 a 30 de setembro, em Embu das Artes (SP).
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Fonte e foto: Sest Senat
