Brasília, 16.7.14 – A CNT (Confederação Nacional do Transporte) elencou 2045 intervenções em infraestruturas de transporte nos diversos modais necessárias para o desenvolvimento do país. Os investimentos na modernização, ampliação e integração das malhas, conforme o setor, deveriam chegar a R$ 297 bilhões para aumentar a competitividade de diversos segmentos econômicos. Os números foram alguns dados destacados pelo diretor-executivo da entidade, Bruno Batista, a empresários chineses, durante seminário realizado nesta quarta-feira (16) em Brasília.
A estimativa é que 15,4% do PIB (Produto Interno Bruto) do país seja gasto em logística. Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos o índice chega a 8%. As ineficiências nos sistemas de transporte consomem 5% das riquezas produzidas no Brasil.
Conforme Batista, a necessidade de melhorias na infraestrutura de transportes cria grandes oportunidades para a formação de parcerias entre brasileiros e chineses. “Sabe-se a importância do setor de transporte como mola propulsora para qualquer ação de desenvolvimento”, disse ele ao destacar que o país visualiza, no exemplo chinês, um modelo exitoso de construção de um sistema de transportes eficiente e que proporcione baixos custos logísticos.
Escritório na China
Atenta pra as necessidades e possibilidades de parcerias com a China, em abril deste ano a CNT instalou, na cidade de Pequim, o escritório de representação da entidade. O objetivo é facilitar a integração entre empresas brasileiras e chinesas e, assim, viabilizar novos investimentos estrangeiros no Brasil. “O que esperamos é possibilitar um aprendizado a partir dos modelos já desenvolvidos pela China e oferecer oportunidades de parceria que proporcionem benefícios bilaterais”, explicou Batista aos empresários.
Investimentos
Segundo Bruno Batista, as oportunidades são grandes. Ele salientou que, dos recursos disponíveis para aplicar em infraestrutura de logística entre 2007 e 2014, 62% foi aplicado pela União. “O governo federal ainda tem dificuldade de fazer, de forma efetiva, os investimentos. Isso constitui uma boa oportunidade, já que a participação do capital privado é fundamental para alcançarmos essa modernização”.
Na avaliação da CNT, os modais ferroviário e aquaviário têm maior potencial para atrair o interesse dos chineses. De acordo com a entidade, embora 98,3% das exportações e 90% das importações passem pelos portos, a modalidade ainda representa apenas 7% da matriz no Brasil. Além disso, apesar das dimensões continentais, o país tem apenas 30 mil km de ferrovias. Para o governo federal, este modal é considerado prioridade especialmente para melhorar o escoamento da produção agrícola do interior do país para os portos marítimos.
Projetos
No entanto, para viabilizar os intercâmbios comerciais, é necessário é apresentar aos empresários as possibilidades de investimento. “Eles precisam conhecer as características dos projetos, o nível de investimentos e a importância disso, não apenas para a integração da malha no Brasil, mas também os potenciais ganhos que eles terão no escoamento de produtos que compram do Brasil”, afirmou Bruno Batista.
Saiba mais
Oportunidades de investimentos em infraestrutura são destacadas a empresários chineses
Para o empresário Li Dongfang, presidente da Empresa de Recursos Energéticos e Transportes do Nordeste Asiático, é exatamente na divulgação das oportunidades que o Brasil deve apostar neste momento. Conforme ele, há interesse, por exemplo, em investir em portos, rodovias e no transporte aéreo. Mas é necessário saber projetos que podem viabilizar parcerias. Para ele, a abertura do escritório da CNT em Pequim é uma iniciativa fundamental para facilitar os acordos.
Alguns dos principais projetos de infraestrutura de transportes foram expostos aos empresários chineses pelo diretor-executivo da CNT durante o seminário. Ele salientou que, apesar do volume de recursos elevado que é necessário para execução das iniciativas, a consolidação de parcerias entre empresas e a existência de linhas de financiamento favorecem a concretização dos projetos.
Segundo levantamento da Confederação Nacional do Transporte, dos 20145 projetos necessários no Brasil, 200 são para o modal aeroportuário, 278 para o ferroviário, 110 para o hidroviário, 271 em portos, 863 para rodoviário e 333 em terminais. Para a entidade, as iniciativas serão capazes de tornar o sistema logístico brasileiro mais amplo, integrado e atualizado.
Natália Pianegonda
Agência CNT de Notícias