Florianópolis, 9.1.14 – Tirar a CNH (carteira nacional de habilitação) em Santa Catarina está mais difícil e mais caro. Isso por que a lei que entrou em vigor no dia 1° de janeiro exige aulas no simulador, critério ignorado pelas autoescolas. O processo para formação de novos condutores está travado no Brasil. Em Santa Catarina, das 398 autoescolas apenas uma (em Tubarão) tem o equipamento obrigatório para que o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) libere o documento.
O simulador é exigido pelo Conatran (Conselho Nacional de Trânsito) desde 1978, mas a tecnologia começou a ser elaborada por quatro empresas em 2009, e foi aprovada como resolução em junho do ano passado. O simulador é um videogame sofisticado. O aluno entra na cabine e vive situações perigosas: subidas e descidas inclinadas, ruas com ciclistas e pedestres, curvas com neblina, pista alagada, óleo na rodovia e animais que surgem inesperadamente.
A exigência de aulas é pequena, são duas horas e 30 minutos divididas em cinco dias. O custo dessas aulas é de R$ 284 em Santa Catarina. Com isso, a CNH no Estado vai custar cerca R$ 1.500.
O equipamento varia entre R$ 35 mil e R$ 40 mil e pode ser adquirido em conjunto pelas autoescolas, “caso não desejem perder seus alunos”, avisa a idealizadora do projeto, Maria Cristina Hoffmann, coordenadora-geral de Qualificação do Trânsito do Denatran. “Este é um caminho sem volta”, enfatiza.
“Em Santa Catarina, os alunos que fazem a primeira habilitação na categoria B [carro] vão precisar do simulador para dar continuidade ao processo a partir do dia 2 de março. Até lá as autoescolas devem estar preparadas”, avisa Maria Cristina. O simulador leva 45 dias para ser entregue após a encomenda. Até agora, apenas uma autoescola de Itajaí se pronunciou sobre a compra.
O Detran/SC está de mãos atadas. Até março, a previsão é de que 60 mil catarinenses aguardem pelas aulas virtuais, que vêm antes das 15 aulas de direção.
Estados pedem prazo maior
São Paulo pediu três meses para se adaptar à lei do simulador. O Rio Grande do Sul apenas falou em um “prazo a mais”. Minas Gerais enviou um relatório de contra-argumentos. Amazonas, Ceará, Piauí, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul anunciaram que não é possível se adequar à nova resolução. Mas o Denatran desconsiderou os apelos. Maria Cristina Hoffmann, coordenadora-geral de Qualificação do Trânsito do Denatran, relativiza o problema com a análise de que “as mudanças, ainda mais quando exigidas, têm resistência”.
Para a idealizadora do projeto este é um caminho para fortalecer o ensino com segurança, é moderno e não é uma exigência de difícil cumprimento. “O custo é praticamente de um carro e o uso do simulador ainda pode ser compartilhado por diversas autoescolas”, acrescenta.
Outro argumento de oposição é o custo da CNH, que irá subir 20%. Atualmente, sem as aulas do simulador, os interessados em conduzir automóveis desembolsam cerca de R$ 1.250.
FIQUE POR DENTRO
A lei entrou em vigor dia 1° de janeiro em todo o país
Como funciona o simulador?
Você irá conduzir o carro por pistas molhadas, com lodo, óleo, desviando de ciclistas e pedestres, com diversas subidas, algumas cobertas por neve ou neblina.
Qual o tempo de aula?
São cinco aulas de 30 minutos. O custo é de R$ 284.
Quanto custa o simulador e onde comprá-lo?
O preço varia entre R$ 35 e 40 mil. Quatro empresas cadastradas ao Departamento Nacional de Trânsito têm autorização para vendê-los. O prazo de entrega é de 45 dias.
Em Santa Catarina
Todo dia, mil pessoas procuram o Detran/SC para tirar a primeira habilitação para carros.
Fonte: Aline Torres/ Notícias do Dia