Morte do irmão do prefeito de Blumenau em acidente na rodovia reacende o debate sobre a necessidade da duplicação

Morte do irmão do prefeito de Blumenau em acidente na rodovia reacende o debate sobre a necessidade da duplicação

Blumenau, 8.1.14 – Em 13 anos e sete dias o Vale do Itajaí assistiu a 1.471 mortes na BR-470. O nome mais recente na lista de vítimas da rodovia foi escrito às 19h50min de segunda-feira, quando Caio Vinícius Ody Bernardes, 37 anos, morreu no Km 14,1 ao bater em uma carreta que vinha no sentido contrário, do Vale para o litoral. Caio é irmão de Napoleão Bernardes, prefeito de Blumenau. Ainda que não seja pessoa pública, a 1.471ª tragédia familiar causada por um acidente no trecho traz à tona questões que interessam a pelo menos mais 532 mil moradores das cinco cidades por onde as obras de duplicação da BR-470 devem passar nos próximos quatro anos.
O trecho em que Caio morreu faz parte do Lote 1 da rodovia. O trajeto entre os quilômetros zero e 18,6, que vai de Navegantes a Ilhota, aguarda a assinatura da ordem de serviço para que as obras de duplicação sejam iniciadas. Se as mudanças na BR-470 já estivessem prontas, o trecho onde Caio Bernardes morreu teria um canteiro central ou, como diz o projeto básico do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), teria um “elemento separador composto de canteiro central com 10,40m de largura”. A barreira entre pistas é um mecanismo que, segundo o chefe da 4ª Delegacia Metropolitana da Polícia Rodoviária Federal, Antonio Carlos Stanislau Afonso Cunha, ajudaria a reduzir acidentes com colisões frontais e laterais, que somam 1,7 mil registros com 73 mortes entre 2011 e 2013 na BR-470 _ o que corresponde a 23% do total de acidentes e à metade do total de mortes _ somente no trecho que receberá a duplicação. 
_ Quando a pista é dupla, geralmente há uma barreira entre os sentidos. Ainda que os canteiros não defendam tanto quanto aqueles muros, eles geralmente têm guard rails. E uma separação física entre os sentidos de trânsito da rodovia dificulta a ocorrência deste tipo de acidente.
Através da assessoria de comunicação, o Dnit confirmou os canteiros centrais do projeto de duplicação do Lote 1 da BR-470, que deverá ser feito pelo consórcio Azza/Sogel. Ainda que a contratação desta empresa responsável pelas obras no trecho tenha sido concluída em 10 de setembro de 2013, o Dnit não prevê uma data para assinatura da ordem de serviço. Apenas cita que a etapa deve ocorrer em janeiro e que não definiu se haverá alguma solenidade como houve quando foram autorizadas as obras nos lotes 3 e 4, trechos que vão de Gaspar a Blumenau e de Blumenau a Indaial, respectivamente.

Pai também morreu em acidente

A perda de Caio é a segunda da família Bernardes em um acidente numa rodovia. O pai do prefeito Napoleão, Acácio Bernardes, morreu em um acidente de trânsito na BR-101 no dia 29 de agosto de 1996. Acácio que atuava como advogado criminalista, viajava em um Tempra pela rodovia em Balneário Camboriú, quando colidiu com um caminhão.
Acácio foi um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT) em Santa Catarina e recepcionava Leonel Brizola nas visitas a Blumenau. Chegou a ser candidato ao governo do Estado em 1986, mas perdeu as eleições para Pedro Ivo Campos (PMDB).
A perda do patriarca ruiu a sustentação da família. A esposa, Maria Célia Bernardes, era dona de casa, Caio tinha 20 anos e a irmã mais velha Célia Regina, 22. Ambos apenas estudavam e tiveram de trabalhar para manter a casa. O caçula, Napoleão, estava a um mês de completar 14 anos quando perdeu o pai.
Caio era casado e pai de Caio Pedro, 8 anos. Administrador, trabalhava no setor de compras e importação da Cremer, empresa blumenauense de artigos para saúde.
Caio foi velado ontem em Blumenau no Cemitério Jardim da Saudade e depois o corpo foi levado para Camboriú. O sepultamento ocorreu no Cemitério Municipal de Camboriú.
Fontes: Ânderson Silva e Srina Gianesini/ Diário Catarinense

Trecho onde morreu irmão de prefeito teve 316 acidentes em 2013

Desses, 74 envolveram veículos de carga ou tração, como caminhões.
Incluindo Navegantes, a BR-470 teve três acidentes com morte em 2014.
O trecho onde morreu Caio Bernardes, irmão do prefeito de Blumenau, na segunda-feira (6) registrou 316 acidentes em 2013. Os dados são da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em relação à parte de 16 quilômetros da BR-470 localizada em Navegantes, no Vale do Itajaí. Neste ano, a rodovia inteira, da cidade já citada até Pouso Redondo, teve três acidentes com morte.
O irmão do prefeito de Blumenau morreu na noite de segunda (6) em um acidente da BR-470 em Navegantes. Conforme a PRF, a colisão foi por volta das 19h50 no km 14,1. O automóvel dirigido por Caio Vinicius Ody Bernardes, um Sandero, invadiu a pista contrária e chocou-se com um caminhão.
Do total de 316 acidentes registrados em 2013 no trecho de Navegantes, 74 envolveram veículos de carga ou tração, como caminhões. Desses 74 resultaram três mortos e sete feridos, sendo dois deles graves. O trecho de Navegantes vai do km 0 ao 16,3 da BR-470, segundo a PRF.
Em 2012, foram 274 no total, sendo 70 com veículos de carga ou tração. Naquele ano, houve duas mortes decorrentes desses 70 acidentes e 16 feridos, sendo cinco graves. A PRF também trouxe dados de 2011. O número total registrado no trecho de Navegantes foi de 290 acidentes, sendo 80 com veículos de carga ou tração. Desses, resultaram duas mortes e 12 feridos, sendo dois deles graves.

Enterro

O enterro de Caio Bernandes foi entre 14h e 17h desta terça-feira (7) na Central de Luto, em Camboriú, Litoral Norte. Ele foi sepultado no mesmo local onde está o corpo do pai dele, Acássio Bernardes. Caio era o filho do meio da família Bernardes. O prefeito estava bastante emocionado no velório na manhã no Cemitério Jardim da Saudade, no Bairro Fortaleza, em Blumenau. Napoleão recebeu o apoio de parentes e amigos.
Fonte: G1 SC

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