Clipping imprensa – Pelo asfalto passa a evolução

Clipping imprensa – Pelo asfalto passa a evolução

Chapecó, 2.4.14 – Com inauguração da SC-157, que dá acesso ao município de Paial, a 32 quilômetros de Chapecó, Santa Catarina é o primeiro Estado no Sul do Brasil a ter os acessos de todas as cidades asfaltados
Há 10 anos os moradores de Paial, que moravam a 35 quilômetros do Centro de Chapecó, levavam mais de uma hora para percorrer o trajeto, que contava com 25 quilômetros de estrada de chão mais a travessia do rio Irani, feita de balsa. O município era um dos 54 entre 295 do estado que não tinham acesso asfáltico, segundo dados da Secretaria de Infraestrutura.
Agora os moradores de Paial levam apenas 30 minutos para irem a Chapecó. A inauguração da SC-157, ocorrida no sábado, colocou Santa Catarina entre os primeiros Estados do Brasil a ter todos os acessos aos município pavimentados.
– Isso é uma conquista fantástica, é qualidade de vida, desenvolvimento – afirmou o governador do Estado, Raimundo Colombo.
Segundo ele, o estado tem muito a comemorar, pois é referência no quesito. Os vizinhos Paraná e Rio Grande do Sul ainda não atingiram esta meta.
Mas Santa Catarina não é pioneira no país. Outros estados, como Ceará e Mato Grosso do Sul, já conquistaram esse objetivo. A Confederação Nacional dos Municípios, no entanto, não soube precisar quantos já têm ligação a todos os seus municípios por asfalto.
A obra para o acesso a Paial, orçada em R$ 32 milhões, iniciou em 2009 e teve um atraso por uma complicação no processo de licenciamento, devido a uma reserva indígena instalada em parte do trecho. Para a conclusaõ ainda falta asfaltar 180 metros, que passam pela aldeia de Toldo Chimbangue. Uma compensação financeira ainda está sendo negociada com os moradores da reserva para que a pavimentação possa ser concluída.

As mudanças e uma cidade

O agricultor aposentado Flávio Baú, que mora nas margens da SC-157, disse que um pedaço de terra de cinco anos para cá já havia valorizado muito, agora a expectativa é que passe a valer ainda mais.
– Um monte de gente está comprando terra aqui – afirmou.
O motivo é que, com o asfalto, ele chega no centro de Chapecó antes do que moradores de alguns bairros da cidade. Sua esposa, Janice Baú, comemora o fato de não ter mais poeira na frente de casa.
O único problema, segundo o agricultor, é a velocidade dos carros, o que tornou o trecho mais perigoso.
O acesso asfáltico permite que o motociclista Tafarel de Matos, de 19 anos, de Paial, visite Chapecó até seis vezes por mês, a maioria delas para passear. A facilidade é tanta que ele pensa em deixar de trabalhar em Seara, a 42,4 quilômetros de sua cidade, e arrumar um emprego em Chapecó.
A auxiliar de limpeza Liamara de Oliveira lembra que, antes do asfalto, levava mais de uma hora para ir até o dentista, em Chapecó.
– Era sofrido, em dias de chuva os carros atolavam – lembra.
Ela espera que o asfalto leve desenvolvimento, indústrias e emprego para o município, que vê sua população encolher ano a ano. Paial tinha 1.763 habitantes em 2010 e, a estimativa para 2013, era de 1.698 habitantes.
O secretário de Infraestrutura do Estado, Valdir Cobalchini, afirma que as cidades sem asfalto tinham um muro em volta delas, que não permitia o desenvolvimento. Agora, ele acredita que muitas pessoas que saíram de suas cidades possam voltar.

“Somente o asfalto não vai reverter o quadro de retração”

O acesso asfáltico em todos os municípios catarinenses é um fator que interfere em índices de desenvolvimento, segundo o professor Rógis Juarez Bernardy, do Mestrado em Administração da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc) e doutor em Gestão Territorial pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Em entrevista ao Diário Catarinense ele afirmou que a ação representa melhora na qualidade de vida dos moradores. No entanto, essa política isolada não significa que esses municípios vão se desenvolver. Para isso, é preciso estimular a diversificação econômica e a geração de empregos. Confira os principais trechos da entrevista:

Diário Catarinense – Qual a importância de Santa Catarina ter todos os municípios com acesso asfáltico?

Rógis Bernardy – O acesso asfáltico é condição básica para o desenvolvimento. Os índices de desenvolvimento social são mais baixos em cidades sem ligação asfáltica. Em Paial, por exemplo, o analfabetismo é alto e o Índice de Desenvolvimento Humano é baixo. Os municípios ficam isolados e isso limita o desenvolvimento.

DC – Paial, por exemplo, vinha diminuindo sua população. Como isso pode ser revertido?

Bernardy – Sim, eles tiveram uma retração de 3,68% na população entre 2010 e 2013. Mas somente o asfalto não vai reverter o quadro de retração. Ele é superimportante, mas onde não tiver emprego, não tem como fixar os jovens.

DC – Isso quer dizer que aqueles municípios que ficam “em fim de linha” de uma rodovia podem reduzir o êxodo?

Bernardy – Sim. Muitos municípios têm pouca diversidade econômica ou dependem da prefeitura e/ou da produção primária. Esses devem continuar a tendência de retração. Na região Oeste os municípios com maior diversidade e que mais crescem são os que ficam às margens da BR-282, principalmente no trecho entre Xanxerê e São Miguel do Oeste. A proximidade com a rodovia atrai mais investimentos. Um exemplo é o município de Cordilheira, que mesmo sendo pequeno apresenta uma diversidade econômica.

DC – Como os municípios fora dos grandes eixos e que receberam asfalto podem tentar aproveitar isso?

Bernardy – Tem dois pontos. O primeiro é investir em qualificação profissional, com cursos de formação técnica, visando o aumento da rentabilidade das atividades desenvolvidas. Outro ponto seria a motivação de novas atividades econômicas. Mas essas políticas devem ser fomentadas pelos governos estadual e federal.
Fonte: Darci Debona/ Diário Catarinense

Roçadeiras

Secretário Valdir Cobalchini anunciou a aplicação de R$ 25 milhões nas secretarias regionais para a roçada das rodovias estaduais com a sinalização coberta pelo mato. “Temos o programa de detentos limpando as estradas. E a Rodovia Antônio Heil está com obras de duplicação”. Completou, irônico: “Não vou sair com roçadeiras. Não uso o método populista do deputado Amin”.
Fonte: Moacir Pereira/ Diário Catarinense

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