Clipping imprensa – A burocracia que ignora as perdas

Clipping imprensa – A burocracia que ignora as perdas

Blumenau, 21.7.14 – Ladir Ivete Sperber acreditava que as obras para construir duas novas pistas chegariam à rodovia. Comentava a esperança com o marido, o caminhoneiro Gueter Sperber, 58 anos, quando passavam pela estrada que corta 197 quilômetros no Vale do Itajaí. O casal Sperber não tinha como evitar a estrada: era o lugar de trabalho dele. Nas viagens Ladir era pacienciosa:
– Ela sempre dizia: “se não dá para chegar hoje, a gente chega amanhã”.
Mas Ladir, esposa de Gueter há 35 anos, não teve tempo de experimentar a rodovia prometida desde 1998 para a região. Na manhã de uma quinta-feira voltava do Alto Vale pela BR-470. Levara o filho, também motorista, para buscar o caminhão em Rio do Sul. No km 75,7, em Indaial, a S-10 que Ladir dirigia se envolveu em uma batida de frente com uma Scania.
Morreu ali, aos 58 anos, dia 22 de março de 2012. Nessa data a duplicação era promessa aguardada pelo Vale há 14 anos. Mais de seis meses passariam até que o primeiro edital para escolher a empresa responsável pelas obras fosse lançado. Em 26 de setembro de 2012 o ministro Paulo Sérgio Passos esteve em Blumenau para anunciar a duplicação do trecho até Gaspar.
– Estamos imaginando que teremos obras no primeiro trimestre do próximo ano (2013) – disse o ministro naquele dia.
A data da solução prometida pelo ministro passou. E outros seis políticos passaram pelo comando do Ministério dos Transportes (veja galeria abaixo). Antes que toda esta burocracia caminhasse para a duplicação, Gueter – mais conhecido como Chico – resolveu fazer algo para marcar a perda. Soldou em metal uma cruz com o nome da esposa. Ainda em maio de 2012 o caminhoneiro cravou a lembrança de Ladir no Km 75,7 da rodovia.
– Eu fiz aquela cruz com muito carinho. É um símbolo que ela partiu ali. Coloquei a cruz para me lembrar cada vez que passo ali. Lembro muitas vezes dela, todos os dias, das horas boas e ruins. Afinal tenho três filhos do amor com ela – conta Chico emocionado.
Mais de um ano após a morte de Ladir – e de outras 96 pessoas – não havia sinal de obras na BR-470. Em 18 de julho de 2013, sob o comando do ministro César Borges, veio a ordem de serviço autorizando obras em dois lotes: o 3 – entre Gaspar e Blumenau – e o 4 – de Blumenau a Indaial.
Mesmo quando nada parecia faltar para a duplicação, ainda estavam pendentes as autorizações ambientais. O resultado: mais seis meses de espera, correndo do prazo de 1.440 dias para a execução da obra que seria vista apenas em janeiro de 2014.
No lote 1 – entre Navegantes e Ilhota– a autorização de obras veio em fevereiro deste ano. Entre Ilhota e Gaspar, a ordem de serviço só saiu em 23 de junho. Três dias depois Paulo Sérgio Passos voltou a ser ministro dos Transportes. Dona Ladir não viu os sinais da duplicação. A cruz continua lá no quilômetro 75,7 na esperança de que além de seu Chico, outras pessoas lembrem que 1.105 vidas foram interrompidas pela BR-470 desde 2005.
Há um ano, na assinatura da ordem de serviço da duplicação do primeiro lote da BR-470, o governo de Santa Catarina esteve representado no ato pelo governador Raimundo Colombo. O governo, que ajudou na pressão para o início das obras, agora acompanha a ampliação da rodovia à distância. Com 365 dias de poucas obras efetivas, o secretário de Planejamento do Estado, Murilo Flores, diz que entende a falta de cronograma diante da complexidade do trabalho.

DC – Como o Estado está acompanhando a obra de duplicação da BR-470?

Murilo Flores – Estamos acompanhando à distância. Fizemos uma gestão grande com os nossos deputados, parlamentares federais e o governo do Estado. Fizemos uma pressão muito grande em relação às BRs 470, 280 e agora a 282. São os três eixos leste/oeste de escoamento. Então para nós essas obras são fundamentais, estamos investindo nas partes das estradas estaduais, são R$ 3,5 bilhões, e sabíamos que sem os investimentos dessas outras estradas o alcance dos nossos investimentos ficariam limitados, porque são os principais eixos, assim como as BRs 101 e 116. Então a gente fez a gestão, pedimos prioridade. Mas o acompanhamento da execução da obra nós não fazemos, porque já temos 800 obras nossas para acompanhar e nem teria muito sentido.

DC – A obra começou há um ano e nenhum quilômetro foi duplicado. Preocupa o fato da duplicação estar se arrastando?

Flores – A gente não sabe as motivações, como temos obras nossas em que isso ocorre e há explicações, não posso me adiantar e fazer um comentário que eu não sei o que tem nos entendimentos. Mas evidente que, seja do governo do Estado ou seja federal, qualquer obra que demore é motivo de preocupação sempre. Como não sabemos os motivos e sabemos o quanto é complicado tocar uma obra pública é muito possível que haja dificuldade do governo federal com algum tipo de assunto. Mas realmente é uma obra que é fundamental que tenha um cronograma executado.

DC – Tentamos o cronograma da BR-470, mas o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) não tem. Isso faz falta para uma obra, o senhor concorda?

Flores – Claro. Mas às vezes você tem dificuldade de traçar o cronograma quando tem alguns obstáculos a serem superados. Então todos os cronogramas vão sendo furados, por isso a gente evita de traçar um cronograma até que todos os problemas burocráticos como licença ambiental, desapropriação, uma infinidade de coisas que vão surgindo na elaboração de um projeto, sejam resolvidos. É sempre uma dificuldades, às vezes a gente é muito cobrado, a própria mídia cobra, mas enquanto a obra não encaixa, os cronogramas são sempre feitos e refeitos. Isso tem acontecido conosco, é muito possível que esteja aconteça com esta obra também. Deve ter muita desapropriação, problema desse tipo, você não pode começar a obra se não tiver indenizado. Então, às vezes, deslanchar uma obra exige entraves à construção. Eu estou falando em tese.

“Qualquer obra que demore é preocupante”
Fonte: Sarita Gianesini/ Diário Catarinense

Aeroportos

O aeroporto de Joinville era o que mais fechava em todo o Brasil. Muita neblina e mau tempo. Depois que foi instalado o ILS, em maio, deixou de operar apenas um dia. Depoimento do empresário Mário Cesar de Aguiar ao sugerir que o mesmo aparelho ILS seja colocado no aeroporto de Chapecó, que suspende voos pelo mau tempo, e é estratégico para toda a economia do Oeste.

Apagão

A constatação incrível feita pelo engenheiro Ricardo Saporiti na nova visita de inspeção realizada na BR-101 Sul: há várias pontes com todo o sistema de iluminação pública instalado pelo DNIT. Mas nenhum deles funciona. O órgão não paga a luz e quer transferir o encargo para as prefeituras.
Fonte: Moacir Pereira/ Diário Catarinense

Caminhão capota e pega fogo na BR-280, em Araquari, no domingo

Um acidente na BR-280 na manhã deste domingo mobilizou os bombeiros de Joinville e Araquari e parou o trânsito na rodovia federal. Um caminhão carregado de soja capotou na pista, bateu na placa de entrada da cidade e pegou fogo. O fato ocorreu por volta das 6 horas deste domingo. 
Segundo o comandante Cláudio Renato de Lima, dos Bombeiros Voluntários de Araquari, o motorista do caminhão perdeu o controle e bateu, ocasionando no capotamento.
O motorista conseguiu sair sozinho do veículo e se salvou do incêndio, que ocorreu em seguida. Ninguém ficou ferido e o trânsito ficou paralisado por instantes, mas no momento o fluxo era baixo e não chegou a ser atrapalhado pelo acidente. Fonte: A Notícia 

Falta de planejamento 

Ainda sobre a falta de planejamento de obras federais em SC: a duplicação do trecho da BR- 470, entre Blumenau e Indaial está sendo feita sobre a recém-implantada rede de gás natural, obrigando a estatal SC Gás a construir uma nova. Mais um absurdo: o traçado projetado do Contorno da Grande Florianópolis não foi dar justamente sobre um terreno, em Palhoça, preparado para receber um investimento do programa federal “Minha Casa , Minha Vida”? O outro projeto obriga a construção de duas novas pontes sobre o rio Cubatão e seis túneis. E a conta inicial, de R$ 300 milhões, saltará para perto de R$ 1 bilhão. Socorro! (Mais notas em www.raulsartori.com.br)
Fonte: DC

Edição de ontem 20/07

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