Moradores querem mais fiscalização. ‘O problema na SC?108 é o conflito entre o trânsito urbano e o rodoviário?

Moradores querem mais fiscalização. ‘O problema na SC?108 é o conflito entre o trânsito urbano e o rodoviário?

Blumenau, 28.2.14 – O acidente com o ônibus da empresa Reunidas na Serra da Vila Itoupava, quarta-feira à noite, foi o último e mais assustador episódio de uma sequência de acidentes na SC-108. A colisão envolveu 35 pessoas, deixou 19 feridos e três mortos.
Desde o início de janeiro até ontem já foram registrados 98 acidentes e seis mortes no trecho da rodovia entre a BR-470 e a entrada de Luis Alves.

Para testemunhas do acidente em que morreram três pessoas nesta semana, moradores da região e especialistas em trânsito, a sinalização ruim, a pista defasada para o movimento intenso e a alta velocidade são as explicações mais prováveis para as tragédias registradas na SC-108. Para Magno Alves, superintendente regional do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) em Blumenau, a solução não é tão simples. Ele aponta que o risco na SC-108 é grande pelo fato de que há sempre um grande volume de veículos trafegando pelo local. E assinala: os motoristas raramente respeitam o limite de velocidade.

Alves explica que desde ontem uma equipe de planejamento do Deinfra analisa os pontos mais críticos da SC-108 para então propor medidas. Hoje haverá uma reunião em Florianópolis.

Uma das reclamações dos moradores é a falta de lombadas eletrônicas. A assessoria de imprensa do Deinfra explica que em 2006 foi realizada uma licitação para instalação, operação e manutenção de 100 redutores eletrônicos de velocidade em todo o Estado. Porém, o resultado foi contestado judicialmente. Em 2010, as lombadas chegaram a ser instaladas, mas funcionaram por apenas três meses. Não há previsão de solução.

Para Gilmar Cardoso, especialista em Regulação de Transportes Terrestres, o problema não vai ser resolvido apenas com controle de velocidade:

– Às vezes o fato do próprio motorista não identificar que o local é de risco já causa o acidente. Ele pode estar andando devagar e, mesmo assim, acabar batendo em alguém. Para mim, sinalizar a via é fundamental.

BLUMENAU

O major Mauro Rezende contou em entrevista ao Jornal de Santa Catarina, do Grupo RBS, como será feita a investigação sobre as causas do acidente. Ele explica que diariamente passam pelo trecho da rodovia onde ocorreu a colisão de quarta-feira cerca de 12 mil veículos urbanos e rodoviários. A via foi projetada para receber 7,5 mil. Para ele, um dos grandes problemas é justamente o trânsito intenso de carros e caminhões no mesmo local, além de a curva ter sido mal projetada e do excesso de velocidade dos motoristas.

Grupo RBS – Quais são as principais características da SC-108 no trecho de Blumenau?

Major Mauro Rezende – A SC-108 vai de Joinville à divisa com o Rio Grande do Sul. Em Blumenau na altura da Vila Itoupava, onde ocorreu o acidente, cerca de 12 mil veículos passam diariamente. Já na região da Padaria Bublitz, na Itoupava Central, chega em torno de 25 mil e próximo à Rua Guilherme Scharf o número chega a 38 mil por dia. Mas a rodovia foi projetada para apenas 7,5 mil veículos por dia e já extrapolamos este limite há muito tempo. O grande caos da rodovia é o conflito entre o trânsito urbano e o rodoviário. Isso é o que gera todos os problemas na região, porque a principal via do bairro é a própria rodovia, onde há todos acessos e cruzamentos, além das pessoas transitando.

Grupo RBS – Como você analisa o trecho do Km 65, onde ocorreu o acidente? A via é segura?

Rezende – O grande problema estrutural daquele ponto é a inclinação negativa, que empurra o carro para fora da curva. Deveria ser feita uma revitalização em termos de engenharia de trânsito para consertar este problema. Além disso, há a questão da entrada e saída de veículos da Vila Itoupava, onde o fluxo de veículos é intenso. E, claro, também há a questão da imprudência, que neste caso é o excesso de velocidade no trecho. Os veículos de carga usam a descida para ganhar velocidade para embalar a subida, e acabam trafegando rápido demais.

Grupo RBS – Como está a investigação das causas do acidente?

Rezende – A investigação depende de três aspectos. Primeiro das provas do local físico, que fizemos logo após a ocorrência. Depois da prova testemunhal com os passageiros, testemunhas e motoristas. E, por último, da prova técnica do Instituto Geral de Perícias, que consiste em analisar o ônibus e a carreta que estão retidos no pátio da PMRv à espera da perícia técnica que vai constatar alguma irregularidade, falha mecânica, falta de manutenção ou qualquer coisa que possa ter influenciado. Juntamos esses três fatores e aí definimos quais foram as causas. Pelo volume de pessoas que se envolveram no acidente vai demandar algum tempo. Falamos com algumas vítimas nos hospitais e estamos aguardando a perícia. Queremos terminar isso até hoje para finalizar este caso.

MAJOR MAURO REZENDE

Comandante da 3a Companhia de

Polícia Militar Rodoviária

A rodovia foi projetada para apenas 7,5 mil veículos por dia e já extrapolamos esse limite há muito tempo.

VÍTIMAS DA TRAGÉDIA
NEIVA DO CARMO PADILHA
– Idade: 56 anos
– Quem era: mãe de três filhos, aposentada e casada. Segundo uma das filhas, era alegre e gostava de ajudar as pessoas
– Motivo da viagem: foi a Florianópolis para visitar uma das filhas e depois a Joinville para ficar alguns dias com outra filha que está grávida. Família esteve no IML de manhã e encaminhou o corpo para Chapecó, onde será velado e sepultado.
ELENITA DOS S. FERREIRA
– Idade: 65 anos
– Quem era: mãe de cinco filhos, casada. Estava aposentada, mas garantia renda extra da família com a venda de massas
– Motivo da viagem: foi para Jaraguá do Sul no mesmo dia do acidente para visitar um dos filhos, voltaria à noite para Curitibanos. Família esteve no IML de manhã e encaminhou o corpo para Curitibanos, onde será sepultado.
JANIR ANTONIO JUNGES
– Idade: 33 anos
– Quem era: natural de Faxinal dos Guedes e viajava com a filha de nove anos
– Motivo da viagem: Vinha acompanhar a filha em tratadamento médico. A família chegou à tarde no IML e encaminhou o corpo para Faxinal dos Guedes, onde será velado e sepultado. Até ontem à tarde, o corpo não tinha sido liberado ainda.
PROBLEMA ANTIGO NA SC-108
9/jul/2013
Um acidente na Serra da Vila Itoupava matou Faustino Meurer. O Vectra dirigido por ele trafegava no sentido Blumenau/Massaranduba quando bateu em um caminhão
24/ago/2013
Batida entre duas carretas interditou a SC-108 por três horas e engrossa número de feridos no acesso a Massaranduba
4/dez/2013
Caminhão que carregava cerca de10 toneladas de lixo orgânico tombou no Km 63 e bateu em um ônibus. Os dois caíram numa ribanceira
30/set/2013
Dobradeira hidráulica de 13 toneladas que era transportada por um caminhão caiu na SC-108, em Blumenau, às 13h40min. O equipamento tombou no Km 59,4
25/nov/2013
Jéssica Santos estava em veículo que saiu da pista, bateu em árvore e virou no barranco ao lado da rodovia. Ela morreu
26/fev/2014
Fernando Schroeder morreu num acidente às 15h50min. A batida ocorreu entre uma caminhonete e um carro, conduzido por Fernando

Caminhão fica preso em viaduto em Balneário Camboriú

A leitora Paola Maltauro Gohl compartilha imagens que fez nesta sexta-feira por volta das 11h30min, em Balneário Camboriú.

O motorista do caminhão baú não se deu conta da altura do veículo que estava dirigindo, tentou passar pelo viaduto, mas ficou preso.

O incidente ocorreu no Viaduto da Via Gastronômica e deixou o trânsito complicado na região.

O SOL DIÁRIO

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