Porto Alegre, 15.5.15 – Congregando cerca de 80 pessoas no auditório do Setcergs, na manhã de quarta-feira, 13 de maio, o Instituto Zero Acidente promoveu o Fórum Gaúcho Maio Amarelo. O evento teve como finalidade debater as ações do movimento que visa chamar a atenção do Poder Público e da sociedade para o alto número de mortes no trânsito. Enfocando o tema “Refletindo Ações, o fórum teve como mediador o tenente-coronel Ordeli Savedra Gomes, do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV). Participaram como painelistas convidados o presidente do Instituto Zero Acidente, Carlos Tatsch; o ex-presidente do Setcergs, João Pierotto; coordenador de Educação da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Juranês Guimarães Júnior e a coordenadora da Assessoria Técnica da Presidência do Detran/RS, Rosane Crivella.
Falando em nome da diretoria do Setcergs, o vice-presidente de Responsabilidade Social e Sustentabilidade, Luiz Carlos Stefani, ressaltou que a entidade que representa as empresas de Transporte e Logística vem se notabilizando em apoiar ações que se identificam com o propósito do Maio Amarelo. “Nós temos essa preocupação para ter um trânsito mais consciente e responsável”, declarou o dirigente, citando como exemplo o Programa Transportadora da Vida, desenvolvido em parceria com a Fundação Thiago de Moraes Gonzaga.
“O Setcergs tem sido um grande parceiros nas ações de educação do trânsito”, ressaltou o tenente-coronel Ordeli Gomes. O mediador do Fórum salientou que o Movimento Maio Amarelo é uma ação pontual e não uma campanha para reduzir o quadro de epidemia de mortes no trânsito.
Acabar com a impunidade
Para o presidente do Instituto Zero Acidentes a população demorou muito para tomar uma consciência que o trânsito mata e mata muito. “Muitas vezes as pessoas entendem que o Poder Público deve tomar as providências necessárias, mas essa precaução deve ser de toda a sociedade”, assinalou Carlos Tatsch. Entre as iniciativas para amenizar esse cenário, apontou as iniciativas do DETRAN/RS – Balada Segura e Viagem Segura. “Esse e o primeiro Fórum e que deve ter continuidade. O movimento Maio Amarelo funciona melhor do que a Semana Nacional de Trânsito”, comparou Tatsch.
Apontou também algumas medidas para acabar com essa guerra nas estradas, ruas e avenidas no RS. “A formação dos condutores precisa ser aperfeiçoada, mais investimentos em infraestrutura viária e, sobretudo, acabar com a sensação de impunidade, principalmente com relação aos crimes de trânsito, complementou.
O coordenador de Educação da EPTC reforçou o raciocínio do presidente do Instituto Zero Acidente. “O trânsito não só de responsabilidade do Poder Público. A sociedade também precisa se envolver”, reiterou Juranês. Exaltou as ações educativa junto às escolas de Porto Alegre. “No próximo dia 08 de outubro haverá a entrega do Prêmio Educação para o Trânsito. A cada ano quase dobra a participação do número de participantes”, enfatizou. Outra ferramenta aplicada pela empresa municipal é através do curso de Multiplicadores de Educação para o Trânsito.
Ao reportar sobre a “Década de Ações para Segurança Viária”, proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas para o período de 2011 a 2020, e que norteia o Movimento Maio Amarelo, Juranês conclamou. “A hora de agir é agora para cumprir a meta de reduzir em 50% o número de acidentes de trânsito. Portanto, temos que agir o mais rápido possível, cada um fazendo a sua parte”, concluiu o coordenador de Educação da EPTC.
Infraestrutura estagnada
“O ex-presidente do Setcergs começou sua participação no Fórum Maio Amarelo provocando com uma pergunta:” Por que acontecem os acidentes de trânsito. Ao responder sua própria indagação, começou enfatizando que enquanto a tecnologia e o número de veículos não param de crescer, a infraestrutura viária permanece a mesma, sem acompanhar essa evolução. “Há 29 anos venho afirmando que os culpados pelos acidentes de trânsito começa pelo Presidente da República e termina no motorista”, ponderou João Pierotto.
O atual assessor técnico do Sindicato mostrou que o RS possui 12 mil quilômetros de rodovias pavimentadas, mas menos de 500 quilômetros são duplicadas. “A frota gaúcha de caminhões é formada por 267 mil veículos, mas a infraestrutura viária é muito deficiente”, apontou. Citou como exemplo a precariedade da ERS – 118, na Região Metropolitana e importantes rodovias federais, onde começaram a ser duplicadas, cujas obras estão paralisadas. “Na capital gaúcha a construção inacabada do viaduto Leonel Brizola é uma prova dessa visão pública para a estrutura viária”, declarou Pierotto.
Para confirmar essa realidade justificou. “O Poder Público se preocupa com obras do governo do com obras do Estado”. E conclui: “Todos nós precisamos ser multiplicadores para conscientização da redução da epidemia de acidentes de trânsito”.
Estatística do DETRAN
Representando o diretor-geral do Detran/RS, Rosane Crivella, apresentou dados estatísticos do trânsito no RS, como da frota, condutores e do número de acidentes. “Há quase seis milhões de veículos circulando pelo Estado gaúcho e a estimativa é de um acréscimo de 320 mil por ano,” informou Assessoria Técnica da Presidência da autarquia.
Com relação a caminhões, destacou que há 270 mil veículos, representando 4,5% da frota. Já o número de condutores supera 4 milhões e 600 mil. “Isso significa de 43% da população gaúcha tem habilitação”, disse Rosane.
Outro número destacado foi o de infrações. “Somente em 2014 foram mais de 13 milhões, sendo 49% por excesso de velocidade”. Quando a estatística versou sobre o número de acidentes, apontou que no período de 2007 a 2014 ocorreram 15.991 mortes no trânsito, uma média de 2 mil por ano. O Fórum Gaúcho Maio Amarelo teve o apoio da EPTC, Setcergs, Detran/RS e a Vitlog Transportes. Fonte: texto e fotos: Imprensa setcergs


