Florianópolis, 18.3.15 – Basta um caminhão quebrado. De Biguaçu a Palhoça; em Coqueiros; no Estreito; na Via Expressa. Fica tudo parado. Ontem, quem tentou desviar das filas para chegar ao Centro da Capital não teve chance. O incidente na ponte Pedro Ivo Campos, por volta das 6h30, com uma caçamba de médio porte foi o suficiente para trancar o acesso à Ilha de Santa Catarina e transformar o trânsito nas ruas do Continente em caos.
Sem expectativas de uma nova ligação ou de uma regulação no horário de tráfego de veículos pesados e com as obras da Hercílio Luz paradas desde julho do ano passa do, ao motorista restou o exercício da paciência. A Prefeitura de Florianópolis já anunciou medidas para restringir a circulação de caminhões no Centro nos horários de pico, de segunda a sexta-feira: das 6h30 às 8h30 e das 18h às 20h, conforme o decreto 12.374 de 2013.
Mas as normas ainda não são fiscalizadas, segundo informou o diretor de Operações do IPUF (Instituto de Planejamento Urbano), Leandro Martins. “Temos que realocar as placas indicando os horários para os motoristas saberem da restrição”, disse.
O prefeito Cesar Souza Júnior (PSD) baixou decreto em 2013 que impedia a circulação de caminhões nos horários de pico. A medida chegou a ser revista porque impedia o tráfego, inclusive nas pontes. Na sua reedição, o decreto limitou o trânsito de cargas pesadas na região central. A norma deveria ser fiscalizada pela Guarda Municipal.
Ontem, o guincho que presta serviço para a Polícia Militar demorou em ser acionado, e por duas horas a caçamba ficou estacionada no recuo, à direita de quem acessa a ponte. Mas parte do caminhão ficou na pista, complicando ainda mais o fluxo de veículos. “Foi o suficiente para congestionar o entorno”, disse o tenente coronel Araújo Gomes, comandante do 4o BPM. A falha foi na injeção eletrônica. A PM só pode emitir multa quando falta combustível.
As principais vias do Continente, incluindo Beira-Mar de São José, BR-101 e Leoberto Leal, sofreram com o efeito em cascata. Quem saiu de Serraria, em São José, por exemplo, levou mais que o dobro do tempo habitual para chegar ao Centro da Capital. “Neste horário a cidade normalmente é congestionada, mas em casos como esse de hoje (ontem), o trânsito leva cerca de duas horas para ser restabelecido”, afirmou Gomes.
A PM contabiliza entre seis e dez incidentes diários nas pontes
Conforme levantamento do Plamus (plano de mobilidade urbana sustentável da Grande Florianópolis), cerca de 200 mil veículos cruzam as pontes Pedro Ivo e Colombo Salles todos os dias. São entre seis e dez incidentes diários, segundo a PM< sendo que a maioria é solucionada sem grandes problemas no trânsito. “Um ou outro evento desses são mais graves, mas não é comum”, afirmou o tenente coronel Araújo Gomes.
Uma proposta de construir estacionamentos para abrigar caminhões na área central da cidade e evitar a circulação nos horários de pico também foi apresentada pela prefeitura de Florianópolis. Segundo a diretoria de trânsito, a Guarda municipal está fazendo levantamento das áreas. “Ainda não
temos os locais definidos, estamos aguardando estudo da Guarda e também faremos um estudo com a dom parking, que tem levantamento das áreas de estacionamento da cidade”, disse o diretor de operações do IPUF, Leandro Marques. A promessa é abrigar caminhões no Saco dos Limões, Trindade e na Passarela Nego Quirido.
Fonte: Fábio Bispo – Notícias do Dia
Estado anuncia medidas emergenciais para Serra
Em resposta ao acidente do fim de semana, Deinfra vai realizar manutenção na sinalização, iluminação, drenagem, vegetação e guardrails. Instalação de áreas de escape para motorista e proibição de transporte de cargas perigosas também estão sendo estudadas.
A reação à tragédia que matou 51 pessoas e deixou outras oito feridas no sábado deve começar nos próximos dias com cinco ações emergenciais de manutenção da SC-418 e duas propostas que serão discutidas com empresários, políticos e a comunidade de Joinville.
O Departamento de Infraestrutura (Deinfra) anunciou ontem que os pontos mais perigosos da Serra Dona Francisca, entre Pirabeiraba e Campo Alegre, devem passar por uma manutenção que envolve sinalização horizontal e vertical, iluminação, drenagem, corte da vegetação e reforma dos guardrails.
Também serão discutidas medidas mais profundas para dar segurança aos motoristas, como a instalação de áreas de escape, como as que já existem na BR-376 (Serra de Curitiba), e a proibição do transporte de cargas perigosas, esta com um estudo mais adiantado e já proposta pela Polícia Militar Rodoviária (PMRv) e pelos técnicos da Secretaria de Meio Ambiente de Joinville.
O diretor do Deinfra em Joinville, Ademir Machado, passou boa parte do dia de ontem em Florianópolis para acertar os pontos que serão atacados para garantir mais segurança no trecho para o qual não há grandes obras previstas – exatamente o mais perigoso, onde há as curvas da serra.
Na próxima semana, a Associação Empresarial de Joinville (Acij) vai receber os técnicos do Deinfra e a equipe da empresa Sotepa, contratada para fazer o projeto da obra de duplicação do trecho da Dona Francisca que engloba o Distrito Industrial. No encontro, além dos pontos do projeto, que é uma antiga reivindicação dos empresários de Joinville, o órgão vai discutir melhorias possíveis para os outros dois trechos da estrada: o da Serra e o chamado “alto da Serra”, que vai do fim do trecho sinuoso da rodovia até São Bento do Sul.
Fonte: Leandro Junges (Joinville) – Diário Catarinense
“Nova ligação com continente é inevitável”
O ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD), desembarca pela primeira vez em SC desde que tomou posse na Esplanada. Hoje, avaliará com o governador Raimundo Colombo (PSD) e o prefeito de Florianópolis, Cesar Souza Junior (PSD), o andamento das obras vinculadas ao ministério no Estado, que somam cerca de R$ 15 bilhões. Em entrevista exclusiva ao DC, Kassab coloca entre as prioridades melhorar a mobilidade urbana na Grande Florianópolis, discussão que passa pela quarta ligação entre a ilha e o continente.
DC – O que será tratado no encontro do senhor com o governador Raimundo Colombo e o prefeito Cesar Souza Junior?
Kassab – A ideia é analisar todos os projetos e obras em andamento em Santa Catarina, seja com governo ou com a Prefeitura de Florianópolis. Vamos ter oportunidade de identificar obstáculos que existam sobre alguma obra paralisada ou com ritmo mais lento.
– A mobilidade é um dos principais problemas na Grande Florianópolis, em especial entre o continente e a Ilha de Santa Catarina. O senhor tratará de algum projeto específico para resolver a situação?
– Este assunto já foi abordado na visita do governador Raimundo Colombo ao ministério. Amanhã (hoje) vamos mais uma vez vamos discuti-lo para que possamos, além de avançar nas obras definidas, em especial os BRTs, encontrar outros projetos que poderão ser colocados em futuros PACs.
– A quarta ligação entre continente e ilha sairá do papel?
– É inevitável que saia mais uma ligação com o continente, diante da movimentação e dos transtornos para comunidade. A forma em que a ligação será feita é o que vai ser definido com estudos aprofundados. Os estudos serão realizados pelo Estado, nós vamos receber os pedidos.
– A construção de um teleférico pode resolver parte dos problemas de mobilidade em Florianópolis?
– Existe uma análise profunda por parte dos órgãos regionais para que possa ser formulado o melhor projeto para o teleférico. Concluída a formulação, Estado e município vão buscar parceiros, vão apresentar o pedido ao ministério.
– O Projeto de Urbanização Maciço do Morro da Cruz é um dos maiores do Estado incluído no PAC. O senhor acompanha o andamento?
– O projeto está sendo acompanhado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e sempre ficou claro que era uma prioridade do ministério. O assunto também será fruto de avaliação na nossa reunião em Santa Catarina.
– Outro problema em Santa Catarina é o saneamento básico. O Estado tem menos de 20% de coleta e tratamento de esgoto. Como melhorar os índices?
– Esta é uma das nossas prioridades em relação à Santa Catarina. Já houve uma reunião preliminar com a equipe do governador Colombo. Nossa meta é aumentar de forma significativa os índices de saneamento no Estado, em especial os de esgotamento sanitário. Será um conjunto de intervenções que será apresentado.
– O senhor é o principal quadro do PSD, partido do governador Raimundo Colombo. Apesar de cedo, o PSD discute um nome para concorrer à sucessão do governador?
– O segundo mandato do governador está apenas se iniciando, seria uma temeridade abrir essa discussão agora.
Fonte: Guilherme Mazui – Diário Catarinense
Obras paradas
Um documento ao Ministro dos Transportes pedindo explicações sobre as rodovias federais com obras paralisadas ou atrasadas em Santa Catarina foi enviado pelo deputado federal Marco Tebaldi (PSDB).
Fonte: Moacir Pereira – Diário Catarinense
Chega de castigar o setor produtivo, artigo de Glauco José Côrte*
O Brasil vive um momento decisivo para a competitividade e para a própria sobrevivência da indústria, que foi surpreendida por uma enxurrada de medidas duras do governo federal, em nome do ajuste fiscal. Ainda que o ajuste seja necessário, em função de políticas erradas implantadas nos anos anteriores pelo próprio governo, e que tornaram a indústria brasileira menos competitiva nos últimos 10 anos, não é aceitável que o setor produtivo pague uma conta que inclui novos aumentos da carga tributária – que já é uma das mais altas do mundo – e altera regras que orientaram o planejamento das empresas para 2015.
O aumento dos juros e dos combustíveis e a impressionante elevação dos preços da energia também atingiram a indústria no contrapé, num cenário em que os custos industriais já haviam crescido 41% entre 2006 e 2013 (CNI, Indicador de Custos Industriais). Como se tudo isso não bastasse, o setor produtivo sofreu os efeitos dos protestos de caminhoneiros que paralisaram boa parte do país em fevereiro.
A indústria defende que as medidas de ajuste fiscal venham acompanhadas de uma agenda para a competitividade capaz de restaurar a confiança. Tais medidas é que criarão as condições para a retomada do crescimento, que por sua vez, trará aumento da arrecadação. Essa agenda inclui pontos como a modernização das relações trabalhistas, a manutenção do Reintegra e da desoneração da folha de pagamento, a reforma do sistema tributário e um modelo de concessões que viabilize a participação do setor privado nos investimentos em infraestrutura.
Sem avanços nessas áreas, será inútil o enorme sacrifício imposto ao setor produtivo e aos brasileiros, que acabam de dar um exemplo de cidadania, demonstrando de maneira pacífica, mas com veemência, que esperam mudanças profundas na condução do país.
*Presidente da Fiesc
Uma PEC que preocupa
Além da carga tributária de 37% e outros custos, um projeto em especial que tramita no Congresso Nacional tira o sono do setor produtivo. Trata-se de uma PEC sugerida pelo atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ) que pretende exigir dos empregadores a oferta de plano de saúde aos trabalhadores. A proposta foi apresentada dia 22 de dezembro de 2014 e será analisada na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Tanto a Federação das Indústrias do Estado (Fiesc) quanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estão enviando ofícios aos parlamentares para que rejeitem a medida.
— Ao se transferir para as empresas mais esse encargo, aumenta-se o custo do trabalho, afetando-se a competitividade da empresa brasileira e, em última instância, gerando-se prejuízos aos próprios trabalhadores. O custeio da saúde pelo empregador deve se manter uma faculdade deste, como hoje já é feito, por meio da negociação coletiva, em respeito às realidades setoriais e regionais específicas argumenta a Fiesc na comunicação aos deputados. Decisão assim vai prejudicar ainda mais as pequenas empresas. As grandes e médias já disponibilizam esse serviço.
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>Fonte: Estela Benetti – Diário Catarinense
Aulas para empresários
Atenta à importância da atualização constante, a Federação das Indústria (Fiesc), por meio dos sindicatos empresariais, vai abrir até o final do ano 3,4 mil vagas em cursos gratuitos de capacitação para empresários. Será pelo Programa de Desenvolvimento Associativo (PDA) lançado ela CNI e o Sebrae. SC oferecerá 12% do total das 27,7 mil vagas no país. Entre os cursos estão redução dos custos de energia e adequação à legislação tributária e trabalhista e troca de experiências.
Fonte: Estela Benetti – Diário Catarinense