Florianópolis, 17.10.14 – Estradas movimentadas, principal rota de transporte de mercadorias e motoristas embriagados. O resultado é um elevado número de acidentes com mortes. O Atlas da Acidentabilidade, divulgado ontem em Santa Catarina, coloca as rodovias catarinenses em terceiro em total de acidentes, atrás de MG e PR, e em quarto nos casos envolvendo caminhões.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) contabilizou, em 2013, 18.985 colisões em SC. Em 80% delas, 15.258, houve algum tipo de negligência. O Estado fica em quinto lugar no ranking nacional de mortes – 505 só no ano passado. E os acidentes mais letais ocorrem por excesso de velocidade, seguido de ultrapassagens indevidas e embriaguez.
Nesse cenário, a Polícia Rodoviária Federal alerta: caminhoneiros estão trocando rebites (usados para combater o sono) pela cocaína, muitas vezes aliada ao álcool.
– Há um número assustador de caminhões circulando em nossas rodovias, parte da rota RS e SP. Temos os conhecidos como verdureiros, com cargas de alta perecibilidade. O motorista tem que fazer viagens curtas e com mais frequência – sugere o inspetor da PRF-SC, Luiz Graziano.
Excesso de jornada e pressão por produção
Nicolau de Almeida, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários da Grande Florianópolis (Sintracargas), diz que o excesso de jornada e a pressão por produção são os principais fatores para o uso de substancias ilícitas. Autônomos, que precisam entregar carga para receber, trabalham 18 horas seguidas, dormem quatro e dirigem por mais 16 horas.
– No laudo consta que o motorista dormiu ao volante, mas eles usam drogas sim. Quando sabemos, denunciamos ao Ministério Público do Trabalho – afirma.
Pequisa avalia condições da malha viária
A 18a edição da Pesquisa CNT de Rodovias 2014 avaliou 98.475 quilômetros, que correspondem a toda a malha federal pavimentada e aos principais trechos estaduais do Brasil, os mais relevantes para o transporte de cargas e de passageiros.
Em Santa Catarina, 1.858 foram classificados de regular a péssimo. Segundo o estudo, as avaliações regular, ruim ou péssimo são baseadas em buracos, trincas, afundamentos, ondulações, entre outros problemas. Os 1.255 quilômetros restantes foram avaliados entre ótimo e bom.
Entre os 20 pontos críticos encontrados, foram destacadas nas rodovias catarinenses nove erosões na pista; 10 quedas de barreira e uma ponte caída.
“Negligência é de longe a maior razão dos casos”
J. Pedro Corrêa, Especialista em Segurança do Trânsito
Balneário Camboriú recebeu ontem integrantes do Seminário Zero Acidentes, que discutiram formas de reduzir o número de acidentes nas rodovias do Brasil. O evento foi mediado pelo consultor da Volvo, especialista em Segurança no Trânsito, J. Pedro Corrêa, responsável pela compilação de dados que resultou no Atlas da Acidentabilidade, em parceria com a Polícia Rodoviária Federal, e que mostra um panorama dos acidentes nas rodovias brasileiras. O estudo detalha o número de casos envolvendo caminhões e ônibus, entre 2008 e 2012.
Diário Catarinense – Quais as causas que são atribuídas à maioria dos acidentes registrados em Sana Catarina?
J. Pedro Corrêa – A negligência é de longe a maior razão dos casos. A fiscalização não consegue cobrir a totalidade da malha viária, há a questão da qualidade das rodovias, motoristas sem paciência que fazem ultrapassagens indevidas e também o despreparo do governo em relação à segurança no trânsito.
DC – Apesar de menor em extensão, por que as rodovias federais apresentam um número maior de acidentes?
Corrêa – É um mosaico de problemas: o trânsito intenso, motoristas mal preparados, a longa idade da frota, excesso de carga e a imprudência.
DC – Santa Catarina também se destaca pelo elevado número de acidentes envolvendo os caminhões. A que o senhor atribui isso?
Corrêa – Apesar de muitos motoristas serem experientes, eles não têm o comportamento adequado na direção. O excesso de horas de trabalho, além das permitidas, e o uso de álcool e drogas para poder dirigir por mais tempo são exemplos.
DC – Na sua avaliação, o que deveria ser feito para acabar com este tipo de problema? É possível chegar à meta de zero acidentes, como propõe o seminário?
Corrêa – É possível fazer uma mudança radical neste quadro. Não é só a questão de reforçar o policiamento e endurecer as leis. Precisamos do comprometimento de empresas de transporte, sindicatos e sociedade. É um trabalho de mudança a longo prazo. Os números não têm diminuído porque não tem sido feito nada para mudar. É um problema crônico. É fundamental a mobilização de todas as lideranças e do governo para que se enfrente o problema. Precisamos de educação e repressão, levar para sociedade programas de informação e estimular o debate.
Fonte: Monica Foltran/ Diário Catarinense
Deinfra dá novo prazo: Contratação emergencial para restauro da Ponte Hercílio Luz deve ser feita até o fim de outubro
Deve ser finalizada até o final do mês a contratação emergencial, com dispensa de licitação, para concluir as estruturas metálicas que sustentarão a Ponte Hercílio Luz, na Capital, obra necessária para que o patrimônio histórico possa ser revitalizado. A modalidade foi escolhida para garantir a segurança da estrutura.
É o que promete o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra), dois meses depois do rompimento do contrato antigo. No canteiro de obras, parado, ainda podem ser vistos os equipamentos que vinham sendo utilizados pela antiga empreiteira que tocava a reforma.
Segunda etapa do processo, a restauração, tem prazo maior. O Deinfra afirma que ela está sendo elaborada em paralelo, no processo que escolherá outra empresa para renovar todas as peças enferrujadas e gastas pelo tempo. Estaria trabalhando agora na redação do edital para licitação desse restante dos serviços.
O órgão diz esperar ter o resultado da licitação e a assinatura do contrato com a empresa vencedora até o final dos seis meses do contrato emergencial, ainda dentro do prazo da empreiteira que tocará os trabalhos de sustentação do vão central da Hercílio Luz.
Se concretizada nesse mês, a contratação de uma outra empresa, marcaria a retomada das obras na ponte. Mas o Deinfra não divulga o nome de nenhuma empreiteira e alega que a decisão ainda não foi tomada.
O representante do Conselho Regional de Engenharia (Crea-SC), Honorato Tomelin estuda a estrutura da ponte Hercílio Luz há mais de 30 anos. Segundo o engenheiro, que desconhece detalhes do acordo, a contratação emergencial e sem licitação pode ser enxergada como “incomum e temerária”:
— Se as obras estão paradas há meses, por quê agora é uma emergência? É preciso que fique publicamente claro quais são os contratos feitos, os objetivos deles e a razão de terem sido feitos nesse modelo — questiona Tomelin.
A ponte está fechada para carros desde 1982. O prazo de conclusão das obras já foi adiado três vezes. O último era neste ano, mas a lentidão levou ao rompimento do contrato com a Espaço Aberto, que executava os serviços.
Contrato com o consórcio foi rescindido em agosto
A obra estava sob responsabilidade do Consórcio Florianópolis Monumento, liderado pela Espaço Aberto, vencedor da licitação para executar a iniciativa de recuperação do patrimônio histórico. Do valor total do contrato – R$ 163 milhões –, foram pagos R$ 62 milhões, de acordo com dados do Sistema Integrado de Controle de Obras Públicas.
O contrato foi rescindido dia 19 de agosto e publicado no Diário Oficial no mesmo mês, mas a situação vinha se desenhando desde junho. Agora uma das prioridades do Deinfra, de acordo com a assessoria do órgão, é estabelecer as punições para as empreiteiras que integraram o consórcio que detinha a obra.
A Espaço Aberto afirmou, por meio de assessoria, que só vai se pronunciar na Justiça. Deve recorrer das eventuais punições pedidas pelo Deinfra devido à rescisão.
Espaço Aberto está proibida de contratar com a administração
Por não ter cumprido os prazos previstos nos contratos em outra licitação que ganhou, a duplicação da SC-403, a empresa Espaço Aberto foi punida com a proibição, por dois anos, de contratar com o Poder Público estadual.
O nome da empresa, assim como do consórcio e da outra empreiteira que estava no contrato, a Camargo Campos, foram incluídos pelo governo na lista de empresas que não têm idoneidade.
Com isso, não poderão disputar licitações do governo do Estado ou das prefeituras de cidades de Santa Catarina. A rescisão unilateral – feita apenas por parte do Estado – acarreta também em punições para a empresa que deixa de executar um contrato público.
No caso da SC-403, as obras estavam paradas desde abril deste ano, após avançarem a passos lentos em 2013. O rompimento oficial veio em maio e desencadeou o processo de punição.
A secretaria de infraestrutura pediu no final de julho que a secretaria de Administração do Estado tomasse três medidas contra as empresas do consórcio que deixou a obra: multa de 2% do contrato (R$ 680 mil), a suspensão de contratar com o Estado por dois anos (o máximo possível, de acordo com a lei de licitações) e a declaração de serem empresas inidôneas.
Empresa prossegue obra do aeroporto
Para o pagamento da multa, a punição prevê que esse recurso pode ser retido pelo governo estadual de outros pagamentos que a empresa tenha a receber, devido a outros contratos que tenha com o Estado.
Com o rompimento do contrato da Ponte Hercílio Luz e da SC-403, a única outra grande obra da Espaço Aberto com o Executivo é a construção do novo acesso ao aeroporto de Florianópolis.
A empresa líder do consórcio disse, por meio de sua assessoria, que não se pronunciará mais sobre o assunto e que todos os próximos encaminhamentos serão na Justiça. A Camargo Campos foi procurada pela reportagem, mas não foi localizada.
Fonte: Thiago Santaella/ Diário Catarinense
Rolando lero
Qualquer que seja o resultado da eleição presidencial, a pressão política sobre a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) precisa aumentar. A alça viária na BR-101, que desviaria o trânsito pesado e outros da região metropolitana de Floripa ainda não começou para valer. O deputado federal Esperidião Amin está careca de mexer no assunto, que precisa de mais intervenção.
Fonte: Cacau Menezes/ Diário Catarinense

