Florianópolis, 2.3.15 – O Gabinete de Crise da Secretaria de Segurança Pública, ativado pelo Governo do Estado de Santa Catarina, informa que caiu de 17 para 10 o número de rodovias bloqueadas pelo movimento nacional de paralisação de caminhoneiros.
A redução foi registrada a partir das ações realizadas pelas forças de segurança nos pontos de interdição das rodovias nas últimas 24 horas. Também foi importante para esse resultado o início das operações de escolta a comboios de caminhões. Até às 16h30, deste domingo, 1° de março, foram realizadas seis missões de escoltas.
Assista a uma das ações realizadas em SC neste link
O balanço divulgado as 16h30, deste domingo, indica que há bloqueio de caminhões somente em 10 trechos de rodovias federais. Todas as rodovias estaduais estão liberadas. As interdições neste momento estão afetando a região Oeste do Estado. Não houve prisões relacionadas com o evento nas últimas 24 horas.
Fonte: Imprensa Governo SC
Foto divulgação SAE/SSP.
Liberação de cargas atende mercados mas deve ser insuficiente para retomada de abates
Mesmo com a liberação de comboios de pelo menos76 caminhões que estavam bloqueados nas unidades frigoríficas do Oeste, com o apoio de escoltas da Polícia Militar, a medida não deve ser suficiente para retomar o abate. A assessoria de imprensa da Aurora Alimentos, que parou o abate nas dez unidades no Estado, informou que é difícil a volta dos trabalhos na segunda-feira.
O diretor de agropecuária da JBS, José Ribas, disse que a medida libera espaço nos estoques mas a retomada de abates, se ocorrer, será em pequeno volume.
— Só desafoga, mas temos outras travas como falta de combustível e ração racionada, se não tiver fluxo, não dá para retomar o abate — afirmou.
A empresa tem quatro frigoríficos parados no Oeste. Uma reunião na manhã de segunda-feira deve avaliar a situação. Ribas disse que, desde que iniciou a paralisação, a direção está se reunindotrês vezes por dia.
O diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados de Santa Catarina (Sindicarne) e da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), Ricardo Gouvêa, disse que a liberação das cargas permite atender os supermercados, distribuidores e também alguns pedidos do mercado externo.
— É um pequeno oxigênio que abre espaço nas câmaras frias e evita que produtos pudessem estragar — afirmou.
As carcaças de suínos podem ficar resfriadas somente por uma semana e, depois disso, precisam ser industrializadas ou congeladas. Sem espaço nas câmaras frias, havia o risco de começar a estragar produto a partir desta semana.
Leia: http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/noticia/2015/03/grupo-faz-protesto-e-deixa-transito-em-meia-pista-na-br-101-em-araquari-4709591.html
Somente numa unidade, em São Miguel do Oeste, a Aurora estava com 360 toneladas em estoque.
Desde a paralisação dos frigoríficos do Oeste, na semana passada, deixam de ser abatidos 24 mil suínos e 4,8 milhões de frangos. As indústrias já começaram a descartar ovos que virariam pintinhos e houve algumas mortes de frangos pontuais.
De acordo com a assessoria de imprensa da Aurora houve a flexibilização da passagem de ração em alguns pontos, amenizando o problema. Mas, segundo a JBS e o Sindicarne/Acav, ainda há racionamento e falta de componentes para fabricar a ração.
Ricardo Gouvêa espera que o movimento dos caminhoneiros e agricultores flexibilize a passagem destes produtos.
— Esperamos que o pessoal tenha sensibilidade para garantir alimentação dos animais e evitar mortes no campo — concluiu Gouvêa.
Ele destacou que, mesmo que a liberação de algumas cargas possa atender pedidos
do mercado externo, algum prejuízo já aconteceu. Uma das preocupações das agroindústrias é perder contratos com países cujos mercados foram difíceis de conquistar.
Fonte: Darci Debona/Diário Catarinense
