Estado afirma não ter interesse em aeronaves

Estado afirma não ter interesse em aeronaves

Florianópolis, 3.2.14 – A Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) está prestes a perder dois helicópteros modelo Bell 412, com capacidade para transportar 13 passageiros, que havia recebido como doação, sem custos, da Polícia Federal. A cessão do uso das aeronaves à PM seria de cinco anos. Depois, elas seriam doadas ao Estado. Atualmente, SC tem quatro helicópteros de resgate. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) não aceitou a doação pelo alto custo de manutenção das aeronaves. A informação foi publicada com exclusividade na coluna Visor do DC, neste domingo. Em entrevista ao DC, ontem, o secretário César Grubba disse que não vai reconsiderar a decisão.

DOAÇÃO DEVOLVIDA

“A decisão está tomada”

Diário Catarinense – A direção da Polícia Federal ainda não oficializou a suspensão da transferência dos dois helicópteros para Santa Catarina. Ainda existe a possibilidade de a Secretaria de Segurança Pública aceitar essa doação?

César Grubba – Não, não existe. A decisão está tomada e foi fundamentada em critérios técnicos. Fizemos estudo, temos todo o processo desde quando a oportunidade surgiu. O coronel da Polícia Militar Milton Kern esteve na Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), em Brasília, e fez o contato com a Polícia Federal, que ofereceu as duas aeronaves. Fizemos um protocolo de intenções. Levantamos os custos para colocar os helicópteros em funcionamento, a manutenção mensal, o local para treinar os pilotos. Fizemos várias reuniões com os comandos Geral da PM, do Batalhão de Aviação Aérea, do Estado Maior. Chegamos à conclusão que seria inviável para Santa Catarina, que esse custo mensal de manutenção seria muito alto.

DC – Pela coluna Visor, especialistas observam que o custo anual de manutenção das aeronaves seria cerca de R$ 1,6 milhão a menos do que o avaliado pela comissão da SSP.

Grubba – Temos todos os orçamentos e levantamentos no processo, que é público. Todos que quiserem podem ir à Secretaria de Segurança e consultá-lo. Existem outros helicópteros da Polícia Federal, do mesmo modelo e o custo para colocá-los em operação é muito alto, inclusive o de peças para reposição. E são dois tipos de custos. O de aeronavegabilidade, que é colocar o helicóptero em funcionamento, e o da manutenção mensal. Fora os imprevistos, como a quebra de uma peça, por exemplo. Nossa decisão é colegiada e baseada em critérios técnicos. Levei o processo para o governador e disse a ele sobre nossa decisão.

DC – A assessoria do governador Raimundo Colombo informou que a decisão teve como base o laudo técnico que aponta que “os helicópteros são grandes e ameaçam destelhar casas…”. Em desastres ambientais como as enchentes de 2008, quando casas já estão destelhadas, essas aeronaves não seriam importantes para salvar vidas?

Grubba – Nesse aspecto concordo que a aeronave é útil. Inclusive coloquei ao coronel Kern a possibilidade de aceitarmos uma das aeronaves. O custo de manutenção é igual, mas uma delas tem um custo de aeronavegabilidade mais em conta. O coronel disse na época que não havia como doar apenas uma. Duas são inviáveis. O governo tem outras prioridades. E temos dois helicópteros em Florianópolis, um da Polícia Civil e outro da Polícia Militar. Em Joinville, temos um da PM.

DC – Nos recentes incêndios de grandes proporções na Ilha, por exemplo, o Arcanjo (helicóptero do Bombeiros) tinha que se dividir no atendimento.

Grubba – Sim, mas há estados que não têm nenhum.

DC – Mas Santa Catarina é um estado rico.

Grubba – Rico, mas tudo que estamos fazendo tem um custeio.

Chegamos à conclusão que seria inviável para Santa Catarina, que esse custo mensal de manutenção

seria muito alto

Entenda o caso

– Os dois helicópteros modelo Bell 412 que a Polícia Federal em Brasília quer doar para Santa Catarina, mas que o Estado não aceitou, têm capacidade de transportar seis vezes mais vítimas do que um dos dois helicópteros da PM no Estado, o Esquilo, de Joinville. SC tem quatro helicópteros de resgate em operação.

– Conforme publicado na coluna Visor de domingo, o jornalista Rafael Martini apurou que em 2012 a PF em Brasília comprou helicópteros novos para substituir os Bell 412, modelo utilizado pelas principais polícias e bombeiros do mundo.

– Com a aquisição, a PF resolveu doar as duas aeronaves para algum Estado interessado sem custo algum para a transferência do patrimônio, orçado em R$ 30 milhões. Santa Catarina aceitou o presente.

– A Secretaria de Segurança Pública acertou com a PF a cessão de uso dos equipamentos, sem custos, para a PM catarinense por cinco anos. Depois, as aeronaves seriam doadas definitivamente ao Estado.

– Um termo de cooperação entre a PF e a SSP-SC foi publicado no Diário Oficial da União no final de 2012. A PM de SC ficaria responsável pelos custos de pintura (personalização), compra de macas, farol para busca noturna, cesto de água para combater incêndios, da manutenção e do combustível.

– A contrapartida seria compartilhar os helicópteros com a PF em SC. Em 2013, uma semana antes da licitação, uma comissão com oficiais da PM decidiu não aceitar mais a oferta, alegando altos custos de manutenção. O edital foi cancelado. O secretário de Segurança, César Grubba, encaminhou ofício à PF informando que o Estado não teria mais interesse nas aeronaves. A direção da PF ainda não oficializou a suspensão da transferência, mas o secretário Grubba disse que a decisão de não aceitar o presente é definitiva.

Fonte: Gabriela Rovai – Diário Catarinense – 2.2.14

Compartilhe este post