Florianópolis, 25.11.15 – Fiquei surpresa ao ler, ontem, que o Brasil é um dos países que têm estatística de doação de sangue inferior à proposta pela Organização Mundial da Saúde. Segundo a OMS, a autossuficiência em componentes sanguíneos é obtida quando o número de doadores for de 3% a 5% do total da população. E nós estamos muito mal: Não chegamos nem a 2% de doadores, para atender a toda a demanda de transfusões que necessitamos. Hoje comemora-se o Dia Internacional do Doador de Sangue, data muito apropriada para mais uma vez ressaltar que este gesto tão simples pode salvar a vida de muitas pessoas — e, quem sabe, um dia salvará a sua também.
O hematologista Dante Langhi, um dos diretores da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), ressalta que o brasileiro não tem cultura de doar sangue, mas que este é um ato imprescindível, pois possibilita o tratamento de inúmeros pacientes. A doação é rápida e pode ser realizada até quatro vezes ao ano, no caso dos homens, e até três vezes para as mulheres. Além disso, cada doador voluntario pode — e deve — ser um agente multiplicador. Pessoas saudáveis, entre 16 e 69 anos, podem ser potenciais doadores de sangue.
Em Santa Catarina, muitas entidades estão se mobilizando para participar deste Dia Internacional do Doador de Sangue. O Sest Senat, ligado ao setor de transportes, criou até um slogan: “Compartilhe Vida. Seja Doador”, e a campanha para aumentar as doações iniciou ainda na semana passada, em Blumenau, e agora prossegue na Capital e em Lages. Várias outras entidades também terão programação especial durante todo o dia. Só assim, com a ajuda de todos, o Brasil conseguirá atingir a meta recomendada pela OMS sobre o número ideal de doadores. (Fonte: Diário Catarinense – Viviane Bevilacqua)
Rodovia do Frango
Enquanto as duplicações de rodovias não avançam em SC, o governo federal tem pressa em tirar cargas do Estado e levar ao Porto de Paranaguá, no Paraná, o que reduzirá as receitas dos portos de SC e a arrecadação de ICMS no Estado. Segundo o site do Valor, o ministro Nelson Barbosa disse que um dos trechos que estão em análise desde agosto no Tribunal de Contas da União é o da Rodovia do Frango, de 460 quilômetros, entre SC e Paraná. Ganhou até nome alusivo, enquanto a Ferrovia do Frango não tem data para sair. A concessão prevista é do trecho BR-476/153/282/480/PR/SC. Políticos do Estado alertam para esse risco. É preciso mais pressão para obras aqui. (Fonte: Diário Catarinense – Estela Benetti)
Dagmara Spautz: Defesa Civil nacional nega decreto de emergência em Itajaí e atrasa dragagem
A Defesa Civil Nacional, ligada ao Ministério da Integração, não aceitou as justificativas do decreto de emergência de Itajaí, publicado em outubro, que embasava o pedido de dragagem emergencial no canal de acesso com Complexo Portuário do Itajaí-Açu. A informação partiu da Secretaria Especial de Portos da Presidência da República (SEP), que aguardava apenas a homologação do decreto para autorizar o início das obras, avaliadas em R$ 68 milhões.
A recusa caiu como um balde de água fria no setor portuário e obrigou a SEP a propor um plano B: um novo edital de licitação, desta vez seguindo os trâmites normais em Regime Diferenciado de Contratação ( RDC), será lançado. Oficialmente, o prazo é até o fim de dezembro. Mas acredita-se que a concorrência possa ser publicada ainda nesta semana, já que o ministro Helder Barbalho prometeu celeridade no processo.
O fato é que, com a falta de homologação da Defesa Civil Nacional, o primeiro edital de contratação de emergência, feito apenas com tomada de preços (e que já tinha empresa vencedora), perde a validade.
Técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias ( INPH), que assinam o estudo prévio e o anteprojeto da obra, estão readequando os documentos ao novo edital de licitação, que terá que ser mais detalhado do que o primeiro.
O RDC é um modelo recente de concorrência pública que agilizou processos e reduziu prazos na contratação de obras públicas – que chegavam a demorar quase um ano no governo federal e agora são feitas entre 60 e 90 dias. O problema é que, com a licitação lançada sem o decreto de emergência, a dragagem é automaticamente empurrada para o ano que vem, e sobra ao trade torcer para que os próximos meses não sejam de chuva forte e correntezas no Vale do Itajaí.
Segundo os cálculos do INPH, 3,8 milhões de metros cúbicos de sedimentos terão que ser retirados do canal. (Fonte: Diário Catarinense)
Acidente deixa dois mortos e três feridos na marginal da BR-101, em São José
Duas pessoas morreram e outras três ficaram feridas após um acidente na marginal da BR-101, no bairro Picadas do Sul, em São José, na Grande Florianópolis, durante a madrugada desta quarta-feira. De acordo com a Polícia Militar, um veículo Parati, com placas de Palhoça, colidiu com um caminhão parado.
O acidente ocorreu por volta de 4h20min no quilômetro 211, no sentido Norte da rodovia. Os feridos foram encaminhados para o Hospital Regional de São José pelo Corpo de Bombeiros e pelo Samu. Dois deles estão em estado grave, enquanto o terceiro apresentava ferimentos mais leves. (Fonte: Diário Catarinense)
Previdência em pauta
Discretamente, os integrantes das juntas para julgamento de recursos administrativos da Previdência Social brasileira estão reunidos nos Ingleses, norte da Ilha de SC. São cerca de 100 profissionais que, somente em 2014, julgaram 462 mil recursos administrativos de gente questionado todo o tipo de revisão de benefícios e aposentadorias. A média dos recursos, espécie de corte de pequenas causas que evita a judicialização dos processos, leva em torno de 85 dias, mas a intenção é acelerar ainda mais as decisões.
Histórias no Palácio – Atentas, as crianças de três escolas públicas de Santa Catarina assistiram a uma sessão de poesias e contação de histórias para comemorar o aniversário de 154 anos do Poeta Cruz e Sousa, no palácio que leva o seu nome, em Florianópolis. Ao todo, entre estudantes e público em geral, a atividade reuniu cerca de 180 pessoas. Mérito da turma da Academia Brasileira de Contadores de História, que encantou a galerinha com a vida e obra do mestre do simbolismo.
Enquanto isso… – O secretário estadual de Turismo, Cultura e Esporte, Filipe Mello, que também acompanhou a visita, aproveitou para anunciar que o Museu Histórico de SC (dentro do Palácio Cruz e Souza) sediará uma grande exposição para narrar a história do Estado, contando o processo de formação do território, conflitos e passagens importantes que marcaram a história dos catarinenses. (Fonte: Diário Catarinense – Rafael Martini)
Cruz trouxe seu vento
Cruz e Sousa veio do espaço etéreo, chamado pelas homenagens de seu aniversário, joviais 154 anos.
O poeta chegou nas asas do seu vento particular, o vento sul, refrescando a Ilha e fazendo vibrar as vidraças, sob a luz bruxuleante de um lampião, ali na esquina de Conselheiro Mafra com Trajano — no seu tempo, Rua do Príncipe com Rua do Livramento.
Dobrei-me, reverente, diante do Príncipe do Simbolismo e tive a comichão de saudar o negro com uma de suas notáveis aliterações e jogos vocálicos:
— Que vozes veladas, veludadas vozes te saúdem ó poeta dos violões que choram!
Percebi que a luz não vinha de um lampião, mas de uma prosaica luminária de mercúrio, que tornava lívida a face do poeta e prateava a sua carapinha.
— E aí, meu Cruz, como têm sido esses teus anos de eternidade?
Número encantado estes 117 anos, durante os quais o poeta libertou-se das crises terrenas em março de 1898. Aureolado pela luz dos seres evoluídos, já não sente a agonia das hemoptises, a dor da tuberculose ou do preconceito, o sofrimento da vida foi recompensado pelo repouso da morte e pela elevação do espírito.
A dor que hoje deveras sente ainda é pelos que aqui vivem e padecem das feridas do existir. Cruz, onde hoje está, não precisaria subscrever os versos de “Vida obscura”:
“Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,
Ó ser humilde entre os humildes seres.
Embriagado, tonto de prazeres,
O mundo foi para ti negro e duro.”
O bigode azulado pela luz fria, o “bombril” grisalho brilhando sob um facho da luminária, o poeta me saudou com olhos compassivos.
E depois moveu os lábios, para as primeiras palavras:
— Desterro está mudada. Superpovoada. Vejo a pobreza descendo os morros para a periferia da vida. A luta pela sobrevivência apenas se acirrou, sem se humanizar. Ah, meu amigo, o homem continua sendo um lobo carnívoro que se alimenta da carne dos mais fracos…
O poeta está triste porque sabe que a crise penaliza os mais pobres e os destituídos, chamando desgraças que se espalham pelo mundo, como uma peste.
— É iníquo que os que nada usufruíram paguem pelos perdulários!
O negro divino coçou a carapinha, agradeceu as homenagens e reassumiu o seu posto no panteão dos poetas, declamando o verso final do “Velho vento”:
“Eu quero perder-me a fundo
No teu segredo nevoento,
Ó velho e velado vento,
Velho vento vagabundo!”
(Fonte: Diário Catarinense – Sérgio da Costa Ramos)
Carolina Bahia: Esplanada sob tensão
Os investigadores podem até negar que o ex-presidente Lula seja o foco principal das novas etapas da Lava-Jato, mas em Brasília é difícil achar um petista que não esteja preocupado com os rumos da operação. Nos bastidores, o temor é que o empresário José Carlos Bumlai, preso pela Polícia Federal, resolva apelar para a delação premiada, abrindo um passado de quem foi bem próximo do ex-presidente. Acusações contra Lula detonariam diretamente a imagem do PT e, por consequência, piorariam ainda mais a situação política da presidente Dilma. No próprio despacho para a prisão de Bumlai, o juiz Sérgio Moro afirma que não há provas de que o ex-presidente estivesse envolvido em ilícitos. Mesmo assim, o dia foi de tensão na Esplanada.
Picadeiro – O plenário do Conselho de Ética virou o palco principal da Câmara para deputados interessados nos holofotes. Titulares e suplentes se acotovelavam ontem na sala que ficou pequena para tanto público. Foi o caso dos deputados petebistas Arnaldo Farias de Sá (titular) e Sérgio Moraes (suplente). Aliado de Eduardo Cunha, o líder do PTB, Jovair Arantes (PTB-GO) tentou ontem uma manobra para trocar Arnaldo por Moraes, mas o titular não arredou pé.
Cargas – A Secretaria de Aviação Civil ainda não abandonou a ideia de transformar o aeroporto de Navegantes em um terminal de cargas. O deputado Mauro Mariani (PMDB), que ontem participou de reunião com o ministro Eliseu Padilha, adianta que a obra da pista depende de desapropriação de famílias. A prefeitura participou do encontro.
Especial – Também ficou acertado que a Receita Federal poderá organizar um atendimento no Aeroporto de Navegantes em horários pré-determinados. Neste caso, seria para o recebimento de voos charter.
De saída – Depois de seis anos de Advocacia Geral da União, Luís Inácio Adams vai deixar o cargo. Ele ainda precisa acertar a saída com a presidente Dilma Rousseff, que já começou a procurar um outro nome. Adams esteve à frente, por exemplo, de toda a defesa das pedaladas no Tribunal de Contas da União (TCU).
Deu ciúmes – Ex-ministro das Comunicações e atualmente na Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini (PT) fez de tudo para cancelar a cerimônia do Palácio do Planalto que oficializou os valores da migração das rádios AM para FM. Ele chegou a defender que o ato fosse transformado em uma audiência pública. O novo ministro, André Figueiredo (PDT), foi ovacionado pelos empresários presentes ao evento pela agilidade no caso. (Fonte: Diário Catarinense)
Indígenas
A Constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa para investigar fraudes nos laudos que resultaram na demarcação da Reserva Indígena do Morro dos Cavalos está sendo articulada pelo deputado Vicente Caropreso (PSDB). Além dos ilícitos já levados ao STF, questiona o veto da Funai ao projeto da Ferrovia Litorânea. A Funai exige ali um túnel com 50 quilômetros de extensão.
A padroeira – Arcebispo dom Tarasios (E), primaz da Igreja Ortodoxa Grega na América Latina, cumpre roteiro de visitas a Florianópolis, prestigiando celebrações do Dia de Santa Catarina. Transferiu a relíquia da padroeira do Estado da capela do Tribunal de Justiçapara a Catedral. Esteve reunido com o arcebispo dom Wilson Jönck, que hoje celebrará missa solene, às 18h30, em comemoração à data da padroeira do Estado. (Fonte: Diário Catarinense – Moacir Pereira)
Prefeitura de Florianópolis recebe estudo sobre área de construção de marina
O plano para a construção de uma marina em Florianópolis, na avenida Beira-Mar Norte, avançou um novo passo. Nesta terça-feira a Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (Acif) entregou à prefeitura um estudo técnico produzido pela empresa norte-americana CB&I, que inspecionou as condições da área marítima onde o poder público pretende construir a estrutura: entre o trapiche (Praça Portugal) e a estação da Casan (Praça Sesquicentenária).
O documento foi entregue pelo presidente da entidade, Sa
der DeMira, à secretária de Turismo de Florianópolis, Zena Becker. O estudo traz informações ideográficas (sobre a profundidade do mar na região em que se prevê a construção da marina) e geofísicas (sobre a existência de rochas e descontinuidade de terreno no leito marinho). A pesquisa, que começou em 2014 e foi custeada pela Acif, deve subsidiar a prefeitura e empresas interessadas em posteriores projetos de engenharia.
Segundo o oceanógrafo Rodrigo Barletta, da CB&I, não estão descartadas a necessidade de aterramento e derrocamento da área, o que pode elevar os custos de investimento. Ele ressalta também que o estudo resultou num “projeto conceitual”. Ou seja, resta ainda saber quais tipos de embarcação – de pequeno, médio ou grande porte – serão abrigados na marina para se planejar um projeto final.
Durante o encontro, Zena Becker afirmou que a previsão para a largada do procedimento para manifestação de interesse (PMI) de parceria público-privada será no começo de dezembro. Após isso serão mais quatro meses para apresentação de projetos pelas empresas interessadas e mais trinta dias para análise das propostas por parte da prefeitura. O processo licitatório só ocorrerá depois destas etapas.
– A PMI já está redigida. Agora resta resolver alguns problemas quanto à segurança jurídica do projeto. Já fizemos visitas aos principais órgãos reguladores e fiscalizadores e também estamos trabalhando para obter o licenciamento ambiental junto à Fatma – disse a secretária.
DeMira comentou que Florianópolis tem um grande mercado turístico e comercial a ser explorado pela vocação náutica da cidade:
– Estamos em uma ilha que não consegue desenvolver toda sua capacidade marítima porque não há estrutura para absorver a demanda, que na alta temporada supera duas mil embarcações. Por isso é urgente a continuidade de projetos como este.
(PMI) de parceria público-privada será no começo de dezembro. Após isso serão mais quatro meses para apresentação de projetos pelas empresas interessadas e mais trinta dias para análise das propostas por parte da prefeitura. O processo licitatório só ocorrerá depois destas etapas.
– A PMI já está redigida. Agora resta resolver alguns problemas quanto à segurança jurídica do projeto. Já fizemos visitas aos principais órgãos reguladores e fiscalizadores e também estamos trabalhando para obter o licenciamento ambiental junto à Fatma – disse a secretária.
DeMira comentou que Florianópolis tem um grande mercado turístico e comercial a ser explorado pela vocação náutica da cidade:
– Estamos em uma ilha que não consegue desenvolver toda sua capacidade marítima porque não há estrutura para absorver a demanda, que na alta temporada supera duas mil embarcações. Por isso é urgente a continuidade de projetos como este. (Fonte: Diário Catarinense – Luis Antonio Hangai)
ONU: 2015 pode ser o ano mais quente registrado na história
O ano de 2015 pode ser o mais quente registrado até hoje e temperatura média da superfície pode superar a barreira simbólica de 1°C de aquecimento desde a era pré-industrial (1880-1899), afirma um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM).
“A tendência que se desenha para 2015 permite supor que este ano será o mais quente já registrado”, afirma o texto.
“A temperatura média na superfície do globo superará sem dúvida a barreira (…) de um grau centígrado em comparação com a era pré-industrial”, acrescenta o estudo da agência da ONU com sede em Genebra.
Em seu relatório divulgado a uma semana da Conferência sobre o Clima de Paris (COP21), a OMM igualmente indica que os anos de 2011 a 2015 representam o período de cinco anos mais quente jamais registrado, assim como em termos de fenômenos meteorológicos extremos – em particular ondas de calor – influenciado pelas mudanças climáticas. (pjt/fp) (Extraído do Portal Diário Catarinense)
Terremoto é sentido em cidades do norte do Brasil, mas não há relatos de vítimas
Um abalo sísmico atingiu nesta terça-feira o Peru, com epicentro a 175 quilômetros da cidade de Iberia, no sudoeste do país. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), o tremor atingiu magnitude 7,6 na escala Richter.
Às 20h45min, pelo horário de Brasília, o evento foi registrado pela Rede Sismográfica Global (Iris-GSN) e sentido em quase todas as cidades do Acre. Também houve relatos de tremores leves nos Estados vizinhos de Rondônia e Amazonas.
O escritório geológico dos Estados Unidos divulgou que o território mais bruscamente atingido se encontra em uma área peruana de floresta, habitada por menos de mil pessoas. Não houve relato de nenhum registro de vítimas ou prejuízos mais graves em propriedades tanto no Peru como no Brasil.
Em Santa Rosa do Purus, um município acriano isolado, os relatos de abalos sísmicos começaram já à tarde. O primeiro foi às 16h, com magnitude de quatro graus; o segundo, às 20h50min, com magnitude de 7,3 graus; e o terceiro, às 21h44min, de 4,9 graus. O registro foi feito pelo horário de Brasília no Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP).
Em vários pontos da capital, Rio Branco, o tremor chamou a atenção da população local. Em universidades, alunos saíram rapidamente das salas de aula assustados com o fenômeno. Nas redes sociais, vários vídeos mostravam produtos caindo de prateleiras. Para especialistas, trata-se de um episódio raro.
— O movimento da placa tectônica de Nazca gerou uma situação incomum para a região — afirmou o professor de Ciências Ambientais da Universidade Federal do Acre, Foster Brown.
O comandante do Corpo de Bombeiros do Acre, Carlos Gundim, afirmou ao site G1 que não havia registro de danos em Rio Branco.
— Apenas pessoas assustadas pedindo fiscalizações em prédios — disse.
Em Porto Velho, capital de Rondônia, a população relatou o esvaziamento de prédios mais altos, mas em nenhum momento houve relatos de vítimas ou feridos.
— O fato de o epicentro ter sido a mais de 600 quilômetros foi importante para não ter acontecido algo muito mais grave — ressaltou Foster Brown.
Outro ponto importante foi que a parte mais violenta do abalo se concentrou a 592 quilômetros de profundidade, o que favorece a dissipação da energia antes de chegar à superfície. Um terremoto de 6,9 pontos de magnitude libera a mesma energia que 17 bombas atômicas similares a que destruiu a cidade japonesa de Hiroshima em 1945 — também o equivalente à explosão de 335.805 toneladas de TNT. (*AFP – Extraído do Portal Diário Catarinense)
Promotor Ricardo Paladino prevê novos recordes de homicídios e desabafa: O Estado virou as costas para Joinville
O recado não poderia ser mais claro: se medidas não forem tomadas com urgência, Joinville continuará batendo recordes de homicídios ano após ano. Quem alerta é o promotor de Justiça Ricardo Paladino, titular da 1ª Promotoria em Joinville, que atua há mais de quatro anos nas sessões do júri na cidade e representa o Ministério Público no comitê regional de segurança.
Ele divide com outros dois promotores a tarefa de receber os inquéritos policiais dos chamados crimes contra a vida para levar os responsáveis à Justiça. Joinville já soma 108 assassinatos desde o começo do ano – em 2014, foram 104 – e Paladino avisa que a polícia não dá conta de investigar sequer a metade da metade dos crimes com eficiência. Falta e estrutura e efetivo.
O governo do Estado, nas palavras dele, “virou as costas para Joinville” e hoje a cidade vive “uma roda viva da impunidade”. Em entrevista ao jornal “A Notícia”, o promotor comenta que há uma guerra entre facções, critica a falta de envolvimento das lideranças políticas da cidade e lamenta que a tentativa de se conseguir reforço policial por determinação judicial tenha sido frustrada.
Paladino afirma que a criação de uma delegacia especializada em homicídios poderia dar fôlego à cidade, além da constituição de uma vara criminal para julgar homicídios e tentativas de homicídios.
A Notícia – Joinville bateu mais um recorde de homicídios neste ano. Como o senhor avalia a violência na cidade?
Ricardo Paladino – O cenário me preocupa não só pelos números, mas porque era previsível. Não chegamos ao fundo do poço ainda, pois temos muito a piorar com o sistema que está aí. Teremos mais crimes, ano após ano, diante da inércia do Estado em relação à recomposição dos efetivos das polícias civil e militar. Joinville vive uma situação caótica, não só pela falta de policiamento na rua, mas especialmente por que poucos crimes são investigados. E, daquilo que é investigado, pouco resulta em denúncia pela falta de qualidade das investigações. Vivemos uma roda viva da impunidade. As pessoas cometem crimes e esses crimes não são apurados. Quando isso ocorre, não são suficientemente esclarecidos. Assim, não permitem ao MP oferecer denúncia ou não se permite uma condenação no Judiciário. E acaba redundando em um sentimento de que o crime aqui não tem consequência. E não tem. Entre homicídios consumados e tentados, sequer um quarto do total tem investigações que permitem oferecer denúncia. É uma porção ínfima de condenações em relação ao número de crimes. Não faço uma crítica às polícias. Pelo contrário. Me associo ao grito dessas instituições. Delegados e agentes vivem uma angústia porque queriam fazer mais e não conseguem por falta de material humano. Não existe uma estrutura minimamente adequada para dar conta da vazão. Em Joinville, não existe o mínimo trabalho de investigação criminal em relação a homicídios.
Especialização
– Florianópolis, historicamente, sempre teve um número de homicídios maior ou próximo ao de Joinville. O que acontece para que estejamos perto de registrar o dobro da Capital? Lá, o Estado começou a atuar com eficiência. Há uma DP de Homicídios e uma vara do júri. Todo homicídio lá é investigado pela mesma DP, que tem um corpo de policiais treinados exclusivamente para tratar de homicídio. Conhecem nomes, apelidos, a forma de agir das organizações criminosas. Por isso, o índice de resolutividade na Capital é muito elevado. A informação está concentrada. Em Joinville, uma investigação fica no Comasa, outra no Morro do Meio. Não se troca informação. Na Capital, há uma vara que só trata de crimes contra a vida. Como tem menos processos, o juiz dá atenção total a esses crimes. A 1ª Vara Criminal de Joinville, no mesmo dia em que faz uma audiência de um homicídio complexo, faz uma tentativa de furto no mercado. Apesar de termos os piores números de SC, o Estado virou as costas para Joinville. Aqui não há a mínima expectativa de que se tenha, em um período curto, uma DP especializada em homicídios e uma unidade judicial. Enquanto estivermos sem efetivo para investigação, sem DP especializada e sem uma unidade judicial de crimes contra a vida, vamos continuar batendo recordes de homicídio.
AN – Promotores tentaram, via Justiça, garantir mais agentes e delegados para Joinville. Como não foi possível, há frustração?
Paladino – Me sinto frustrado, desmotivado. Aquela ação foi um grito de desespero dos promotores de Joinville. Verificamos onde estão as fragilidades em cada instituição. Chegou o momento em que nós, promotores, não temos mais como cobrar das polícias números melhores porque eles chegaram aos seus limites. Tivemos no campo político algumas iniciativas. Levamos pleitos a deputados, governantes, secretário de Segurança Pública, secretária de Justiça e Cidadania. Não se resolveu. Nos prometiam soluções e sequer se deram ao trabalho de responder aos ofícios do comitê de segurança. A ação judicial foi a última medida para fazermos alguma coisa. Estamos de mãos atadas, vendo o crime acontecer na nossa porta sem ter o que fazer. Infelizmente, a decisão favorável de primeiro grau foi revista pelo tribunal e voltamos à estaca zero.
Descrença
– Na primeira reunião do comitê de segurança, há dois anos, disse ter certeza de que a situação iria piorar. Dois deputados me fizeram contraponto de que nunca se fez tanto pela região. E não deu outra. Piorou muito. Joinville vive à beira de um descontrole absoluto. As pessoas não acreditam, sequer fazem BO e o crime está cada vez mais forte. A hora que SC acordar para reagir, não haverá mais tempo.
AN – Como os inquéritos, as investigações chegam ao MP?
Paladino – Os inquéritos chegam com muitas falhas, muito deficientes, justamente pela falta de estrutura. Numa investigação de homicídio, você consegue resultado positivo nos primeiros minutos e horas após o crime. Na medida em que vai esfriando, a comoção diminui e o medo de represálias aumenta. As pessoas não têm mais interesse em colaborar. Como as investigações aqui ocorrem, às vezes, meses ou até anos após o crime, o resultado é nulo. Dosinquéritos que recebo, em boa parte, tenho que pedir que voltem para se colher mais provas. Não é incomum que eu rec
ba inquéritos sem o mínimo de prova. Tenho manifestações nos processos em que peço socorro porque não aguento mais ver isso. Faço muito mais pedidos de arquivamento do que denúncia por homicídio. A maioria dos processos com resultado útil é quando alguém é preso em flagrante.
AN – A atuação da PM no pós-crime supre a deficiência da Polícia Civil?
Paladino – Não supre, complementa. É uma alternativa que se busca para se dar um respaldo a mais a um início de investigação. O que também contribui são as poucas câmeras de segurança que temos. Seria muito útil se efetivamente houvesse a instalação de mais câmeras. Mas esse trabalho da PM é quase um sopro de esperança diante dessa total inatividade do Estado.
AN – E a atuação das facções em Joinville está ligada à proporção de homicídios?
Paladino – Seguramente. Tenho certeza de que boa parte dos homicídios envolve pessoas que têm atuação no tráfico, seja como traficante, como usuário. Hoje é nítida a guerra do PGC e PCC em Joinville. É um equívoco dizer que estão morrendo bandidos e está tudo bem. Não é verdade. O cidadão de bem já está se vendo alvo desses bandidos. Tem locais hoje em que as pessoas andam praticamente livres, armadas, amedrontando a população. Isto gera efeitos que não tem nada a ver com o crime. Efetivamente, há uma guerra de facções e boa parte das vítimas está envolvida. Mas, na medida que se permite que bandido mate bandido, eles vão se dar ao direito de julgar quem é bandido ou não. E vão matar pessoas que nada têm a ver com o crime.
AN – Como é o enfrentamento ao tráfico?
Paladino – Se no crime contra a vida o Estado não consegue dar uma resposta, imagina na investigação do tráfico de drogas, que é muito mais complexo do que apenas na esfera criminal. É muito mais fácil, com um gesto pequeno, interromper os crimes contra a vida do que os crimes de drogas. Os crimes têm relação, mas não são interdependentes. As pessoas matam menos na Capital porque sabem que tem mais resposta. E matam mais em Joinville porque sabem que tem menos resposta aqui.
AN – O Jardim Paraíso registra um grande número de mortes em Joinville. Há uma leitura particular?
Paladino – No Jardim Paraíso existem dois problemas. Estive lá, me reuni com entidades e lideranças comunitárias. Ali se encontram muito fortes as células do PGC e PCC convivendo. A avenida Júpiter praticamente divide a atuação das quadrilhas. Ocorre uma disputa forte pelos pontos de droga e pela briga de facções. Outro problema é a questão geográfica. A droga não precisa entrar por via terrestre, pode entrar por barco. A posição geográfica do bairro se comunica com São Francisco, com Itapoá. Isso dificulta o trabalho da polícia. E a fuga do bairro é muito fácil. As barreiras não têm efeito prático.
Falácias
– O Estado faz políticas, falácias contadas, para iludir a população. Como a força-tarefa que não teve resultado prático nenhum. Temos os mesmos números de homicídios, não melhorou nada, não esclareceu nada. Durante duas semanas, veio um grupo a mais de PMs que ficou em alguns bairros fazendo blitze. Vieram também alguns policiais civis que nas delegacias daqui não significa absolutamente nada, especialmente pelo pouco tempo em que ficaram.
AN – O senhor manifesta opiniões críticas, faz apelos. Sente que há coro?
Paladino – Nossas lideranças políticas estão quase complacentes com o que está acontecendo. Não vejo mobilização na Assembleia, vejo pouca movimentação dos nossos parlamentares em relação ao tema. Eles teriam a obrigação de exercer o trânsito que têm com o governo para pedir esses justos pleitos ao Norte do Estado e não o fazem. Nosso comitê temático tenta desde o ano passado uma reunião com o governador e isto nunca acontece. Temos falhas gravíssimas no sistema penitenciário. Hoje, o nosso scanner corporal não existe, então a droga entra de forma muito fácil no presídio. O celular entra, os criminosos fazem contato. O governo sabe de tudo e nem responde aos ofícios. Não peço para mim, peço para Joinville.
Providências
– Vivemos uma grande crise, mas temos muita gordura que poderia ser queimada. Recuperar o efetivo da Polícia Civil é fundamental. Precisamos urgentemente de uma delegacia especializada nos crimes contra a vida e de uma unidade judicial exclusiva para os crimes mais graves.
Contraponto: Secretaria diz que Joinville já tem uma delegacia especializada
A reportagem de “AN” pediu à Secretaria do Estado da Segurança Pública um posicionamento sobre o efetivo da Polícia Civil em Joinville e em relação à possibilidade de se criar uma DP de Homicídios na cidade. Em nota, a secretaria afirmou que os candidatos aprovados nos concursos de 2010 serão todos nomeados, ou seja, 557 agentes, 413 escrivães e 67 psicólogos. Em 2012, diz a nota, foram nomeados 41 delegados.
Outro concurso, realizado em 2014, prevê a nomeação de 340 agentes e 66 delegados. Não são mencionados os números para Joinville. A nota oficial menciona ainda que as administrações passadas passaram longos anos sem realizar a contratação de novos servidores.
– Chama-se a atenção que o número de policiais efetivamente empossados não são destinados, exclusivamente, para Joinville por maior ou mais importância econômica que tenha, porque o valor de uma vida ou patrimônio é o mesmo que em qualquer lugar do Estado de Santa Catarina. Assim, registra-se que, durante a atual gestão, dentro dos limites possíveis, enviou-se o maior número de servidores possíveis para as unidades policiais de Joinville – esclarece a nota.
Em relação à delegacia especializada, a secretaria menciona que Joinville conta com uma Divisão de Investigações Criminais (DIC) com quatro delegados, quatro escrivães e 17 agentes. A parte voltada aos homicídios, reforça a nota, tem dois delegados, dois escrivães e oito agentes, enquanto a DP de Homicídios da Capital tem um delegado, dois escrivães e 12 agentes.
– Não se pode aceitar, salvo situação anômala, as indigitadas críticas de que não existe trabalho mínimo de investigação de homicídios em Joinville (não seriam quatro agentes número suficiente para mudar o nefasto quadro apontado pelo promotor de Justiça) e que a salvação encontra-se na criação, ou melhor, na abertura de nova unidade policial para tal desiderato, sob pena de a administração se preocupar mais com os espaços físicos do que com os serviços finalísticos da Polícia Judiciária – aponta.
Assinam a nota enviada ao “AN” César Augusto Grubba, secretário de Estado da Segurança Pública; Artur Nitz, delegado geral da Polícia Civil; e Marcos Flávio Ghizoni Júnior, delegado geral-adjunto da Polícia Civil. (Fonte: A Notícia)
Obras do elevado do cruzamento da Santos Dumont com a Tuiuti começam nesta quinta-feira em Joinville
A construção do primeiro elevado de Joinville — hoje a cidade só conta com os viadutos da BR-101 — vai iniciar nesta quinta-feira. A readequação do projeto por causa das desapropriações está praticamente concluída e a obra no cruzamento da Santos Dumont com a Tuiuti, a dois quilômetros do aeroporto, já pode começar.
O elevado de R$ 22 milhões está licitado há mais de um ano e a obra foi autorizada há dois meses. Mas atrasou porque o projeto teve ser de alterado. A construção faz parte da duplicação da Santos Dumont, obra também do governo do Estado e em andamento. Os demais elevados previstos inicialmente foram descartados. Quanto às desapropriações, responsabilidade da Prefeitura, o pagamento será dividido entre município e Estado. Mas os proprietários já permitiram as obras.
No início dos debates sobre a duplicação da Santos Dumont, havia discussão sobre a construção de elevados nas rotatórias do Tecelão e das universidades, da Tuiuti e na Arno Waldemar Döhler. Quando a obra começou, sobraram só os dois últimos. Com o andamento dos trabalhos, só restou o da Tuiuti.
Na próxima segunda, o governador Raimundo Colombo estará em Joinville, para participar de reunião com empresários na Acij. A largada da construção do elevado será um trunfo a ser apresentado no encontro. Colombo fará balanço da gestão. (Fonte: A Notícia – Jeferson Saavedra)
Guarda Fantasma
A Polícia Rodoviária Estadual deu uma de esperta. Colocou em frente ao posto da rodovia Jorge Lacerda, que liga Itajaí à Blumenau, a estátua de um guarda em tamanho natural. Os motoristas avistam a obra de arte à distância e acabam achando que se trata de um policial de verdade. Aí é pé no breque mesmo. A velocidade máxima dificilmente ultrapassa os 20 km/hora no local. É devagar, quase parando. Enquanto isso, em outras repartições públicas há servidores-estátuas de verdade: são feitos de carne e osso, mas não fazem nada. (Fonte: Diário Catarinense – Cacau Menezes)



