Pedágio a quase R$ 3,00 para pagar o contorno da Grande Florianópolis

Pedágio a quase R$ 3,00 para pagar o contorno da Grande Florianópolis

Florianópolis, 12.12.13 – Venho acompanhando e participando de vários debates que envolvem o contorno viário da Grande Florianópolis. Os encontros acalorados aqui e em Brasília e, mais ainda, na tumultuada audiência pública realizada em Palhoça, expressaram a verdadeira realidade sem decifrar os imbróglios que estão escondidos no processo. Os mais interessados em dar visibilidade ao fato foram os que visam as eleições do próximo ano.
Publicamente, ninguém assume as consequências que a obra trará daqui a pelo menos sete anos, creio, quando possivelmente estará concluída.
Não vejo ninguém falar do custo final, valor mais que o dobro do previsto principalmente pelo ato inconsequente e irresponsável de quem cedeu a área do traçado para a construção de um condomínio residencial. Com seis túneis, uma ponte, elevados, aumento da extensão, grande área de solo mole, desapropriações que foram acrescentadas, os 51 quilômetros passarão dos R$ 600 milhões para mais de R$ 1,5 bilhão. Esses valores serão adicionados à tarifa de pedágio, repercutindo nas cinco praças, com valor de cada algo próximo a R$ 3,00. Obra para exagerados, 20 mil veículos hoje, não repercutindo quase nada no violento amontoado de carros, caminhões, motos, ônibus e pedestres que se destinam a Florianópolis todos os dias.Os acidentes do quilômetro 201, o maior índice, em pouco vai refletir, pois ali o envolvimento maior é de motos e carro de passeio.
Mais 640 propriedades comerciais e residenciais serão atingidas, destas aproximadamente 310 só no município de Palhoça, que certamente não saberão hoje onde estarão no Natal de 2014.
Os maiores defensores da obra não pagam pedágio, portanto não lhes afeta. Certamente nenhum deles terá sua casa derrubada e a eles também não importa se a obra vai resolver e quando concluída não estarão onde estão hoje.
Mais justo, humano e racional teria sido o alargamento do trecho atual da BR-101, segundo estudo apresentado e debatido na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, de menor impacto em todos os sentidos, de menor custo e passado quase todo este tempo, hoje estaria concluído.E aí sim, com o alargamento da Via Expressa, sua continuidade até a BR-282, com trânsito de passagem mais rápido. Chegada e saída de Florianópolis liberada, por alguns anos não sofreríamos o que estamos sofrendo hoje.
Com tempo e calma uma nova rodovia acompanhada pela Ferrovia Litorânea com a construção de uma obra para atender o futuro das novas gerações.
* Pedro Lopes – presidente da Fetrancesc e do Conselho Regional do Sest Senat
Fonte: Diário Catarinense

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