Florianópolis, 29.10.14 – Preocupada com a estabilidade da Ponte Hercílio Luz a Associação Catarinense de Engenheiros (ACE) apresentou ontem um estudo apontando problemas na atual obra emergencial, prevista para novembro. A segunda etapa do projeto de restauração foi interrompida em agosto após o rompimento com a empresa responsável, a Espaço Aberto. Um contrato emergencial foi realizado com a TDB, do Espírito Santo, para a sustentação do vão da estrutura central. A obra servirá para sustentar a ponte enquanto o governo abre uma concorrência internacional para a recuperação completa da ponte.
O engenheiro responsável pelo estudo, Roberto de Oliveira, explica que o documento aponta sugestões que trazem mais segurança à sustentação da ponte. O Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) – órgão responsável pela execução do projeto – não foi convidado a participar da apresentação.
Oliveira acompanha o andamento das obras de recuperação da Ponte Hercílio Luz há pelo menos três anos e agora demonstra preocupação:
– É uma espécie de incoerência colocar a estrutura com quatro apoios neste projeto mais recente porque a obra terá que ser executada em seis meses.
Entidade defende redução do vão central
Ele aponta que o ideal seria usar artifícios de engenharia para reduzir o vão central e criar uma treliça por baixo e por cima. O presidente da ACE, Celso Ternes Leal, explica que, preocupados com os mais de 130 dias com obras paradas engenheiros montaram uma força-tarefa e no dia 26 de agosto se reuniram com o presidente do Deinfra, que autorizou visitas à ponte. O grupo de Força-Tarefa Ponte Hercílio Luz é formado pelos engenheiros Honorato Tomelin, Roberto de Oliveira, Bernardo Tasso Damiani, Paulo Ricardo Caminha e o presidente da ACE.
– Vejo na solução do Deinfra um índice de confiabilidade de 65%, no estudo apresentado percebo 95% de confiabilidade. Este estudo é para tirá-la do colapso total para o parcial, que vai sempre existir – observa o engenheiro Honorato Tomelin.
Em entrevista ontem à tarde, o superintendente do Deinfra, Paulo Meller, estranhou a apresentação do estudo sem a presença do órgão estadual. Ele afirmou que desconhecia o parecer, mas reforçou que o Deinfra está aberto para discutir o projeto.
– Se eles têm um parecer técnico e assinado por engenheiros podemos fazer uma reunião para discutir o projeto com a empresa – afirma Meller.
Fonte: Mônica Foltran/ Diário Catarinense
Infrações nas estradas têm valores reajustados
A partir de sábado, motoristas que provocarem situações de risco no trânsito estarão sujeitos a pagar mais caro pelas infrações. Em alguns casos, muito mais caro: o aumento no valor das multas, determinado a partir da sanção presidencial de uma lei que altera 11 artigos do Código Brasileiro de Trânsito, pode chegar a 900%. Os artigos se referem, principalmente, a ultrapassagens em estradas e a disputas de rachas. As mudanças, conforme o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), podem resultar em mais segurança tanto para os motoristas quanto para os pedestres, além de preservar a infraestrutura urbana.
Quem for flagrado ultrapassando pelo acostamento, por exemplo, em vez de receber multa de R$ 127,69, como prevê a lei atual, vai passar a pagar R$ 957,70 – valor mais de sete vezes maior. Forçar ultrapassagem entre veículos que, transitando em sentidos opostos, estejam na iminência de cruzar um com o outro é a infração cuja multa mais aumentou – de R$ 191,54 para R$ 1.915,40 (900%). E ainda recebeu um adendo até então inexistente: a suspensão do direito de dirigir.
Envolvidos em rachas ou corridas não autorizadas também estão sujeitos a penas mais duras a partir de novembro. Atualmente, esses motoristas são condenados a, no máximo, dois anos de reclusão. De acordo com a nova lei, esse tempo pode aumentar para seis anos, caso haja lesão corporal, ou 10, quando resultar em morte.
Os óbitos por acidentes de trânsito no Brasil aumentaram 41,7% em 10 anos – e nenhum Estado apresentou queda no índice, segundo o Mapa da Violência 2013.
Fonte: Luísa Martins/ Zero Hora
CERCO FECHADO
NADA COMO TER POLÍCIA NA RUA. OU MELHOR, NA ESTRADA. BASTOU REFORÇAR A PRESENÇA NOS POSTOS DE FISCALIZAÇÃO PARA OS RESULTADOS APARECEREM. A POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL ACABA DE SUPERAR A MARCA DE UMA TONELADA DE DROGAS APREENDIDAS DESDE O DIA 10 DE OUTUBRO, QUANDO CHEGOU O APOIO DA GUARDA NACIONAL E NOVOS AGENTES. O EFETIVO AUMENTOU DE 600 PARA 900 POLICIAIS EM SANTA CATARINA.
Gratidão
Prefeito Cesar Souza Junior viaja hoje para Brasília. Tem agenda no Ministério da Saúde, mas tentará uma brecha para encontrar a presidente Dilma. Quer agradecer os quase R$ 500 milhões destinados à Capital para obras de infraestrutura em mobilidade urbana.
Fonte: Rafael Martini/ Diário Catarinense
Estagnação e inflação freiam o país
Se a performance do Brasil ficasse em torno da média mundial, o país poderia crescer 3% neste ano. Esta é a estimativa do Fundo Monetário Internacional, que oferece algum alento a países submetidos por algum tempo à recessão ou ao baixo crescimento. Os brasileiros não têm como dispor nem desse consolo. Este poderá ser o pior ano para a nossa economia, desde 2009, se confirmada a estagnação prevista pelo Boletim Focus, do Banco Central, baseado em expectativas do mercado. O PIB teria uma evolução de apenas 0,27%, o que significa mais um longo período de frustração, provocado pelo esgotamento de uma política econômica que desconectou as intenções do governo das expectativas e dos projetos de quem produz.
O relatório do FMI e análises de outras instituições desmentem a tese, defendida com insistência por Brasília, segundo a qual o Brasil ainda é sacrificado pelos efeitos da crise iniciada em 2008. É um pretexto que não se sustenta na realidade. Países ricos, emergentes e mesmo nações com padrão econômico bem abaixo do brasileiro já demonstram claros sinais de que caminham para a recuperação. Não foi o que aconteceu aqui, apesar das declarações sempre otimistas dos orientadores da política econômica. O Brasil vai acumular em 2014 quatro anos de crescimento pífio. É um período longo demais, em quaisquer circunstâncias, para reabilitar a confiança do setor produtivo.
O Brasil acomodou-se, nos últimos anos, no conforto do alto nível de consumo doméstico e do baixo nível de desemprego. Enquanto isso, o governo perdeu a chance de moralizar suas contas, qualificar gastos e corrigir déficits históricos em infraestrutura. É consenso entre economistas e empresários que, além desses entraves crônicos, o país precisa enfrentar uma inflação que, estabilizada ao redor de 6% ao ano, penaliza em especial as camadas de baixa renda e põe em risco um conjunto de conquistas de uma década e meia, que se expressam exatamente em emprego, renda e qualidade de vida.
Reeleita, a presidente Dilma Rousseff está diante de velhos desafios ampliados pela inércia de um ano eleitoral. Não podem ser adiadas respostas aos apelos para que a inflação recue do teto da meta estabelecida pelo próprio BC, o déficit público seja encarado com seriedade e o país deixe de desperdiçar recursos consumidos pela corrupção. A recuperação da economia deve passar também pela moralização da função pública, em todas as áreas do Executivo.
DESAFIOS PÓS-ELEITORAIS
Ontem: O país dividido
Hoje: Crescimento nacional
Amanhã: A relação com a mídia
Dia 31: Segurança e saúde
Dia 1º: A reforma política
Fonte: Editorial DC