Florianópolis, 13.1.14 – Presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO para a América Latina, o alemão Philipp Schiemer desembarcou ontem em Florianópolis para, na companhia dos empresários Paulo Toniolo e Paulo Toniolo Júnior, visitar unidades do Grupo DVA. Trouxe consigo diretores das áreas de caminhões e ônibus da montadora. Hoje, como costuma fazer vez ou outra, fica na Capital “à paisana” para jogar golfe. Pouco antes do almoço, conversou com a Panorama sobre o casamento da marca com São Paulo, o que acabou frustrando a expectativa de Santa Catarina de atrair a unidade que voltará a montar carros no Brasil. Formado em Economia em Stuttgart, Schiemer tem 49 anos e há mais de 20 lida com o setor automotivo. Há 14 anos está no Brasil, onde já trabalhou nas linhas de caminhões, ônibus, vans e automóveis. Antes, foi vice-presidente de Marketing da Divisão de Automóveis na Alemanha.
Casamento da Mercedes com São Paulo
(risos) A gente tem uma história de 57 anos com São Paulo, então se fica casado mesmo, é um casamento que funciona.
Expectativa de SC foi frustrada
A equipe técnica aqui do Estado fez um trabalho excelente. Mas a razão pela qual a Mercedes decidiu por São Paulo foi mais para juntar forças, porque já temos instalações muito grandes em São Paulo. Aí a distância para Santa Catarina seria uma dificuldade maior. Esta foi a razão principal. A fábrica de Iracemápolis vai ficar pronta em 2015 e vai realmente produzir a partir do final de 2015.
Novo modelo Classe C na metade do ano
Para nós, ano passado foi muito bom, muito positivo, as nossas vendas cresceram praticamente 30%. Para este ano achamos que teremos uma repetição do resultado de 2013, porque vamos ter uma troca para o carro mais importante que é o Classe C. O novo modelo será lançado em meados do ano. Isso sempre impele a um crescimento maior. Este vai ser um ano de transição, eu diria, para depois em 2015 voltar a crescer mais.
Bom também na linha premium
Para nós foram boas as vendas da linha premium em 2013 e achamos que nos próximos anos, esse segmento de mercado vai crescer mais.
Brasil não é mais competitivo para exportar
Acho muito difícil o Brasil conseguir exportar sua produção automobilística, porque mesmo que a situação do câmbio tenha melhorado, o Brasil hoje, em termos de custos, principalmente de logística e infraestrutura, não é muito competitivo. Então, mesmo que o câmbio ajude, para o Brasil ser de novo interessante para exportação em grande escala tem de melhorar muito a logística. Só aí poderemos exportar carros com mais facilidade.
Até luta, mas é complicado
Logicamente mão de obra também faz parte (dos altos custos), mas para ter exportação em grande escala precisa ter uma logística que funcione bem, que seja muito eficiente. Isso hoje não acontece, faltam aeroportos, estradas, falta um monte de coisas. Então, logicamente, a gente luta para exportar daqui, mas é complicado.
Brasil tem um grande trabalho a fazer
Na América Latina o Brasil tem um status muito forte, mas hoje a concorrência é internacional, então competimos com China, Estados Unidos, Índia, Coréia do Sul, Japão e aí as condições são diferenciadas. São todos países que estão facilitando muito fortemente a exportação. Aí há um grande trabalho a ser feito ainda.
Caminhão só para a Argentina
Para caminhões e ônibus é a mesma coisa, no fundo, antigamente se exportava muito caminhão daqui do Brasil. Hoje o que restou para nós é a Argentina, onde temos um volume muito bom de vendas. Para os outros países é muito complicado exportar do Brasil. Ônibus, estamos ainda melhor, porque temos produtos muito bons para exportação, mas também aí sofremos concorrência muito forte de produtos chineses e indianos que vem com custos e condições muito favoráveis.
Empresário tem de fazer o seu trabalho
Logicamente em ano eleitoral fica uma incerteza, mas nós como empresários temos de fazer o nosso trabalho, nos preparar para o que mercado nos oferece e depois enfrentar qualquer coisa que venha pela frente. Não podemos jogar ou olhar muito se tem ou se não tem eleição. Nós sabemos o que temos de fazer e temos de fazer isso bem feito. Depois podemos enfrentar o mercado seja ele bom ou ruim, vamos enfrentá-lo.
Diferente para quem chega
A BMW foi mais rápida do que nós em tomar uma decisão. Escolheram um Estado muito bom, como disse, nós também conversamos intensamente com Santa Catarina e Santa Catarina era uma opção muito boa. Mas para nós que, diferentemente da BMW, já temos instalações aqui no Brasil, a decisão foi diferente.
Para o futuro, quem sabe
(A expansão da Mercedes no Brasil) não está resolvida, encerrada. O Brasil é um País muito grande, estamos no início de uma nova fase e muita coisa ainda pode acontecer.
Fonte: Adriana Baldissarelli/ Notícias do Dia (edição de sábado e domingo 11 e 12/01)
Concorrência asiática no mercado automobilístico
A chegada de novas marcas de automóveis ao Brasil, especialmente as asiáticas, tem modificado o mapa de distribuição do mercado no país. Hoje o consumidor tem muitas opções de compra e pode optar pela aquisição de um veículo com identidade consolidada, como é o caso das gigantes alemãs Volkswagen, Mercedes-Benz e BMW, ou apostar numa marca nova, que ainda tenta encontrar o seu espaço.
No ano passado, a concentração das vendas das quatro principais montadoras – Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford – respondeu por 67,5% dos carros de passeio e utilitários leves licenciados no Brasil, queda superior a 3% em relação a 2012.
O presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Philipp Schiemer, que esteve em Florianópolis ontem para visitar clientes e fornecedores, acredita que a chegada das asiáticas não deve causar medo entre as grandes montadoras.
– O mercado está livre e cada um pode participar. As fábricas chinesas são uma realidade. Devemos enfrentá-las como enfrentamos as coreanas e japonesas no passado. Não temos medo. O importante é continuarmos produzindo carros de alta qualidade, alto luxo, valor incluído e design diferenciado.
“Santa Catarina é um Estado muito forte”
A serenidade de um típico alemão misturada à fidalguia de um nativo brasileiro. Essa é a impressão que se tem ao conversar com Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO da empresa na América Latina. Na última sexta-feira, ele esteve em Florianópolis para se aproximar de clientes e revendedores da marca em Santa Catarina e conversou com o DC sobre a atuação da empresa no Estado, por que a nova fábrica da montadora não veio para cá e os novos desafios à frente da empresa.
A instalação da nova fábrica da Mercedes-Benz em São Paulo vai melhorar as vendas de veículos de alto luxo no Brasil?
Philipp Schiemer – Sem dúvida. É uma chance muito grande de crescermos no Brasil. Com a nova política do Inovar-Auto (regime lançado para promover a competitividade da indústria automotiva nacional), o país deixou claro que para crescer aqui tem que instalar uma fábrica. Analisamos as possibilidades e definimos pelo investimento que entra em operação a partir de 2015 (em Iracemápolis, interior de São Paulo).
Santa Catarina estava no páreo para receber a fábrica, mas perdeu a disputa. O que acabou pesando na escolha?
Schiemer – Diferente da BMW, nós temos uma operação de 60 anos no Brasil e ela está concentrada em São Paulo. Então, se a fábrica viesse para Santa Catarina, seria difícil logisticamente. E a gente queria ter uma sinergia muito forte entre a fábrica. Essa foi a razão principal para a escolha.
Para a Mercedes-Benz, qual é a importância do mercado catarinense?
Schiemer – Santa Catarina é um Estado muito forte, que está crescendo bastante. Os investimentos feitos aqui comprovam isso. Além disso, tem uma história muito germânica, existe um simpatia pelos nossos produtos, portanto, é um mercado em expansão. Tem classe média forte e esse é o nosso alvo para os próximos anos.
Em termos de vendas, o mercado de Santa Catarina também é importante?
Schiemer – O nosso maior mercado é sem dúvida o de São Paulo, mas depois vem o do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e o de Santa Catarina. Com a ampliação da rede (o grupo DVA inaugura uma nova loja com veículos da marca em Joinville em abril), a tendência é crescer mais.
O senhor pode revelar os carros que serão produzidos pela Mercedes no Brasil e se eles terão preços diferenciados?
Schiemer – Vamos produzir o novo Classe C e o utilitário GLA baseado na série de carros compactos. A fábrica trará a vantagem de economizarmos o imposto adicional do IPI, mas falar sobre o preço depende de muitas outras coisas, entre elas a taxa de câmbio. É prematuro falar. Não acredito que haverá redução de preço, até porque com a política Inovar-Auto teríamos de subir os valores.
Como o senhor avalia a obrigatoriedade do uso do airbag e freios ABS nos carros populares?
Schiemer – Acho superimportante. Somos uma empresa que se destaca pelo conforto, vaidade e segurança. Para nós isso é o mais importante. Inventamos o airbag há 30 anos, fomos a primeira marca a lançar os freios ABS, então, é algo natural. Acho que o mercado será cada vez mais disputado. Tem outras fábricas se instalando aqui, como a Hyundai, a Renault, a Nissan. O bom disso tudo é que o consumidor vai ter mais opções de escolha e ganhará aquele que comprar o melhor carro.
Estamos investindo forte nas linhas de ônibus, caminhões e automóveis no Brasil. Queremos ampliar a base de clientes que confiam na marca.
Fonte: Estela Benetti/ Diário Catarinense
Montadora
Presidente da Mercedes-Benz para América Latina, Philipp Schiemer, disse em visita a Florianópolis que o maior problema hoje do setor produtivo é o da falta de logística. Encarece os produtos e dificulta as exportações. Vem depois a carga tributária. A falta de meios de transportes, de portos e aeroportos constitui o maior drama da indústria.
O presidente da Mercedes-Bez, Philipp Schiemer, com os diretores da DVA-Veículos, Paulo Toniolo e seu filho
Fonte: Moacir Pereira/ Diário Catarinense
(todos edição de sábado 11/01)