Fetrancesc defende garantia de recursos para continuidade da duplicação e chama atenção para aumento das mortes na BR-470

Em Brasília, Fetrancesc participa de audiência para discutir a duplicação da BR-470

Fetrancesc defende garantia de recursos para continuidade da duplicação e chama atenção para aumento das mortes na BR-470

Santa Catarina não pode correr o risco de ver, mais uma vez, a duplicação da BR-470 perder ritmo por falta de recursos. Essa foi uma das preocupações levadas pela Fetrancesc ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) na última semana, durante agenda institucional com Amauri Sousa Lima, superintendente do órgão no Estado. Na ocasião, o presidente da Federação, Dagnor Schneider, apresentou dados sobre a rodovia e manifestou a preocupação do setor com o orçamento previsto para o DNIT em 2027.

Segundo Amauri Sousa Lima, o DNIT solicitou R$ 1,5 bilhão para Santa Catarina em 2026, mas recebeu apenas R$ 400 milhões. Para 2027, a autarquia encaminhou um pedido superior a R$ 2 bilhões. O cenário reforça a necessidade de garantir orçamento para obras estratégicas à infraestrutura e à logística catarinense.

A BR-470 é um dos principais corredores para o transporte de cargas e para a economia do Estado. Santa Catarina possui a sexta maior frota de veículos do país e a quinta maior de veículos pesados, o que exige uma infraestrutura compatível com essa demanda. Para a Fetrancesc, a continuidade e a conclusão da duplicação devem estar entre as prioridades da articulação política catarinense.

A necessidade de assegurar investimentos ganha ainda mais peso diante do histórico da obra. A duplicação do trecho entre Navegantes e Indaial se arrasta há quase duas décadas e já teve etapas paralisadas por falta de orçamento. Atualmente, os lotes 3 e 4 dependem da garantia financeira para avançar. Segundo o superintendente do DNIT, foram assegurados R$ 50 milhões para a conclusão do lote 3 ainda este ano, enquanto a previsão é utilizar recursos do orçamento de 2027 para o lote 4.

Segundo informações do DNIT, dos recursos previstos, R$ 30 milhões serão destinados ao lote 3 e R$ 25 milhões ao lote 4. Além disso, serão necessários outros R$ 20 milhões para uma obra emergencial no km 52 da rodovia, não prevista no contrato original.

A bancada catarinense no Congresso Nacional e as lideranças políticas do Estado têm papel importante na mobilização para viabilizar os investimentos necessários.

“Precisamos unir forças para garantir que a BR-470 não volte a sofrer com a falta de recursos. É uma obra estratégica para Santa Catarina, tanto para o transporte de cargas quanto para a segurança de quem utiliza a rodovia. A mobilização política é fundamental para assegurar o orçamento e dar continuidade aos trabalhos”, afirma o presidente da Fetrancesc, Dagnor Schneider.

Segurança reforça urgência das obras
Os dados de segurança reforçam a urgência de melhorias. Em 2025, a BR-470 registrou 335 acidentes, com 391 feridos e 31,7 óbitos a cada 100 quilômetros de malha. No conjunto das rodovias federais brasileiras, foram 108 acidentes, 125 feridos e nove mortes por 100 quilômetros.

Na comparação com as rodovias federais de Santa Catarina, o índice de mortes na BR-470 foi 77% superior: 31,7 contra 17,9 óbitos por 100 quilômetros.

O histórico também chama a atenção. Depois de registrar 70 mortes em 2024, a BR-470 chegou a 101 em 2025, o maior número do período entre 2020 e 2025. Ao longo desses seis anos, foram 83 óbitos em 2020, 69 em 2021, 73 em 2022, 82 em 2023, 70 em 2024 e 101 em 2025.

“Não podemos mais normalizar que pessoas continuem morrendo todos os dias nas nossas estradas. Esses números mostram que a duplicação da BR-470 não é apenas uma questão de infraestrutura e logística, mas também de segurança e preservação de vidas. Precisamos garantir os recursos necessários para que essa obra avance e seja concluída. Mas a nossa preocupação vai além da BR-470. A BR-282, por exemplo, enfrenta gargalos importantes e um número elevado de acidentes e mortes, enquanto a BR-280 também precisa de investimentos para melhorar as condições de tráfego e segurança. São corredores fundamentais para a economia catarinense e que precisam estar no centro das prioridades de infraestrutura do Estado”, conclui Schneider.

Fonte: Fetrancesc
Foto: Agência Câmara de Notícias 

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