Florianópolis, 18.4.16 – Primeiro Dia da Família na Escola, sábado, cerca de 1 milhão de pessoas entre familiares, alunos e professores visitaram instituições da rede pública e do Sistema S no Estado. Na agenda, esporte, cultura e palestras. O presidente da Federação das Indústrias (Fiesc), Glauco José Côrte, líder do Movimento Santa Catarina pela Educação, visitou a Escola Básica Henrique Estefano Koerich, de Palhoça, ao lado do secretário da Educação, Eduardo Deschamps; do presidente da Fecomércio SC, Bruno Breithaupt; e de outras lideranças. Côrte enfatizou que a aproximação dos país na vida estudantil dos filhos resulta em maior aprendizado. Deschamps disse que a participação da família é de extrema importância na educação. A Faesc e a Fetrancesc também participam do movimento. (Fonte: Diário Catarinense – Estela Benetti)
Interditado
O Deinfra vistoriou o Morro de Bombas, atingido pela forte enxurrada na semana passada, e determinou que seja mantida a interdição parcial até que sejam tomadas medidas emergenciais pelas prefeituras de Porto Belo e Bombinhas – o que vai demorar pelo menos 30 dias. Até lá, o trânsito seguirá em meia pista. (Fonte: Diário Catarinense – Dagmara Spautz)
Cobranças ao governador
Lideranças empresariais e políticas de Blumenau tentam marcar uma reunião com o governador Raimundo Colombo. A ideia é trazê-lo a Blumenau para cobrar do governo estadual algumas obras importantes para a região. Melhorias viárias são prioridade.
Na lista, constam a nova SC-108 (prolongamento da Via Expressa), que já começou, mas como bem sabemos requer pressão para que o ritmo seja mantido. O grupo também dá destaque à revitalização da SC-412 (Rodovia Jorge Lacerda) e à criação de um novo acesso Leste à cidade. Ele tomaria forma com a construção de uma ponte entre as ruas Itajaí e Silvano Cândido da Silva Sênior e a duplicação de parte da via que dá acesso a Gaspar pela margem esquerda do rio Itajaí-Açu até a BR-470.
Outras reivindicações serão feitas, como a ajuda para melhor equipar o Aeroporto Quero-Quero. Uma nova cerca e o balizamento noturno (sinalização) são algumas das melhorias necessárias ao aeródromo da cidade.
Sinalização no Quero-Quero – Equipar o Aeroporto Quero-Quero com sinalização para voos e decolagens noturnas ajudaria, por exemplo, no trabalho da SC Transplantes – Central de Captação, Notificação e Distribuição de Órgãos e Tecidos de SC. O coordenador do serviço, Joel de Andrade, diz que 30% das doações do ano passado usaram aviões para o transporte de órgãos. Como o Hospital Santa Isabel é referência em transplantes no Estado, certamente a possibilidade de operações noturnas no Quero-Quero poderia ajudar a salvar algumas vidas. (Fonte: Diário Catarinense – Pancho)
União da ponte sobre o Rio Tubarão
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) trabalha para finalizar a instalação dos dois últimos vãos da ponte, unindo toda a pista elevada, como parte das obras de duplicação sobre o Rio Tubarão. Quando finalizada, a ponte terá 340,8 metros de comprimento e receberá somente o fluxo de veículos no sentido Sul – Norte. A previsão é que a obra chegue ao mês de maio já faltando os últimos detalhes. (Fonte: Diário Catarinense – Ricardo Dias)
Combustíveis ficaram mais caros em março
O preço do etanol subiu 1,2% em março na comparação com fevereiro deste ano. Em média, o litro combustível vegetal custa R$ 3,34 no País, com as maior alta registrada no Acre, de 5%. No entanto, o estado mais caro para se abastecer com etanol é o Rio Grande do Sul, onde o litro custa R$ 3,77. Os dados são do IPTC, Índice de Preços Ticket Car.
A gasolina também aumentou 0,35% em março, e encerrou o mês custando R$ 3,89 em média. São Paulo tem o melhor preço, a R$ 3,61, enquanto o Pará é o mais caro, com R$ 4,16 o litro de gasolina. Ainda assim, é o combustível que mais vale a pena abastecer em todo o País.
Para os proprietários de carros flexíveis, uma conta simples decide qual combustível escolher. Basta dividir o valor do etanol pelo da gasolina, caso o resultado seja menor ou igual a 0,7, vale a pena etanol. Se superior, a gasolina é mais vantajosa. (Fonte: Jornal do Carro/Estadão)
Em meio à crise, setor aeroportuário mantém expectativa de crescimento
A queda na demanda da aviação civil brasileira, decorrente da crise econômica, não tem afetado as expectativas do setor aeroportuário brasileiro. Mas representantes do segmento identificam desafios diante desse cenário. Esse foi um dos assuntos debatidos na sexta edição do Airport Infra Expo, realizado em Brasília (DF).
“Continuamos com o mesmo desafio [expandir infraestrutura e oferecer serviços de mais qualidade] e não podemos pensar em qualquer impedimento em decorrência da crise econômica”, disse o secretário-executivo da SAC (Secretaria de Aviação Civil), Guilherme Ramalho. “Estamos num ciclo extenso de expansão forte da aviação civil, de uns 30, 35 anos. Temos meses seguidos de queda na demanda. Mas o desafio de médio e longo prazo continua. Uma vez que a economia comece a dar sinais de recuperação, o setor também terá uma recuperação mais forte e mais pujante. Nosso papel é deixar as condições adequadas para esse momento”, complementou.
A SAC deve leiloar, até o final deste ano, mais quatro aeroportos à iniciativa privada: de Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Salvador (BA) e Fortaleza (CE). Conforme a pasta, uma demonstração da confiança no futuro do setor, no país, é que já foram realizadas 40 visitas por empresas estrangeiras e nacionais interessadas em participar arrematar esses terminais nos próximos leilões.
O consultor técnico da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), Victor Celestino, no entanto, destacou que resultados positivos para o setor dependem, também, da oferta de condições adequadas para a operação das companhias aéreas. Ele defendeu medidas anunciadas recentemente pelo governo federal, que aproximam as regras do mercado aéreo brasileiro às aplicadas em outros países, como a possibilidade de aumentar o capital estrangeiro nas empresas nacionais. Mas defende que o Brasil precisa ir mais longe: “o país precisa perguntar que aviação deseja: uma jabuticaba, como na década de 1990, ou uma aviação moderna, de baixo custo. E se é a segunda opção, precisamos de uma nova regulação. As propostas ainda estão tímidas”. “A Abear defende o estado eficiente, com referência aos órgãos de aviação no Brasil, para crescimento e aumento da produtividade do espaço aéreo”, complementou.
No entanto, a limitação orçamentária representa um desafio a novos investimentos e ao custeio público da atividade. Segundo o diretor-geral do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), tenente-brigadeiro do Ar Carlos Vuyk de Aquino, “para manter uma estrutura com visão de primeiro mundo, precisamos de recursos. E temos que fazer mágica com o que temos disponível para oferecer serviço de qualidade aos nossos usuários”, disse ele.
Jogos Olímpicos – Os preparativos do setor aéreo para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio 2016 também foram tema de destaque durante o evento. De acordo com o diretor de Gestão Aeroportuária da SAC, Paulo Henrique Possas, o Brasil já acumulou experiência com grandes eventos, desde a Rio+20.
No entanto, uma série de preparativos e simulações estão em andamento para garantir a normalidade das operações e o atendimento satisfatório aos passageiros. Isso decorre, por exemplo, das zonas de exclusão do espaço aéreo e fechamentos de aeroportos, da necessidade de garantir acessibilidade – em especial com a chegada dos atletas paralímpicos – e dos cuidados diferenciados com bagagens e cargas em geral, devido ao transporte de equipamentos que serão utilizados nas disputas esportivas.
“Os aeroportos de Guarulhos (SP), Santos Dumont (RJ) e Galeão (RJ), que serão os principais aeroportos, estão fazendo diversos simulados. Precisamos conhecer os fluxos de terminais, de atletas e de equipamentos”. Segundo ele, ao todo, serão 39 aeroportos e três bases aéreas envolvidas no planejamento para esse período.
O gerente de Operações da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Marcelo Lima, destacou que, assim como na Copa do Mundo de 2014, a reguladora vai intensificar a fiscalização sobre o cumprimento dos slots (janelas para pousos e decolagens). Desde 2014, a agência agravou a punição em caso de desrespeito aos horários. As multas chegam a R$ 90 mil para empresas comerciais e jatinhos. (Fonte: Agência CNT de Notícias – Natália Pianegonda)
Dilma perde 1º round do impeachment
Golpeado na Câmara dos Deputados, o mandato da presidente Dilma Rousseff foi convertido ontem à noite, depois do mais longo e nervoso domingo da história política brasileira, em um animal agonizante.
A estocada decisiva veio às 23h7min, pela voz do parlamentar Bruno Araújo (PSDB-PE), depois de nove horas de sessão. Representou a culminância e o desenlace de um conturbado período de quatro meses e meio que paralisou o país, levou multidões às ruas e dividiu a nação em duas facções.
Com o voto de Araújo, que provocou explosões de júbilo no plenário da Câmara e em muitos lares e ruas brasileiros, estava aceito o processo de impeachment contra Dilma. A ex-guerrilheira que entrou triunfalmente para a História como primeira mulher a assumir a Presidência conhecia o reverso da moeda. Era colocada diante da perspectiva de deixar o poder sem glória ou honra e de permanecer nos livros, para as gerações futuras, como a governante impopular e inábil enxotada do Palácio do Planalto apenas um ano e meio depois de amealhar 54,5 milhões de votos.
A derrota de ontem, no entanto, não é definitiva. Dilma segue presidente, pelo menos durante mais alguns dias, até que a batalha final seja travada em outro front, o Senado. Mas as perspectivas para o Planalto não são promissoras. Com o resultado na Câmara (onde só era necessário evitar que os votos favoráveis ao impeachment chegassem a dois terços dos deputados), o governo tornou-se um moribundo à espera da extrema-unção. No Senado, dominado pela oposição, bastará uma maioria simples para que o processo seja aceito. Se isso acontecer, algo de que nem mesmo governistas duvidam, Dilma será afastada do cargo máximo da nação.
Michel Temer, o vice sem apelo popular mas com intenso poder no xadrez dos bastidores, o peemedebista que traiu a fama de discreto para fornecer sem maiores disfarces o combustível que incendiou o impeachment, pode ingressar, assim, dentro de uns poucos dias, em uma galeria exclusiva. Pode tornar-se o novo presidente da República Federativa do Brasil.
A sessão que pôs à beira do precipício uma era de 13 anos de governos petistas começou às 14h, depois de dois dias de debates no plenário e de negociações por votos e consciências nos corredores de Brasília. Rumores de que o Palácio de Planalto, depois de uma última ofensiva liderada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, havia conseguido reverter a tendência pelo impeachment haviam feito a tensão explodir a partir da noite da véspera, e todo o tipo de boatos, notícias falsas e teorias conspiratórias encontraram terreno fértil para vicejar. Quando Cunha abriu a sessão, o Brasil estava eletrizado diante da TV ou em atos públicos que mobilizaram multidões em dezenas de cidades, a favor e contra o impeachment.
Na Câmara, os deputados se aglomeravam ao redor da mesa da presidência, empurravam-se, xingavam-se, exibiam cartazes contra e a favor de Dilma, gritavam slogans já surrados pela repetição. Em meio ao tumulto, o relator do impeachment, Jovair Arantes (PTB), teve dificuldades para engrenar seu discurso. Em seguida, foi a vez dos líderes de cada partido se pronunciarem. A votação propriamente dita começou apenas às 17h45min. Os primeiros a se manifestar seriam os parlamentares de Roraima, seguindo-se uma alternância entre Estados do Sul e do Norte, mas foi aberta uma exceção para Washington Reis, do PMDB do Rio de Janeiro – mesmo partido e mesmo Estado que os do presidente da Câmara. A quebra da ordem foi justificada por questões médicas – Reis estaria se recuperando de uma infecção pelo H1N1. Ele aproximou-se do microfone e bradou:
– Voto sim!
Na esplanada diante do parlamento, onde os grupos contra e a favor do impeachment aglomeravam-se, separados por um muro erguido para evitar conflitos, um dos lados vibrou, o outro lamentou. As comemorações alternaram-se durante o restante da votação, mas logo ficou claro que a disputa era desigual. Os votos pelo impeachment sucediam-se em ritmo frenético, quebrados de tempos em tempos pelas muito menos numerosas manifestações contrárias. Em Brasília e em outras partes do país, defensores do mandato começaram a dar sinais de desânimo. Na biblioteca do Palácio do Planalto, onde acompanhava a votação acompanhada de Lula, de alguns ministros e de governadores petistas, Dilma não tinha razões para alimentar esperanças.
Como é hábito no parlamento brasileiro, os deputados aproveitaram os instantes de exposição garantidos pelo momento do voto para fazer média com os Estados de origem e para dar alguma projeção ao próprio nome – o que rendeu as bizarria
do costume. Houve quem gritou, houve quem cantou, houve quem dedicou o voto à própria mãe e houve até quem errou o nome do partido a que pertencia. No meio da procissão infindável de justificativas repetitivas, alguns parlamentares conseguiram se destacar. Jair Bolsonaro (PSC-RJ) aproveitou a ocasião para invocar o general Carlos Alberto Brilhante Ustra (1932-2015), figura-chave nos porões da tortura durante a ditadura militar, associando o impeachment ao golpe de 1964:
–Perderam em 1964, perderam em 2016. Pelo Coronel Ustra, que Dilma tanto teme – disse ele.
Logo em seguida, outro parlamentar fluminense, Jean Wyllys (PSOL-RJ), também causou furor, manifestando posições opostas. Declarou-se “constrangido de participar de uma farsa conduzida por um ladrão e apoiada por torturadores e analfabetos políticos”, chamou colegas de “canalhas” e votou contra o impeachment “em respeito à população LGBT, aos negros dizimados nas periferias do país”. Ao deixar o microfone, disparou uma cusparada na direção de Bolsonaro. Errou o alvo, acertando outro deputado.
Com a aprovação do processo de impeachment, ficou reafirmada a excepcionalidade, na tradição brasileira, dos mandatos que emanam das urnas e são cumpridos do início ao fim. Desde a proclamação da República, em 1889, o país é palco frequente de golpes, de ditaduras, de renúncias, de mudanças de regime, de suicídio e de alterações nas regras do jogo para permitir a perpetuação de pessoas ou grupos no poder. O caso de Dilma reveste-se de peculiaridades que, aconteça o que acontecer, prometem manter o clima político instável – e deixar em aberto o veredito da História a respeito de sua provável deposição.
Em meio à revolta brasileira contra a corrupção, a presidente sofreu um impeachment não por incorrer nesse crime, mas por supostas manobras contábeis ilegais – as chamadas pedaladas ficais. O seu algoz foi um parlamento manchado, justamente, pela corrupção – personificada para amplas parcelas da população brasileira na figura do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, suspeito de manter em contas no Exterior milhões de dólares obtidos por meio de propinas. Atacado, vilipendiado e chamado de ladrão ontem, durante as manifestações de vários deputados, Cunha deu seu voto sob uma trilha sonora de vaias. Foi lacônico:
– Que Deus tenha misericórdia dessa nação. Eu voto sim – afirmou, mudando o placar para 230 votos contra 81.
A articulação de Cunha com o vice Michel Temer para levar o processo adiante e derrubar Dilma não colaborou em nada para apaziguar os acirrados ânimos nacionais – setores representativos da política e da sociedade estão convencidos de que o impeachment, nessas condições, não é mais do que um golpe de Estado.
Diante desse quadro, em lugar de acomodar, a votação de ontem pode radicalizar posições. Temer, que já vinha se manifestando como presidente e fazendo preparativos públicos para o seu provável governo, não dá sinais de que vá recuar. Do outro lado, os petistas e sua base de apoio dão mostras de que não vão se conformar facilmente – uma possibilidade, manifestada ontem por diferentes parlamentares, é que o partido lance uma campanha pela realização imediata de novas eleições para a presidência, talvez com Lula como candidato.
Nesse cenário complicado, ninguém põe em causa que a sessão de ontem na Câmara dos Deputados será vista sempre como um momento histórico marcante para o país – mas o que esse momento histórico vai significar ainda está para ser descoberto. (Fonte: Diário Catarinense – Itamar Melo)
Próximos passos serão cheios de tensão e muitas incertezas
Uma das grandes incógnitas após a votação pró-impeachment na Câmara é como será o primeiro dia do limbo vivido pela presidente Dilma Rousseff. Até o Senado definir seu destino, aceitando ou não a decisão da Câmara, o Brasil será governado por uma presidente que mantém tecnicamente os poderes do cargo, mas já não o exerce.
Parlamentares do PT próximos a Dilma não acreditam em gestos dramáticos, como uma renúncia, mas não descartam a possibilidade de Dilma incentivar o movimento em favor de novas eleições presidenciais. O diretório nacional do PT deverá discutir, amanhã, a proposta de Dilma encampar a luta por novas eleições. Isso seria feito por meio de um projeto de redução do próprio mandato a ser encaminhado ao Congresso, determinando uma nova votação ainda neste ano. Isso ocorreria independentemente do resultado da discussão em andamento entre deputados e senadores a respeito do crime de responsabilidade atribuído à presidente. A ideia deverá ser levada oficialmente ao Planalto nos próximos dias.
Já no impeachment de Collor, não houve situação semelhante à enfrentada por Dilma. Diante da iminência de ser vencido no plenário do Senado, Collor renunciou e deixou o governo. Agora, o plano de apoiar uma nova eleição ganha força pelo fato de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderar pesquisas recentes para o Planalto. Em um levantamento do Datafolha divulgado em 9 de abril, o petista alcançava 21% das intenções de voto, com Marina (Rede) em segundo lugar, com 19%, e Aécio (PSDB) em terceiro, com 17%.
Dilma se aproximará do povo, afirma deputada – Entre uma improvável renúncia e um possível apoio a uma nova disputa política, Dilma manifestou disposição de combater o impeachment enquanto for possível em conversas com Lula, ministros, governadores e deputados no fim de semana. Na hipótese de o processo de afastamento prosperar na Câmara, a ideia era reiniciar o quanto antes a luta pelo mandato.
Antes da votação, deputados defendiam que a presidente, independentemente do resultado, saísse pelo país em eventos com a militância petista a fim de saudar sua vitória ou criticar o que consideram um “golpe” articulado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB–RJ), e pelo vice-presidente Michel Temer.
– A presidente vai falar que não quer Temer e Cunha comandando o país – garantiu a deputada Maria do Rosário (PT–RS).
Segundo o deputado Marco Maia (PT-RS), o governo deverá recorrer ao STF mais uma vez na tentativa de anular a votação da Câmara. Mesmo que o Planalto não alimente grande expectativa de uma intervenção da Corte, seria uma forma de marcar posição e atrasar o início da apreciação pelo Senado. É na casa vizinha que as articulações se intensificam a partir de hoje. Romero Jucá (PMDB-RR), avisa que a comissão deve ser instalada 48 horas após o relatório da Câmara chegar à Casa.
Para parlamentar, Temer não vai nomear ministros – Diante do prazo exíguo e da dificuldade em obter maioria para evitar a abertura do processo de afastamento de Dilma, já há no horizonte do PT outra manobra judicial. O objetivo seria proibir Temer de tomar medidas administrativas durante o período de 180 dias em que o processo deve ser julgado no Senado.
– Se Dilma for afastada, o jogo não está perdido. Quem diz que o Temer poderá nomear ministros? Ele será presidente interino, não assume para governar, mas para ficar na presidência enquanto Dilma se defende – diz Marco Maia.
A estratégia a partir de hoje inclui reforçar a tese de vincular Michel Temer a um ato de vingança de Eduardo Cunha, réu na Lava-Jato, contra o governo. (Fonte: Diário Catarinense)
Grupo de senadores deve pedir eleições antecipadas
Um grupo de seis senadores pretende propor eleições antecipadas para presidente e vice-presidente do Brasil. A ideia é aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) no Congresso para que a escolha ocorra em outubro, com o pleito para definir os novos prefeitos e vereadores.
A iniciativa parte de Randolfe Rodrigues (Rede), João Capiberibe (PSB-AP), Lídice da Mata (PSB-BA), Paulo Paim (PT-RS), Cristovam Buarque (PPS-DF) e Walter Pinheiro (ex-PT-BA, agora sem partido). Os quatro primeiros se manifestaram contra a abertura do impeachment no Senado, que implicaria o afastamento de Dilma por 180 dias, enquanto Cristovam Buarque é a favor e Pinheiro não se posicionou.
No grupo, há consenso de que qualquer desfecho do processo não resolverá a crise no país, tornando-a mais grave e aprofundando a divisão da sociedade. Setores do PT agora também se dizem favoráveis à ideia. Principal articulador de Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ficou praticamente afônico ontem de tanto falar ao telefone tentando reverter votos pró-impeachment, já da aval à ideia e orienta petista a fazerem o mesmo.
Cristovam Buarque afirma que a solução não envolve somente a aprovação de uma PEC, mas a concordância de Dilma e do vice Michel Temer para evitar que a questão vire impasse no Judiciário:
– Mesmo que tenhamos dois terços da Câmara e dois terços do Senado (placar necessário para mudanças na Constituição), se eles entrarem no Supremo, pode ser que a Corte considere que ferimos cláusula pétrea.
Rejeição a temer reforça aposta por movimento – O grupo de congressistas vê possibilidade de um movimento nacional pelas eleições “pegar” diante das dificuldades que se apresentam tanto para a continuidade do governo Dilma quanto para o início de uma gestão Temer.
– Nenhum dos dois lados tem condições de conduzir o país a uma situação melhor. Sem a legitimidade das urnas, eu não acredito – opina Buarque.
A partir de hoje, PT, aliados e movimentos sociais devem iniciar investida para desgastar politicamente Temer e seu grupo.
O PT debate a possibilidade de coletar assinaturas em campanha nacional pela tramitação da PEC eleitoral. A estratégia, chamada de “contragolpe”, é conseguir amplo apoio popular, pressionando o Congresso a votar a proposta. Pesquisas de opinião mostram que a rejeição a Temer é tão grande quanto a de Dilma, o que, em tese, ajudaria o movimento a crescer.
Em conversa com jornalistas, a própria presidente admitiu “respeitar” uma solução para a crise que passe pelo voto popular. A alternativa agradaria não só o PT, mas partidos como o PSDB. (Fonte: Diário Catarinense)
A era PT chega ao fim
Depois de 13 anos no comando, o partido da estrela começa a deixar o poder derrubado pela votação a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O processo ainda precisa passar pelo Senado, mas é muito difícil que os senadores governistas tenham fôlego para barrar a onda pró-impeachment que ganha ainda mais força a partir de hoje. Dono de um incrível senso de sobrevivência, ninguém imagina que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se arrisque a morrer abraçado ao PT.
Oficialmente, o motivo são as pedaladas fiscais. Na prática, Dilma é derrotada pela crise econômica, pelo envolvimento dos petistas nos escândalos de corrupção e pela própria falta de habilidade política. Orgulhosa da fama de durona, ela sempre desprezou o contato direto com os deputados e, de uma hora para outra, precisou descer do pedestal para implorar apoio. E começou tarde demais. Por arrogância ou excesso de confiança, a ofensiva do Planalto se concentrou no final de semana. O grupo do vice-presidente Michel Temer porém, já estava em campo. Dos dois lados, o argumento era o mesmo: distribuição de cargos. Temer, com sua perspectiva de poder e reconhecido por cumprir acordos, foi mais convincente.
Apesar de ampla, a base de apoio do governo petista nunca foi fiel. Enquanto a presidente contava com alta taxa de popularidade, o Planalto patrolava. O que não foi mais possível, a partir do momento em que as ruas começaram a gritar “Fora Dilma”.
Um vice-presidente, que não passa de 1% das intenções de voto para uma eleição presidencial, ganhou a queda de braço. Em tese, o apoio da Câmara estará garantido no período de transição. O grande desafio de Temer será implementar de fato um governo de unidade nacional, como promete aos quatro ventos. O PT já avisou que não baixará a guarda ou mesmo o reconhecerá como presidente. Os próximos dias, de articulações no Senado e possível afastamento de Dilma depois das conclusões da comissão especial, serão de tensão ainda maior. (Fonte: Diário Catarinense – Carolina Bahia)
Opção pela mudança
Ao decidir pela aprovação da admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff, a Câmara Federal não apenas transfere para o Senado a decisão de interromper o governo do Partido dos Trabalhadores, como determina a Constituição, mas também reflete o sentimento de indignação dos brasileiros com a crise econômica, com a corrupção e com o mau gerenciamento do país. As pedaladas fiscais foram apenas o pretexto jurídico. O que mais pesou no voto dos parlamentares, excluindo-se os interesses partidários e a disputa pelo poder, foi a certeza de que o governo enfrenta uma crise de popularidade como consequência de sua arrogância, de seus erros e de suas omissões.
Mesmo desconfiando dos eventuais sucessores, que também não gozam da melhor reputação, os brasileiros querem mudanças – e o parlamento age em sintonia com a vontade inequívoca da maioria da população.
Caberá agora ao Senado chancelar ou não a decisão da Câmara, o que será feito com maioria simples. Qualquer que seja a decisão, é imprescindível que os defensores da continuidade ou da mudança tenham grandeza para aceitar o resultado e para se posicionar adequadamente na sociedade brasileira – sem conflitos, sem violência e com o espírito democrático que
país exige de seus cidadãos. (Fonte: Diário Catarinense – Editorial)


