Na madrugada de sábado, os ocupantes começaram a migrar para uma área vizinha ao terreno. Eles romperam o acordo e a ação só não se concretizou porque houve interferência da polícia. O conflito pode ser resolvido na manhã de hoje, em uma reunião agendada com o ouvidor do Incra – ocasião em que Sandi promete cobrar a definição de uma área provisória para transferir as famílias.
E a cobrança, desta vez, exigirá resposta por escrito. O juiz envolvido no caso desde a primeira audiência de conciliação entre proprietários e ocupantes do terreno quer saber por que o Incra, responsável pelos assentamentos, até agora – faltando um dia para o fim do prazo da desocupação –, não havia se manifestado sobre o destino dos integrantes do acampamento.
Até sexta-feira a informação do ouvidor do Incra, Fernando de Souza, era de que já havia sido feito o cadastro das famílias que ocupam o terreno. Não havia, porém, definição de uma área para a transferência. Vivem no local 496 famílias. A reportagem tentou contato novamente ontem, para saber se a situação mudou após a tentativa de uma nova ocupação, mas Souza não atendeu nem retornou as ligações.
Um dos líderes da ocupação Amarildo, Rui Fernando diz que o grupo espera a reunião e um posicionamento oficial para se posicionar. Segundo ele, não há garantias de que as famílias vão aceitar a mudança – mesmo que haja a proposta de uma nova área. A decisão deve ser discutida em uma assembleia. É que a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) questiona a propriedade do terreno, alegando que é federal e não privada, e os invasores apostam na possibilidade de permanecer no mesmo terreno.
A SPU ainda não deu entrada na Advocacia Geral da União (AGU) para um processo jurídico de cancelamento de títulos do terreno – que oficialmente permanece como propriedade privada. O órgão aguarda laudo técnico do ICMBio para dizer se há ou não restrição ambiental para um possível assentamento ou mesmo qualquer empreendimento no local.
No Incra, a informação é de que só será possível abrir procedimento para assentamento no terreno se ficar determinado que a área é realmente da União.
Procurados pela reportagem, os proprietários do terreno não foram encontrados.
De um lado mobilização na mata, de outro na internet
Primeiro a tensão, depois a apreensão. Assim foi o final de semana na Ocupação Amarildo, às margens da SC-401, norte da Ilha de Santa Catarina. Hoje, 24 horas antes do acordo judicial que prevê a desocupação para amanhã, o clima é de expectativa sobre diferentes possibilidades.Na tarde de sábado o clima ficou tenso. Ao identificar que alguns ocupantes tentavam montar barracas no terreno ao lado, o comando da Polícia Militar desencadeou a Operação Capital. Enquanto os acampados se locomoviam pelo mato para ocupar a nova área, a PM se mobilizava por telefonemas, rádio e pelo WhatsApp (rede social para troca de mensagens em grupos fechados). Policiais do Batalhão do norte da Ilha, da cavalaria, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e militares rodoviários se posicionaram na frente do terreno.
A Polícia Militar interrompeu o trânsito nas duas vias, que foi reaberto no começo da noite. Um helicóptero sobrevoava a área e com as luzes sobre a mata na tentativa de localizar ocupantes.
Ambas as partes se acusavam. Por volta das 21h, a PM deixou o local e apenas a área do terreno ao lado continuou sendo monitorada.
O dia de ontem foi mais tranquilo em relação a sábado. Os ocupantes se mantiveram em vigília e realizando reuniões, e o portão permaneceu fechado. Como no domingo muitos estão de folga do trabalho, a movimentação era maior no acampamento. A polícia também manteve o monitoramento da área.
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NEGOCIAÇÕES DESDE DEZEMBRO |
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A área foi ocupada em dezembro do ano passado. A partir de fevereiro começaram as negociações intermediadas pela Justiça Agrária. Veja: |
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7 DE FEVEREIRO |
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Foi realizada uma audiência de conciliação no Fórum de Florianópolis. Em uma negociação que durou mais de cinco horas, invasores e proprietários definiram que o prazo para desocupação seria 15 de abril. Também ficou estabelecido que a Polícia Ambiental faria a demarcação da área onde estavam as famílias e que a Justiça faria visitas semanais ao local. |
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8 DE FEVEREIRO |
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Polícia Ambiental faz fotografias e o georreferenciamento da área ocupada, delimitando com precisão o acampamento. Técnicos do Incra também comparecem, fazendo cadastramento das famílias. |
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7 DE ABRIL |
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Integrantes do acampamento começam a dar indícios de que o acordo seria descumprido. Por inúmeras vezes, a partir dessa data, há bloqueios no trânsito da SC-401. |
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10 DE ABRIL |
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Ocupantes ingressam com ação judicial para rever o acordo firmado na audiência de conciliação. Eles argumentam que as terras são de propriedade da União e não privada, como se discutia anteriormente. |
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12 DE ABRIL SÁBADO |
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Durante a madrugada integrantes do acampamento começam a mudar para um outro terreno, mais ao fundo da ocupação atual. Houve intervenção da polícia e eles retornaram. |
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HOJE |
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O juiz agrário Rafael Sandi se reúne com o ouvidor do Incra para tratar sobre a área que pode ser indicada para a ocupação provisória do grupo. A Polícia Militar deve entregar relatório da operação realizada sábado. O documento também será encaminhado para o Ministério Público. |
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AMANHÃ |
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É o prazo final para que os acampados desocupem a área. O juiz Rafael Sandi tem até a meia-noite para decidir se o prazo será estendido ou para determinar uso de força policial na reintegração de posse. |
O destino de Amarildo
O destino da Ocupação Amarildo, às margens da rodovia SC-401, em Florianópolis, é a novela da semana. Conseguiu até rebaixar para o horário das sete horas a arrastada trama do afastamento de Romildo Titon.
Os ocupantes têm data marcada, terça-feira, para deixar as terras que pertenceriam ao ex-deputado Artêmio Paludo após um acordo costurado pelo juiz agrário Rafael Sandi. Como bons novelistas, os próprios invasores tentaram antecipar este destino no final de semana, ao iniciar um processo de mudança para o terreno vizinho – impedido pela Polícia Militar no sábado.
O alvo original dos membros da ocupação não era a área vizinha, mas um terreno que o Ciasc, órgão do governo do Estado, possui em Canasvieiras, Norte da Ilha, ironicamente localizado próximo ao estande de tiro da Academia de Polícia Civil. A proposta foi levada por deputados de oposição a membros do Executivo e prontamente rejeitada. O governo entende que quem deve resolver a questão é o Incra. As conversas se encerraram na sexta-feira. Além disso, os estragos feitos pelos manifestantes na Assembleia Legislativa quarta-feira não foram o melhor cartão de visitas para negociações.
Com a negativa, os parlamentares tiraram o time de campo. Houve quem pedisse para não ser informado sobre os planos do movimento. A frustração maior aconteceu porque a ideia de procurar um terreno estadual livre teria partido de assessores do juiz agrário. Ontem, Rafael Sandi afirmou com todas as letras que a tentativa de transferir o acampamento descumpria o acordo.
Na ocupação, a tese é de permanecer até uma decisão sobre a propriedade da área, considerada federal pela Superintendência do Patrimônio da União (SPU). A cada promessa de confronto, surgem mobilizações nas redes sociais para que militantes de esquerda partam para o local.
É na expectativa dessa novela que se inicia esta semana, na torcida para que o capítulo final não tenha a SC-401 como cenário de outra batalha campal ideológica.
Fonte: Upiara Boschi – interino (Moacir Pereira)/ Diário Catarinense
Impulso ao Meio-Oeste
inauguração da Aurora Joaçaba, uma dos mais modernas e avançadas indústrias de abate e processamento de suínos do país, amanhã, às 10h, vai dar novo impulso ao Meio-Oeste. O projeto recebeu investimento de R$ 86 milhões.
Segundo a empresa, 44% da produção será exportada e 56% comercializados no mercado doméstico.
Móveis tipo exportação
O polo moveleiro do Oeste do Estado, que tem mais de mil empresas, quer ampliar as exportações, hoje em cerca de 2% da produção. Uma das apostas é a Mercomóveis 2014, exposição-feira programada para o período de 11 a 15 de agosto deste ano, em Chapecó. Segundo o organizador da mostra, Ilseo Rafaeli, cerca de 180 fabricantes vão participar.BRF negocia
O grupo BRF, dono da Sadia e Perdigão que decidiu vender sua divisão de lácteos, já estaria em fase avançada de negociação com o provável comprador. Segundo fonte da coluna, esse grupo é a Danone, uma das maiores do setor no país. Acionistas da BRF sempre tiveram dúvidas sobre sua presença no setor de lácteos.
Fonte: Estela Benetti/ Diário Catarinense
Queda de braço sobre a CPI da Petrobras recomeça hoje
Sob a pressão de novas suspeitas, governistas e oposição retomam a partir de hoje a discussão em torno da Petrobras. As mais recentes denúncias indicam que os tentáculos do doleiro Alberto Youssef se espalham sobre outros contratos da empresa – o que alimenta o empenho da oposição por uma CPI.
Novas denúncias envolvendo o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa vão impulsionar a disputa entre o governo federal e oposição em torno da estatal nesta semana. Amanhã, o plenário do Senado vai decidir sobre a criação de uma CPI para investigar supostas irregularidades na petroleira.
No mesmo dia, a presidente da Petrobras, Graça Foster, vai ao Senado prestar esclarecimentos sobre a compra da Refinaria de Pasadena, uma das principais suspeitas envolvendo a companhia. A estratégia do governo Dilma é desarmar os adversários e convencer o Congresso de que as possíveis irregularidades já estão sendo apuradas pela Polícia Federal (PF).
Graça deverá ser questionada sobre os desdobramentos da Operação Lava Jato, da PF, que tem tem como alvo um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões, com ramificações políticas e na estatal. Youssef e Paulo Roberto foram presos em março, pelos federais, no contexto dessa investigação.
Na sexta-feira, na segunda fase da operação, delegados e agentes da PF estiveram na sede da Petrobras no Rio de Janeiro, prédio que é símbolo da pujança da empresa, a maior do país. Eles foram recebidos pela própria Graça, que liberou o recolhimento de documentos.
Os policiais estavam atrás de dados sobre um contrato com a EcoGlobal Ambiental. A segunda etapa da Lava Jato investiga suposto esquema que incluiria a “entrega de vultosas quantidades de dinheiro a agentes públicos”.
A ida de Graça ao Senado foi organizada pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ).
– Tomei a iniciativa de organizar a audiência depois de falar com a presidenta da Petrobras, que manifestou a vontade de conversar com os senadores – informou ele.
A intenção do Planalto é barrar a CPI. Se a investigação for inevitável, a meta é emplacar uma comissão ampla, que apure também denúncias envolvendo licitações do governo de São Paulo, comandado pelo PSDB, e obras do governo de Pernambuco, dirigido pelo PSB. Com isso, a CPI poderia respingar nas candidaturas do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e Eduardo Campos (PSB-PE) à Presidência e não apenas na de Dilma.
É justamente na comissão mais ampla que estará em discussão no Senado amanhã. Na semana passada, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou o parecer do senador Romero Jucá (PMDB-RR) a favor da CPI. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que o plenário deve se pronunciar sobre ela mesmo antes do posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF). Na sexta-feira, a ministra Rosa Weber deu prazo de 48 horas para que Renan se manifeste sobre o mandado de segurança da oposição.
MP diz que falha foi “acima do razoável”
Além do Congresso, o governo também enfrenta problemas no Tribunal de Contas da União (TCU). Relatório do Ministério Público junto ao TCU recomenda que os responsáveis pela negociação de compra da refinaria de Pasadena sejam responsabilizados por eventuais perdas da estatal. O negócio, que contou com o aval da hoje presidente da República, Dilma Rousseff, foi iniciado em 2006 e concluído em 2012, após um longo litígio e gasto superior a US$ 1 bilhão.
O documento da Procuradoria, que subsidiará a decisão dos ministros da Corte, afirma que a alta cúpula da Petrobrás, “incluindo os membros do Conselho de Administração”, respondam “por dano aos cofres públicos, por ato antieconômico e por gestão temerária”, caso sejam comprovadas irregularidades. Para o MP, as falhas dos gestores da Petrobras na condução do negócio foram “acima do razoável”.
Fonte: Leandro Fontoura/ Diário Catarinense
Burocracia barra as exportações
Excesso de documentos é apontado em pesquisa como principal entrave para vendas ao exterior.
Para os empresários brasileiros, a quantidade de documentos exigida pelos órgãos de controle alfandegário é excessiva.
O quadro foi revelado por pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com o levantamento, o excesso de documentos foi considerado o principal entrave para exportar por 53,27% dos participantes. Em segundo lugar, ficou a baixa agilidade para análise da documentação, mencionada em 41,89% das respostas. Em terceiro, a demora na vistoria e inspeção, mencionada por 37,77%.
Os executivos também reclamaram da falta de comunicação entre os órgãos, apontada como um problema em 25,42% das respostas. Uma das consequências dessa falha é que muitos solicitam dados e documentação repetidos, fator indicado como problemático em 12,83% das respostas.
O número médio de órgãos pelos quais o processo para exportação deve passar é 4,3, e a grande maioria das empresas (94,5%) contrata os serviços de despachantes para lidar com a burocracia.
O órgão mais citado como tendo impacto negativo nas exportações foi a Receita Federal, em 46,11% das vezes, seguido pelo Ministério de Minas e Energia, com 40% das menções, e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), citada em 38,3% das respostas.
– Pesquisas frequentemente colocam o Brasil como um dos países mais custosos para lidar com informações tributárias e outros tipos de burocracia – disse o economista Marcelo Azevedo, especialista em Políticas de Indústria da CNI.
Segundo ele, em alguns setores da economia, a quantidade de órgãos pelos quais o produto deve passar a fim de ser liberado para exportação chega a seis. A pesquisa da CNI ouviu 640 empresários entre 2012 e 2013.
Fonte: Diário Catarinense
Liberação da obra está mais próxima
Terça-feira deve ser emitida licença ambiental para o começo do trabalho.
O contorno viário da Grande Florianópolis está perto de sair do papel. Fontes ligadas à área técnica do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) garantem que a autorização ambiental que falta para o começo da obra – uma das mais esperadas da Região Metropolitana – será dada até a próxima terça-feira. E que, em definição com a Autopista Litoral Sul, o início dos trabalhos já teria até data marcada: 25 de abril.
A Autopista, porém, não confirma a informação e alega não ter conhecimento da liberação. Oficialmente, o Ibama também nega. Mas se for mesmo confirmada, a obra começa cinco dias antes do previsto no cronograma oficial definido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Os trabalhos teriam início pelos 11,4 quilômetros do chamado trecho intermediário, que passa por São José. Trata-se da área que possui as desapropriações mais adiantadas dos 52,4 quilômetros totais da obra – ela também não atinge áreas indígenas, o que permite o início imediato da construção.
Apesar do órgão ambiental não confirmar oficialmente, a autorização será limitada a este percurso: os outros dois – o Norte e o Sul – continuariam em análise nos próximos dias. Pelo prazo fixado, o Ibama tem mais 45 dias para finalizar o estudo. Depois do trecho intermediário, as obras teriam continuidade pelo percurso de 21 quilômetros que passa por Biguaçu e parte de Governador Celso Ramos. Por último será feito o trecho Sul da BR-101, em Palhoça, de 20 quilômetros. A previsão é que o contorno fique pronto em três anos.
A licença de instalação é o último dos impedimentos para o início do contorno viário e contém as adequações exigidas pela licença prévia, emitida em fevereiro. O relatório elaborado pela Autopista foi entregue ao Ibama no início de março. O contorno vai do Km 177 da BR-101, próximo à ponte do Rio Inferninho, em Biguaçu, até o Km 220, próximo à ponte do Rio Aririú, em Palhoça.
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Deu no DC |
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O começo das obras do contorno viário é reflexo da série de reportagens Pedágio sob Suspeita, publicada pelo DC entre março e abril de 2013. O trabalho mostrou o faturamento abusivo da concessionária que administra a BR-101, fez a empresa mudar de lugar uma praça de arrecadação de pedágio, admitir que não estava cumprindo o contrato e iniciar o projeto de execução de obras acordadas na licitação mas nunca executadas. |
Como está a Mercedes-Benz automóveis em SC e quais são os planos para crescer?
Paulo Toniolo Júnior (Paulinho) – O Grupo DVA representa a marca em todo o Estado. Estamos em São José, na Grande Florianópolis, Blumenau e Itajaí. Logo após a Páscoa, abriremos em Joinville, onde investimos mais de R$ 6 milhões em unidade própria. Nessas lojas também vendemos o Smart (feito na Alemanha pela Daimler AG, controladora da Mercedes). Temos planos para expandir no Oeste e no Sul do Estado, mas para abrir concessionárias dependemos da montadora.
Quais são as expectativas de vendas?
Paulinho – Os anos de 2014, 2015 e 2016 nos animam, mas estamos preocupados porque serão anos de muito investimento em montadoras. As vendas de marcas de luxo serão quadruplicadas.O cliente desses carros dificilmente deixará de comprar e mais consumidores estão entrando nesse grupo. A diretoria da Mercedes começou a dar mais atenção ao Brasil. Planeja mais volume e rentabilidade no país da Copa e da Olimpíada.
A Alemanha tem fama de que faz os melhores carros do mundo. Como avalia?
Paulinho – A Mercedes é pioneira em tecnologia. Inventou o airbag, freio ABS e outros itens. A gente respeita a concorrência mas, para mim, o modo mais fácil de avaliar quem faz o melhor carro é ver como esse veículo está conservado após cinco anos de uso.
Qual é a faixa de preço que vende mais ?
Paulinho – A Mercedes vende mais na faixa de R$ 100 mil a R$ 140 mil, mas tem carros de até R$ 1,5 milhão. Entre as novidades temos o esportivo AMG, que tem motor montado por engenheiro e custa R$ 259 mil (foto). E já temos fila de espera do SUV GLA, que chega em outubro e, no futuro, será feito na nova fábrica de SP, que quase veio para SC.
Quando o Grupo DVA foi fundado?
Paulinho – O grupo veio para SC em 1972, com meu pai, Paulo Toniolo. Completou 42 anos. Ele é de família de Bento Gonçalves, RS, que mudou para Esteio, onde fundou a Savar, concessionária de caminhões, ônibus e automóveis da Mercedes-Benz e também a empreiteira Toniolo Busnello, que faz obras de engenharia. Meu pai é o presidente do conselho.
Quais são os outros negócios da família?
Paulinho – Temos em SC a concessionária de caminhões e ônibus da Mercedes na Grande Florianópolis. O negócio de caminhões vai bem, mas depende muito de linhas do Finame. Também revendemos as marcas da Chrysler: Jeep Cherokee e Grand Cherokee, Dodge e Dodge RAM e temos rede de lojas de pneus Michelan.
Gestão em família
-Paulinho Toniolo divide com o pai, Paulo (E), e irmãos a gestão do grupo no Estado onde acumulam premiações pela qualidade. Dia 8 de maio, eles recebem o presidente da Mercedes Brasil, Phillipp Schiemer, para a inauguração da revenda de Joinville. A marca vendeu 30% mais carros no país em 2013.
Fonte: Estela Benetti/ Diário Catarinense (edição de ontem 13/04)
Conciliação para obra de nova pista fica para maio
Embora tenha autorização judicial para ampliar a rodovia, Dnit espera aval da Funai e do MPF para começar o trabalho.
Apesar de haver autorização da Justiça e já ter sido emitida a ordem de serviço para obra de uma quarta faixa no trecho de Morro dos Cavalos, em Palhoça – entre os quilômetros 232 e 235 da BR-101 Sul –, o Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit) só autorizará os trabalhos depois de aval da Funai e do Ministério Público Federal (MPF).
É que, sem acordo, o Dnit prevê riscos de a obra ser paralisada durante o serviço. Uma audiência de conciliação está marcada para 12 de maio e só aí se terá uma definição sobre a data de início dos trabalhos.
A quarta faixa tem como proposta dar vazão ao trânsito – que é um dos piores pontos de congestionamento da rodovia – até a construção dos dois túneis que fazem parte do projeto de duplicação. Seria uma medida paliativa. A anuência da Funai é necessária para as duas obras porque o trecho de Morro dos Cavalos atravessa uma reserva indígena.
A conciliação de maio foi agendada ontem pelo juiz federal Marcelo Krás Borges, depois de uma audiência que terminou sem acordo entre os envolvidos no caso. Há expectativa de avanço nas negociações porque até lá o Dnit terá cumprido uma das principais exigências da procuradora Analúcia Hartmann: apresentar o projeto das duas obras aos índios.
Será nos dias 24 e 25 de abril, na aldeia de Morro dos Cavalos, e estarão presentes representantes das áreas técnicas do Dnit e do Ibama, além de técnicos da Funai.
É provável que o departamento responsável pelas obras se posicione sobre o andamento do projeto dos túneis. De acordo com a coordenadora-geral de meio ambiente do Dnit, Aline Figueiredo, o projeto de engenharia da obra está em fase de finalização e em paralelo está sendo elaborado o Plano Básico Ambiental (PBA), documento que vai tratar das questões indígenas e que serve como requisito básico para a licença de instalação das obras (última etapa do licenciamento).
“Não vamos arriscar que haja alguma medida que paralise”
Segundo o representante do Dnit, como existe uma ação tramitando na Justiça há risco de as obras serem interrompidas caso os trabalhos comecem sem acordo com a Funai e o Ministério Público Federal.
Diário Catarinense – O Dnit tem autorização da Justiça para iniciar as obras e já emitiu a ordem de serviço. Por que ainda espera aval da Funai e do MPF?
Huri Alexandre – O MPF entende que como existe uma terra indígena no local das obras, qualquer serviço precisa ter a anuência da Funai e dos índios que estão ali. Então estamos tentando uma conciliação. A ideia é conseguir que se tenha uma melhor relação entre todos os envolvidos.
DC – Então não existe possibilidade de a obra começar antes do 12 de maio (próxima audiência)?
Alexandre – Se nessas apresentações aos indígenas, nos dias 24 e 25, houver acordo com a Funai e ela nos der a anuência, esperamos até dia 12 de maio para que o MPF concorde. Não vamos arriscar que haja alguma medida que paralise as obras.
Fonte: Diário Catarinense
Mortes passam de 1,5 mil
Acidente deixa três mortos na BR-470, onde 1.504 pessoas perderam a vida desde 2000, entre o Vale do Itajaí e o litoral de SC.
As vidas de Félix Alexandre Groebl, Rubens Facchini e Anselmo Xavier Reinert terminaram no asfalto da BR-470, na manhã de ontem. Com eles, desde o ano 2000, 1.504 pessoas morreram em acidentes na rodovia, no trecho de pouco mais de 200 quilômetros que liga o litoral Norte e o Vale do Itajaí. No acidente de ontem, no Km 40, em Gaspar, a colisão frontal dos caminhões dirigidos por Félix Alexandre Groebl, de 40 anos, e Gilmar Antônio da Rocha, de 46 anos, provocou um incêndio.
Groebl morreu preso às ferragens, com o corpo carbonizado. O sobrinho Thiago Wilberte conta que a vítima era experiente em levar cargas pesadas como o lote de areia que carregava no momento da colisão, mas sabia bem dos riscos da 470:
– Ele estava acostumado com a estrada, e mesmo assim achava perigoso. O problema dessa BR é a duplicação, não dá mais pra continuar do jeito que está – diz.
Groebl era casado e deixa dois filhos.
O outro caminhoneiro, Gilmar, guiava um caminhão de leite desde Joaçaba. Com ferimentos leves, conseguiu sair da cabine e tentou socorrer Félix, em vão.
Outros dois veículos se envolveram no trágico acidente. Uma pequena van guiada por Anselmo Xavier Reinert, de 60 anos, ficou completamente destruída e ele morreu na hora. No outro veículo, um Vectra com placas de Brusque, estava Rubens José Fachini, de 76 anos, empresário do esporte e um dos criadores dos Jogos Abertos de Santa Catarina.
Reinert era aposentado, trabalhava para manter a cabeça ocupada e complementar renda. Fazia um pouco de tudo em uma empresa de divisórias, mas principalmente dirigia.
Ivan Luiz Reinert, filho único, fala do pai como um homem trabalhador e alegre, morador de Blumenau e motorista experiente, que já tinha pensado em parar de dirigir pelo perigo das estradas.
Levantamento contabiliza vítimas na BR e em hospitais
Horas depois do acidente Ivan ainda pensava como daria a notícia ao filho pequeno:
– Não sei como dizer ao meu filho de cinco anos que o vovô morreu. Quando ele quiser saber como e onde, vou ter que falar: foi naquela estrada que a gente pega pra ir pra praia – lamentava.
O esporte era a vida de Rubens Facchini. O carro que ele dirigia teve a parte dianteira destruída.
Somando as três vítimas de sexta-feira, um levantamento feito há 14 anos pelo Jornal de Santa Catarina, do Grupo RBS, aponta que 1,5 mil pessoas morreram neste período na rodovia. Os dados consideram as vítimas que chegaram a ser socorridas, mas não resistiram e morreram em hospitais da região.
IVAN LUIZ REINERT
Filho de Anselmo
Não sei como dizer ao meu filho de cinco anos que o vovô morreu. E quando ele quiser saber onde, vou ter que falar: foi naquela estrada que a gente pega para ir para a praia.
Vítima era criador dos Jasc
Uma das vítimas do acidente foi um dos criadores do Jogos Abertos de Santa Catarina e comendadores do esporte, Rubens José Facchini, 76 anos. Ele idealizou os Jasc, há 54 anos, a partir de uma viagem que fez a São Carlos, em São Paulo, a pedido de Arthur Schlösser, para conhecer os Jogos Abertos daquela cidade.
Junto com Rubens Lange e Rolando Müller, Facchini criou o Jasc e todos os anos era responsável pela cerimônia do fogo simbólico, que ocorre um mês antes do evento. Ele também foi locutor esportivo de rádio, presidente e dirigente de clubes no Estado. Apoiava o vôlei, o basquete, o atletismo, todos os tipos de esportes.
Fachini competiu no vôlei e no atletismo. Nos últimos anos era o grande guardião das tradições dos Jasc.
O velório começou na noite de ontem, na capela mortuária do Centro, em Brusque. O enterro foi marcado para as 10h de hoje, no Cemitério Municipal.
O presidente da Fesporte, Erivaldo Caetano Junior, expressou o tamanho da perda para o esporte catarinense:
– Estamos todos órfãos, pois o Seu Rubens era como um pai do esporte de Santa Catarina. Uma pessoa amável, de biografia rica e inúmeros serviços prestados ao esporte. Foi dirigente, atleta, mas, antes de tudo, foi um cidadão que amou o esporte intensamente. Uma perda irreparável – disse.
Ultrapassagem pode ter sido a causa
A Polícia Rodoviária Federal não informou as causas do acidente, mas testemunhas relataram que o Vectra de Brusque, a van de Blumenau e o caminhão de areia de Pomerode seguiam em direção a Blumenau. O caminhão de leite trafegava no sentido contrário.
Relatos de quem seguia logo atrás apontam que a van teria tentado uma ultrapassagem, chocando-se de frente contra o caminhão de leite. O Vectra, guiado por Rubens Facchini, teria seguido logo atrás da van, sem conseguir desviar do acidente.
– A carreta veio para o meu lado e fui desviando para ver se conseguia me salvar. Depois, tentei ajudar, mas não foi possível – contou o motorista Marcos Paulo, 36 anos.
Na sequência, os dois caminhões também bateram de frente. O corpo de Groebl foi o último a ser resgatado pelos bombeiros, que usaram motosserras para cortar as ferragens. O bombeiro comunitário de Gaspar Everton Batista foi um dois primeiros a chegar e ajudou nas tentativas de liberar o motorista do caminhão de areia.
– Quando cheguei ele ainda estava vivo. Tentamos abrir a porta e apagar o fogo, mas não deu. O foco de incêndio começou a se alastrar – contou.
A BR ficou bloqueada por sete horas.
Fonte: Aline Camargo e Sarita Gianesini/ Diário Catarinense (colaborou Osiris Reis) (edição de sábado 12/04)